Radisson avança na disputa com gigantes globais

10/07/2026

A estratégia de crescimento do Radisson Hotel Group no primeiro semestre de 2026 evidencia uma mudança na dinâmica da hotelaria global. Mais do que ampliar o número de quartos, as grandes redes internacionais disputam proprietários de hotéis, investem em marcas voltadas à conversão de empreendimentos independentes, fortalecem programas de fidelidade e ampliam presença em mercados de alto crescimento.

Enquanto Marriott International, Hilton, Hyatt Hotels Corporation, IHG Hotels & Resorts e Accor aceleram seus planos de expansão, a Radisson consolida atuação em regiões estratégicas, como Europa, Índia, Oriente Médio e Ásia-Pacífico. Entre janeiro e junho de 2026, o grupo anunciou 160 contratos assinados e hotéis inaugurados, somando mais de 22 mil apartamentos, aponta o portal eTurboNews.

O desempenho reflete a demanda de investidores e proprietários por marcas internacionais, principalmente em mercados onde o turismo doméstico cresce, a infraestrutura turística avança e hotéis independentes buscam acesso a plataformas globais de distribuição e programas de fidelidade.

A expansão envolveu Europa, Oriente Médio, África e Ásia-Pacífico, contemplando hotéis de luxo, empreendimentos lifestyle, resorts, residências com serviços, projetos de uso misto e conversões. Entre os destaques estão o contrato do Radisson Collection Hotel Frankfurt, novas unidades da bandeira Radisson RED e o avanço do Radisson Individuals, coleção criada para facilitar a integração de hotéis independentes à rede.

Na Índia, um dos mercados prioritários da companhia, foram assinados e inaugurados 22 hotéis no primeiro semestre. Atualmente, o grupo opera 142 empreendimentos, com mais de 15,5 mil quartos em 86 cidades, além de manter um pipeline próximo de 100 hotéis. A estratégia India Vision 2030 prevê alcançar 500 unidades até o fim da década.

Disputa

Embora os números posicionem a Radisson entre os grupos internacionais mais ativos em suas regiões prioritárias, comparações diretas com concorrentes exigem cautela. A empresa divulga conjuntamente contratos assinados e inaugurações, enquanto redes de capital aberto costumam apresentar separadamente novos contratos, hotéis inaugurados e crescimento líquido de quartos.

Ainda assim, a direção estratégica é clara: a Radisson participa da corrida global das grandes redes, mas com atuação geográfica mais concentrada e um portfólio de marcas mais direcionado.

Marriott mantém liderança em escala global

Se a Radisson aposta na especialização regional, a Marriott segue como um dos destaques em termos de escala. No primeiro trimestre de 2026, a companhia registrou seu melhor desempenho histórico em contratos de desenvolvimento. Ao fim de março, o pipeline reunia quase 618 mil quartos em 4.107 empreendimentos, crescimento superior a 5% na comparação anual. A operação ultrapassou 9.900 hotéis e cerca de 1,8 milhão de apartamentos.

Outro destaque é o peso das conversões: mais de 35% dos contratos assinados e mais de 40% das inaugurações no primeiro trimestre vieram de hotéis existentes. O modelo permite acelerar a expansão com menor necessidade de investimentos em construção, especialmente diante dos custos elevados de financiamento e obras.

Para fortalecer essa estratégia, a Marriott investe em marcas voltadas à conversão e em aquisições. A plataforma Series by Marriott oferece a grupos regionais e proprietários independentes acesso ao ecossistema Marriott Bonvoy, enquanto a aquisição da citizenM amplia a presença da companhia no segmento lifestyle, com foco em design e tecnologia.

Os resultados de 2025 ajudam a explicar esse movimento. Ao longo do ano, a Marriott assinou cerca de 1.200 contratos orgânicos, equivalentes a aproximadamente 163 mil quartos, encerrando dezembro com um pipeline próximo de 610 mil apartamentos.

A Radisson dificilmente concorrerá em escala com a Marriott ou com a força do Marriott Bonvoy. Seu diferencial está na expertise regional, em estruturas de negociação mais flexíveis e em um portfólio considerado menos complexo por proprietários. A presença consolidada na Europa, Índia e mercados selecionados da África e Ásia mantém a companhia relevante, mesmo com uma operação global menor.

Hilton amplia pipeline em segmentos estratégicos

Assim como a Marriott, a Hilton mantém uma estratégia baseada em asset light, sustentada por um dos maiores pipelines de desenvolvimento da hotelaria mundial. No primeiro trimestre, a companhia aprovou projetos que somam 26,2 mil apartamentos, elevando o pipeline para 527 mil quartos distribuídos em 3.768 hotéis, presentes em 129 países e territórios.

