Rystad Energy: produção da Venezuela pode subir 17% até 2028

Consultoria prevê aumento de 194 mil bpd entre o quarto trimestre de 2025 e o quarto trimestre de 2028, que poderá vir principalmente de ativos produtores existentes, operados em sua maior parte por petrolíferas internacionais
14/07/2026

A produção de petróleo bruto da Venezuela poderá aumentar em aproximadamente 17%, ou cerca de 194.000 barris por dia (bpd), entre o quarto trimestre de 2025 e o quarto trimestre de 2028. A projeção foi feita para consultoria Rystad Energy, ressaltando que esse crescimento deverá vir principalmente de ativos produtores existentes, e não de novas descobertas em larga escala, o que destaca que a execução operacional determinará o ritmo da recuperação, e não a disponibilidade de recursos.

A Venezuela tem as maiores reservas de petróleo e gás do mundo, estimadas em 300 bilhões de barris, mas o pico histórico de produção de 3 milhões de bpd em 1990 caiu para 350 mil bpd em 2020, por conta de sanções internacionais a governos venezuelanos. Após a invasão do país pelos EUA no início do ano para prisão do então presidente Nicolás Maduro, assumiu o governo sua vice Delcy Rodriguez, abrindo o mercado a novos investimentos com uma Lei de Hidrocarbonetos, que já teria elevado a produção para cerca de 1 milhão de bpd.

“A indústria de exploração e produção de petróleo e gás da Venezuela entrou em uma nova fase. Após amplas reformas no setor de hidrocarbonetos e desenvolvimentos geopolíticos mais abrangentes no início de 2026, o debate mudou da possibilidade de o país reabrir seu setor petrolífero para a capacidade de implementar com sucesso uma recuperação significativa da produção. O potencial de recursos do país nunca foi questionado. O maior desafio agora reside em converter o ímpeto das políticas em crescimento operacional sustentável”, afirmou a consultoria, em artigo divulgado nesta terça-feira (14), com base em análise elaborada pela consultoria.

De acordo com a Rystad, o crescimento da produção a curto prazo será dominado por petróleos mais pesados. A consultoria prevê que cerca de três quartos da produção da Venezuela até 2028 deverão vir de petróleo pesado, extrapesado e betume, com a Faixa Petrolífera do Orinoco respondendo por aproximadamente 60% da produção total. Isso torna o acesso a diluentes, atividades de revitalização de poços, perfuração de poços de desenvolvimento e gestão de campos maduros consideravelmente mais importantes do que o aumento das reservas nos próximos anos.

Recuperação impulsionando pelas IOCs

A Rystad prevê que as companhias petrolíferas internacionais (IOCs) contribuam com quase dois terços do aumento da produção venezuelana projetado até 2028. A Chevron continua sendo a maior contribuinte, seguida pela Repsol, Eni, Maha Energy e Maurel & Prom.

Segundo a consultoria, espera-se que a maior parte desse crescimento venha da expansão da produção em joint ventures existentes, refletindo investimentos renovados após mudanças regulatórias e alívio de sanções, em vez de novos projetos.

A Chevron continua a ocupar uma posição particularmente estratégica, diz a Rystad. Ajustes recentes em seu portfólio fortaleceram sua exposição à Faixa Petrolífera do Orinoco, enquanto o crescimento futuro da produção deverá depender da otimização de campos maduros, perfuração de poços de desenvolvimento e do desenvolvimento faseado de Ayacucho 8.

Além da Chevron, empresas como a Eni e a Repsol continuam a desempenhar um papel duplo nos setores de petróleo bruto e gás natural da Venezuela, por meio de ativos como o bloco Cardón IV e o gigantesco campo de gás Perla, diz.

Mas a Rystad observa que, a participação internacional, no entanto, continua sendo altamente seletiva. As empresas continuam a ponderar a oportunidade representada pela vasta base de recursos da Venezuela em relação à incerteza fiscal, à complexidade operacional e ao risco de investimento a longo prazo.

