Petróleo dispara com impasse em Ormuz e ataque a refinaria na Arábia Saudita

Diesel europeu saltou mais de 7% enquanto Irã e Omã seguem sem entendimento para reabrir a rota de navegação
10/08/2026

Os preços do petróleo aceleraram nesta segunda-feira, com os futuros do Brent negociados perto de US$ 86 o barril. O movimento vem depois de a referência internacional já ter avançado mais de 5% nas três sessões anteriores, num período marcado pela tensão no comércio global de combustíveis.

Dois fatores explicam a pressão sobre o mercado. O primeiro é o impasse em torno do Estreito de Ormuz: Irã e EUA não chegaram a um acordo para reabrir a rota, por onde passava cerca de um quinto de todo o petróleo e gás natural transportado por mar antes da guerra. O segundo é um ataque a uma refinaria saudita, localizada perto do Mar Vermelho.

No fim de semana, o Irã havia afirmado que um acordo estava muito próximo. Já nesta segunda-feira, Teerã voltou a defender que a reabertura de Ormuz dependeria do fim do bloqueio imposto pelos EUA e de uma compensação. No mesmo período, um navio-tanque operado pela Abu Dhabi National Oil Co. foi alvo de um ataque na região do estreito.

Diesel europeu lidera a alta dos combustíveis

A disparada não se limitou ao petróleo bruto. Os produtos refinados também subiram, puxados pelo diesel: os futuros do combustível na Europa chegaram a ganhar mais de 7%, enquanto os contratos negociados nos Estados Unidos saltaram cerca de 6%.

Na Arábia Saudita, militantes houthis reivindicaram o ataque à refinaria de Jazan. O incêndio provocado na unidade foi extinto no domingo, mas o Ministério de Energia do país não forneceu detalhes sobre a causa das chamas.

Segundo Hamad Hussain, da Capital Economics, o cenário deve seguir instável. ‘Um acordo para reabrir o estreito não parece iminente’, afirmou. Para ele, ‘os preços do petróleo Brent provavelmente permanecerão voláteis na faixa de US$ 80 a US$ 90 o barril no curto prazo, a menos que haja sinais de uma mudança clara no status quo’.

O que trava a normalização da rota

O tráfego pelo Estreito de Ormuz caiu a cerca de cinco navios por dia, ante aproximadamente 14 navios diários registrados depois que EUA e Irã fecharam um memorando de entendimento em junho. No domingo, Donald Trump disse ao Axios que os EUA estavam ‘diminuindo o tom’ em relação à situação no estreito.

Para Amrita Sen, da Energy Aspects, o mercado ainda precisa de confirmação prática de qualquer avanço. ‘Para realmente vermos que isso está mudando ou avançando, precisamos ver essas travessias aumentarem’, disse ela à Bloomberg Television.

No Irã, Mohsen Rezaee, ligado à ala linha-dura e à Guarda Revolucionária Islâmica, foi promovido ao mais alto cargo de segurança do país.

A leitura entre analistas é de que o prêmio de risco geopolítico segue embutido nas cotações. ‘O viés permanece de alta enquanto o mercado estiver precificando a “possibilidade” de interrupção, em vez da certeza da normalização’, avaliou Haris Khurshid, da Karobaar Capital. Ele acrescentou: ‘Até vermos os fluxos reais se normalizarem, acho que o risco geopolítico mantém um piso sob o petróleo bruto’.

Às 11h03, em Nova York, o WTI para entrega em setembro subia 3,3%, a US$ 80,76 o barril. Já o Brent para liquidação em outubro avançava 3,2%, cotado a US$ 86,20 o barril.

Fonte: BP Money

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