Quase metade desse inventário já estava em construção, enquanto mais da metade está localizada fora dos Estados Unidos. No mesmo período, a rede adicionou 16,3 mil apartamentos ao portfólio, resultando em crescimento líquido de 10,9 mil quartos e expansão anual de 6,3% no número de unidades.

A expansão da Hilton também ganhou diversidade. O portfólio de hotéis de luxo e lifestyle alcançou 1 mil empreendimentos em operação, além de cerca de 500 unidades em desenvolvimento. A expectativa da companhia é inaugurar mais de 60 hotéis lifestyle em 2026, impulsionados por marcas como Canopy, Curio Collection, Tapestry Collection e NoMad.

Outro foco estratégico é o segmento de extended stay. A Hilton iniciou a expansão da bandeira Home2 Suites para a Europa Ocidental, com um empreendimento de 215 apartamentos em Madri. O movimento acompanha o crescimento da demanda por hospedagens voltadas a viajantes corporativos, profissionais em relocação e hóspedes de longa permanência, além de atender investidores interessados em operações mais eficientes.

A Radisson responde com iniciativas como residências com serviços em Riad e a ampliação da marca Radisson Individuals Premier, buscando diversificar o portfólio. Ainda assim, a Hilton mantém vantagem competitiva pela presença consolidada no extended stay, especialmente na América do Norte.

Para a Radisson, a oportunidade está em mercados onde apartamentos com serviços, residências de marca e empreendimentos de uso misto avançam rapidamente, mas onde as grandes bandeiras norte-americanas ainda possuem presença limitada.

Hyatt aposta em hotéis premiumlifestyle e resorts

A estratégia da Hyatt difere da adotada por Marriott, Hilton e IHG. Em vez de priorizar escala, a rede concentra investimentos em hotéis de categoria superior, resorts, empreendimentos lifestyle e no segmento all inclusive. A companhia iniciou 2026 com um pipeline recorde de aproximadamente 148 mil apartamentos, volume equivalente a cerca de 40% da base atual de quartos. Em 2025, registrou crescimento líquido de 7,3% — ou 6,7% sem considerar aquisições — e projeta expansão entre 6% e 7% em 2026.

Entre os principais movimentos está a aquisição da Standard International, acompanhada da criação de uma divisão dedicada ao segmento lifestyle. A operação incorporou marcas como The Standard e Bunkhouse Hotels a um portfólio que já reunia bandeiras como Andaz, Thompson Hotels e JdV by Hyatt.

A estratégia se aproxima de iniciativas da Radisson, especialmente por meio das marcas Radisson RED e Radisson Collection, voltadas a viajantes que buscam design, identidade local e experiências personalizadas, combinadas à segurança e à distribuição de uma rede internacional.

A diferença está no foco. A Hyatt concentra uma parcela maior do crescimento no segmento de alto padrão, enquanto a Radisson mantém um portfólio mais amplo, que vai de Country Inn & Suites e Park Inn a Radisson Blu, Radisson RED e Radisson Collection.

Essa diversidade amplia oportunidades em mercados emergentes, mas também aumenta o desafio de preservar o posicionamento e a diferenciação de cada marca durante o processo de expansão.

IHG segue crescendo

Entre os grandes grupos globais, a IHG apresenta uma estratégia próxima à da Radisson. Ambas possuem forte presença na Europa, Oriente Médio, África, Índia e Grande China, além de apostarem em marcas voltadas à conversão de hotéis independentes.

No primeiro trimestre de 2026, a IHG inaugurou 82 hotéis e assinou contratos para 163 novos empreendimentos, ultrapassando a marca de 7 mil hotéis em operação. Ao fim de 2025, o grupo contava com aproximadamente 1,03 milhão de quartos distribuídos em 6.963 hotéis, apoiado por um pipeline de 340 mil apartamentos em 2.292 empreendimentos. Durante o ano, foram assinados 694 contratos, equivalentes a mais de 102 mil quartos, enquanto 443 unidades entraram em operação, um recorde para a companhia.

Parte desse avanço é sustentada por marcas tradicionais e novas bandeiras incorporadas ao portfólio. A Garner foi criada para acelerar conversões no segmento econômico da IHG. Já Voco e Vignette Collection ampliam a atuação nos segmentos premium e de luxo. A aquisição da Ruby fortaleceu a presença da companhia no lifestyle europeu, enquanto a Noted Collection amplia as opções para hotéis independentes interessados em integrar uma rede global sem perder identidade.

