ANP está avaliando possíveis efeitos do El Niño, diz Pietro

Segundo o diretor, a agência reguladora vai ter que se debruçar sobre os possíveis efeitos do fenômeno climático no abastecimento de combustíveis neste ano
11/06/2026

A ANP vai ter que se debruçar sobre os possíveis efeitos do El Niño no abastecimento de combustíveis neste ano, disse o diretor da agência reguladora, Pietro Mendes, durante o XX Fórum IBEF-Rio Óleo, Gás e Energia 2026, realizado nesta quinta-feira (11) no Rio de Janeiro (RJ). Em sua apresentação, o diretor relembrou o cenário vivido pelas regiões Norte e Sul do país durante o El Niño de 2023-2024, que foi considerado um dos cinco mais fortes já registrados na história. 

“No Norte, tivemos a seca. Lembro que, no trecho Coari-Manaus, os navios que transportam o GLP produzido a partir do gás natural de Urucu não estavam conseguindo passar. A esfera de GLP não conseguia passar a balsa para escoar, e isso poderia levar a uma interrupção da produção de gás natural, uma vez que não tinha onde acondicionar o GLP. Além disso, ia faltar energia elétrica em Manaus, porque a termelétrica não ia poder ser abastecida com gás natural”, afirmou Mendes.

Ele também falou sobre as enchentes no Rio Grande do Sul em 2024. “Tivemos danos em refinarias, em bases de combustíveis, teve base de distribuidora que ficou debaixo d’água, e demorou muito tempo para voltar a funcionar, porque esse danos afetam os equipamentos elétricos. Estradas foram fechadas, impedindo o transporte de combustíveis. Vivenciamos uma situação caótica e, nas previsões que temos, é possível que aconteça de novo, até porque eu li recentemente que o Rio Grande do Sul não fez o dever de casa”, apontou. 

De acordo com uma nota técnica assinada em abril por diversas entidades, como o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o fenômeno tem alta probabilidade (superior a 80%) de se configurar ao longo do segundo semestre de 2026, podendo se estender até, pelo menos, o início de 2027. “Tudo isso gera uma vulnerabilidade energética, e a segurança energética precisa estar no topo da nossa prioridade”, finalizou Pietro.

Fonte: Brasil Energia

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