14/07/2026
Os leilões de reserva de capacidade para sistemas de armazenamento em baterias previstos para dezembro devem melhorar a qualidade de crédito das geradoras renováveis brasileiras, na avaliação da Fitch Ratings.
A agência, no entanto, afirma que os projetos só começarão a produzir efeitos sobre os fluxos de caixa a partir de agosto de 2028 e que o curtailment continuará pressionando o desempenho financeiro das empresas até pelo menos 2030, quando é esperada a entrada em operação da linha de transmissão Graça Aranha.
Segundo a Fitch, os certames criam as condições comerciais para o desenvolvimento do mercado de armazenamento no país e introduzem um mecanismo capaz de absorver parte dos excedentes de geração no Sistema Interligado Nacional (SIN), reduzindo os cortes de geração provocados pelo excesso de oferta de energia.
Apesar disso, a agência ressalta que o armazenamento não elimina o problema estrutural do curtailment. Na sua avaliação, a principal solução de longo prazo continua sendo a ampliação da capacidade de transmissão entre o Nordeste e o Sudeste, prevista com a entrada em operação da linha Graça Aranha, atualmente esperada para 2030.
Nos últimos 12 meses, os impactos dos cortes de geração já levaram a Fitch a rebaixar os ratings de oito empresas do setor elétrico. Outras 12 classificações permanecem com perspectiva ou observação negativa em razão dos efeitos dos cortes de geração sobre os fluxos de caixa de projetos eólicos e solares.
Entre elas, está a Auren Energia que teve a perspectiva revisada de estável para negativa pela agência de classificação de riscos, que apontou o aumento dos impactos do curtailment e das condições hidrológicas desfavoráveis como os principais fatores de pressão sobre a geração de caixa e a desalavancagem da companhia.
Receita previsível favorece investimentos
A análise destaca que os contratos de reserva de capacidade previstos para os leilões oferecem maior previsibilidade de receitas ao remunerar a disponibilidade dos sistemas de armazenamento por um período de 15 anos, com atualização anual pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
Na visão da Fitch, esse modelo reduz a volatilidade do fluxo de caixa dos projetos e facilita a estruturação de financiamentos de longo prazo. A agência também considera que a disponibilidade de linhas de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), especialmente para os projetos com conteúdo nacional, tende a reforçar a atratividade dos investimentos.
Os documentos preliminares dos leilões estabelecem que os sistemas deverão ter potência mínima de 30 MW, eficiência global de pelo menos 85%, quatro horas contínuas de descarga por ciclo e possibilidade de até dois ciclos completos por dia. Segundo a Fitch, essas características tornam mais previsível a operação dos ativos e reduzem a incerteza sobre a degradação das baterias ao longo da vida útil dos projetos.
Leilões marcados para dezembro
O Ministério de Minas e Energia (MME) prevê dois leilões de reserva de capacidade para armazenamento em baterias.
O primeiro, marcado para 2 de dezembro, será destinado exclusivamente a sistemas com conteúdo nacional certificado pelo BNDES. Já o segundo, em 4 de dezembro, será aberto a equipamentos e fornecedores de qualquer origem.
Os projetos deverão ser direcionados prioritariamente para subestações mais congestionadas do Nordeste e do norte de Minas Gerais, regiões onde os efeitos dos cortes têm sido mais intensos. Ainda assim, a Fitch ressalta que a efetividade da medida dependerá tanto do volume de capacidade contratado quanto da localização dos empreendimentos vencedores.
Fonte: MegaWhat