Na Europa, a companhia inaugurou um recorde de 102 hotéis e assinou contratos para outros 117 empreendimentos em 2025. O portfólio regional supera 1.230 hotéis abertos ou em desenvolvimento, distribuídos por mais de 40 países.

Entre os acordos recentes estão quatro hotéis na Itália e três unidades da bandeira Holiday Inn Express, que somam 653 quartos em Madri, Málaga e Barcelona. O Radisson Individuals exerce papel semelhante ao de marcas como Vignette Collection e Voco, permitindo que proprietários preservem características originais dos empreendimentos enquanto acessam sistemas globais de distribuição, fidelidade e gestão comercial.

A popularização desse modelo, porém, cria um novo desafio para as redes. Atualmente, praticamente todos os grandes grupos possuem uma coleção ou soft brand, tornando essencial demonstrar que os benefícios em distribuição, fidelização e revenue management justificam os custos de afiliação.

Accor reforça posicionamento

A Accor segue como uma das principais referências na concorrência da Radisson na Europa, Oriente Médio, África e Ásia. Ao fim de março de 2026, a companhia operava 5.815 hotéis, com quase 880 mil quartos, além de um pipeline de 260 mil apartamentos distribuídos em 1.545 empreendimentos. O crescimento líquido da rede chegou a 3,8% nos 12 meses anteriores, enquanto o pipeline avançou 10,3%.

Em 2025, a Accor inaugurou 303 hotéis, adicionando mais de 51 mil quartos ao portfólio. A companhia atua desde marcas econômicas, como ibis, até bandeiras de luxo, como Fairmont, Raffles e Sofitel, passando por nomes consolidados como Novotel, Pullman e Mövenpick.

Essa abrangência gera sobreposição direta com diversas marcas da Radisson. Novotel, Pullman e Mövenpick disputam espaço em segmentos atendidos por Radisson e Radisson Blu, enquanto MGallery concorre com Radisson Collection e Radisson Individuals. A força da Accor em lazer e resorts também encontra paralelo na estratégia da Radisson para ampliar presença nesse segmento.

O portfólio global de resorts da Radisson já supera 160 propriedades, enquanto o pipeline da Radisson Collection inclui projetos em destinos como Lago de Como, Paris, Casablanca e Riad. Ainda assim, a Accor mantém vantagem em alcance nos segmentos econômico e de luxo. A Radisson adota uma estratégia mais seletiva, fortalecendo sua posição no segmento upper upscale europeu e utilizando marcas lifestyle, collections e resorts para avançar em destinos onde uma operação tradicional da Radisson Blu pode não ser a melhor alternativa.

Best Western mantém foco em proprietários independentes

A BWH Hotels, controladora das marcas Best Western, WorldHotels e SureStay, ocupa uma posição diferenciada na hotelaria internacional pelo modelo de associação voltado aos proprietários. O portfólio reúne desde produtos econômicos até hotéis boutique e de luxo sob a bandeira WorldHotels. A companhia destaca custos de adesão competitivos e informa que 98% dos proprietários afiliados renovam sua participação na rede.

A atualização global de desenvolvimento mais recente divulgada pela empresa apontou a adição de mais de 100 hotéis no primeiro semestre de 2024. Até a elaboração deste levantamento, porém, a BWH ainda não havia publicado um balanço global equivalente para o primeiro semestre de 2026.

O principal diferencial da Best Western continua sendo a capacidade de oferecer suporte comercial a hotéis independentes sem impor padrões tão rígidos quanto os encontrados em franquias tradicionais. A Radisson busca atender a uma demanda semelhante por meio da Radisson Individuals. Desde o lançamento, em 2020, a plataforma ultrapassou 100 hotéis abertos ou em desenvolvimento, reforçando como as grandes redes passaram a disputar um segmento historicamente dominado por associações voluntárias e consórcios independentes.

Disputa global vai além da abertura de hotéis

Os resultados do primeiro semestre mostram que a competição entre as principais redes internacionais está cada vez menos ligada apenas ao crescimento do inventário e mais à capacidade de atrair proprietários, converter ativos existentes, ampliar ecossistemas de fidelidade e consolidar presença em mercados estratégicos.

A Radisson aposta em expertise regional, expansão seletiva e fortalecimento de marcas voltadas à conversão. Já Marriott, Hilton, Hyatt, IHG e Accor utilizam escala global para acelerar o crescimento. A disputa, cada vez mais, será definida pela capacidade de gerar valor aos proprietários e atender às novas demandas dos viajantes em diferentes regiões do mundo.

Fonte: Hotelier News

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