Execução continua sendo o principal obstáculo

A análise da Rystad afirma que, embora as reformas políticas tenham melhorado as perspectivas de investimento, elas não eliminam os gargalos operacionais que têm restringido a produção há anos.

“O crescimento sustentado da produção exigirá acesso contínuo a diluentes, maior atividade de perfuração, extensas campanhas de intervenção em poços, infraestrutura aprimorada e disponibilidade significativamente maior de plataformas de perfuração. Esses requisitos operacionais representam o elo crítico entre o potencial de recursos e a produção efetiva”, observam na análise.

A Rystad também observa que a competitividade fiscal também continua sendo uma consideração importante. Operadores internacionais indicaram que os futuros investimentos de capital dependerão de melhorias adicionais no quadro fiscal da Venezuela, particularmente em relação às taxas de royalties e à tributação.

Custos de equilíbrio mais baixos para os projetos, por meio de condições fiscais mais competitivas, poderiam melhorar significativamente a viabilidade econômica dos investimentos e incentivar uma participação mais ampla em todo o setor.

Necessidade de 93 plataformas de perfuração

Segundo a Rystad, talvez o maior desafio para a recuperação da Venezuela esteja além das próprias empresas de exploração e produção. O Ministério do Petróleo da Venezuela identificou a necessidade de 93 plataformas de perfuração ativas até 2028, um aumento significativo em relação aos níveis de atividade atuais.

Atingir essa meta exigiria uma expansão gradual, envolvendo a reativação de plataformas nacionais, a reforma de equipamentos ociosos e, eventualmente, a importação de plataformas adicionais de mercados internacionais.

Para a Rystad, isso cria oportunidades substanciais para empresas de perfuração e prestadoras de serviços petrolíferos, mas também destaca a dimensão do desafio de execução. As empresas devem equilibrar os custos de mobilização de equipamentos, os requisitos de duração do contrato e o risco do país antes de investir capital.

“Empreiteiras locais começaram a reativar as frotas existentes, enquanto os provedores de serviços internacionais permanecem mais cautelosos, aguardando evidências mais concretas de que as recentes reformas políticas se traduzirão em um ambiente operacional estável e comercialmente atrativo. Consequentemente, a reconstrução da capacidade operacional pode se revelar tão importante quanto a atração de investimentos na exploração e produção”, diz a Rystad.

Próxima fase depende da implementação

A Rystad considera na análise que Lei de Hidrocarbonetos de 2026 representa uma das reformas estruturais mais significativas para o setor de exploração e produção de petróleo e gás da Venezuela em décadas. Ao ampliar as oportunidades de participação privada e introduzir maior flexibilidade fiscal, a legislação criou um ambiente mais atrativo para investimentos futuros.

Segundo a consultoria, a legislação, no entanto, por si só não pode restaurar a produção. A rapidez da implementação, a estabilidade da política fiscal, a continuidade do alívio das sanções e a capacidade da indústria de reconstruir a capacidade operacional determinarão, em última análise, se a Venezuela conseguirá traduzir a ambição em crescimento sustentado da produção.

“Para investidores e operadores, a oportunidade é considerável. Mas a revitalização do setor de exploração e produção do país dependerá menos do tamanho de sua base de recursos do que de sua capacidade de executar consistentemente suas estratégias de perfuração, infraestrutura, serviços e políticas de investimento. Essa lacuna na execução, e não a geologia, provavelmente definirá a trajetória de produção da Venezuela no restante da década”, afirmam no texto.

Os autores da análise da Rystad Energy sobre a revitalização do setor de exploração e produção de petróleo e gás na Venezuela são Vadranam Sai Krishna, analista de pesquisa de petróleo e gás; Sana Behl, analista de pesquisa da cadeia de suprimentos; Radhika Bansal, vice-presidente sênior de pesquisa de petróleo e gás; e Matthew Hale, vice-presidente sênior de pesquisa da cadeia de suprimentos.

Fonte: Brasil Energia

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