ONS desiste de acionar corte emergencial e programa curtailment de até 22 GW

09/08/2026

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) desistiu de acionar neste domingo, 9 de agosto, o plano emergencial de redução da geração conectada às redes de distribuição, depois de ter comunicado previamente aos agentes envolvidos sobre a possibilidade de uso do mecanismo. Para equilibrar geração e consumo sem recorrer à medida, o operador programou restrições de geração eólica e solar que chegam a cerca de 22 GW no início da tarde.

Segundo o ONS, o Plano de Gestão de Excedentes de Energia na Rede de Distribuição deixou de ser necessário diante da gestão dos recursos disponíveis para equilibrar a geração com a demanda e de uma previsão de carga mínima mais elevada. Os agentes envolvidos foram informados neste sábado, 8 de agosto, de que não seria necessário reduzir a geração dos recursos conectados diretamente às redes das distribuidoras.

A decisão não significa, contudo, que o sistema opere sem cortes de geração neste domingo. O Relatório Executivo da Programação Diária da Operação Eletroenergética (Repdoe) do ONS mostra fortes diferenças entre a produção eólica e solar prevista e a efetivamente programada pelo ONS ao longo do período de maior oferta renovável.

A soma das restrições programadas nos quatro subsistemas chega a aproximadamente 22 GW no início da tarde, concentrada principalmente no Nordeste e no Sudeste/Centro-Oeste. O relatório apresenta a previsão e a programação das duas fontes em intervalos de meia hora.

No Nordeste, onde ocorre a maior parte da redução, a programação derruba simultaneamente a produção eólica e solar em relação ao potencial previsto durante as horas de menor carga líquida. No Sudeste/Centro-Oeste, a maior diferença está na geração solar. Também há restrições, em menor escala, na produção eólica do Sul e do Norte.

O próprio relatório informa que há períodos de excedentes energéticos neste domingo e que o ONS manteve a Folga de Potência Monitorada Sincronizada Sistêmica de Redução no requisito mínimo de 2,5% da carga do Sistema Interligado Nacional (SIN) em alguns desses momentos.

Cortes ocorrem antes do plano emergencial

As restrições de eólicas e solares previstas para este domingo são diferentes do corte emergencial na rede de distribuição que o ONS decidiu não acionar.

O plano segue uma sequência de medidas. Primeiro, o operador reduz a geração dos recursos que estão sob sua coordenação direta, incluindo hidrelétricas, termelétricas e parques eólicos e solares. Somente quando essas ações não são suficientes para manter margens operativas seguras pode ser determinada a redução das usinas Tipo III, grupo que reúne pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) e outras usinas menores conectadas às redes das distribuidoras e que não possuem despacho centralizado pelo ONS.

Foi justamente essa última etapa que o operador concluiu não ser necessária neste domingo. Segundo o ONS, mesmo sem o acionamento formal do plano, a operação continuará sendo acompanhada em tempo real e os recursos disponíveis poderão ser ajustados conforme o comportamento da carga.

O mecanismo foi criado para situações em que, mesmo depois de reduzida a geração sob responsabilidade direta do ONS, ainda existe produção conectada às redes das distribuidoras que precisa ser retirada para equilibrar oferta e demanda.

Dia dos Pais colocou sistema em alerta em 2025

O domingo de Dia dos Pais é acompanhado com atenção pelo operador por causa do risco de consumo mais baixo em um horário de elevada produção solar. Um episódio ocorrido justamente na data comemorativa no ano passado contribuiu para acelerar a discussão sobre formas de controlar recursos conectados às redes de distribuição.

Em 10 de agosto de 2025, a carga bruta do sistema chegou a 57,8 GW entre 13h e 13h30, dos quais 21,7 GW, ou 38%, foram atendidos pela micro e minigeração distribuída (MMGD).

Na ocasião, diante da baixa carga líquida, o ONS precisou reduzir praticamente toda a geração eólica e solar centralizada disponível e minimizar a geração hidrelétrica para preservar a estabilidade do sistema elétrico.

O crescimento da MMGD, principalmente solar, reduz a carga enxergada pelo operador durante o dia e diminui o espaço para manter em operação usinas centralizadas necessárias para fornecer serviços ao sistema, como controle de frequência e tensão, inércia e capacidade de recomposição.

Plano foi acionado uma única vez

Desde que entrou em vigor, o Plano de Gestão de Excedentes de Energia na Rede de Distribuição foi acionado uma única vez, em 7 de junho deste ano, durante o fim de semana prolongado de Corpus Christi.

Na ocasião, o ONS determinou a restrição de 1.000 MW de geração entre 10h e 14h, diante da expectativa de carga mínima e da elevada produção de MMGD, principalmente solar. As distribuidoras foram avisadas no sábado e executaram as manobras necessárias no domingo.

O plano havia sido aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em novembro de 2025, após o agravamento dos desafios operacionais provocados pelo geração distribuída e pela ocorrência de períodos com excesso de oferta nos horários de menor demanda.

Fonte: MegaWhat

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