OTC 2026: CEO da EnerGeo Alliance analisa fase atual do Brasil

De acordo com Nikki Martin, o país está diante de uma oportunidade de avançar para uma nova e relevante fase em sua trajetória de exploração offshore
08/05/2026

O Brasil está diante de uma oportunidade de avançar para uma nova e relevante fase em sua trajetória de exploração offshore, disse a CEO da EnerGeo Alliance, Nikki Martin, em comunicado sobre o balanço da Offshore Technology Conference (OTC) 2026, que foi concluída em Houston na quinta-feira (7). No entanto, para que esse potencial seja realizado, será essencial preservar a coordenação entre indústria, governo e reguladores, segundo ela. 

“Os exemplos da Guiana e do Suriname evidenciam como políticas públicas consistentes e processos regulatórios ágeis podem contribuir para uma transição mais rápida e eficiente entre as etapas de descoberta e produção”, afirmou Martin, que participou, nesta semana, do evento internacional.

A executiva diz que o Brasil está entre os mercados de energia mais estratégicos do mundo, e há razões para otimismo quanto ao potencial de longo prazo de sua atividade offshore. Mas, para que esse potencial se traduza em desenvolvimento concreto, será fundamental garantir condições que promovam o avanço sustentável e eficiente dos projetos.

“À medida que a indústria continua a destravar valor nas bacias do pré-sal, a atenção se volta cada vez mais para a próxima fronteira exploratória: a Margem Equatorial e a Bacia de Pelotas. As semelhanças geológicas com as descobertas transformadoras realizadas na Guiana e no Suriname posicionam a Margem Equatorial como um dos alvos exploratórios mais promissores da região. Há ampla confiança técnica de que as formações geológicas são favoráveis e de que o potencial de recursos é significativo”, avaliou a CEO. 

De acordo com Martin, as discussões realizadas durante a OTC 2026 reforçam que o sucesso da exploração e do desenvolvimento futuro depende não apenas de excelência técnica, mas também de uma coordenação construtiva entre operadoras, órgãos reguladores, comunidades locais e stakeholders ambientais. “Um processo de licenciamento ambiental previsível e eficiente será determinante para conferir maior confiança aos investimentos e viabilizar um ritmo sustentável de desenvolvimento e produção”, pontuou. 

Com o objetivo de atrair investimentos para o país, a ANP também participou do evento internacional, tendo sido representada pelo diretor-geral, Artur Watt, pela diretora Symone Araújo, pela superintendente de Promoção de Licitações, Marina Abelha, e pela assessora de Diretoria, Renata Bona. 

A agência reguladora apresentou, durante a programação da OTC e em reuniões com empresas do setor, o novo ciclo de oportunidades que vem sendo estruturado pela ANP, com o objetivo de viabilizar, ainda em 2026, a realização de ao menos um ciclo em cada regime da Oferta Permanente de áreas para exploração e produção de petróleo e gás natural.

Para o próximo ciclo da Oferta Permanente de Partilha (OPP), são 23 blocos no edital, número recorde de áreas disponíveis em relação aos anteriores. E, possivelmente, haverá 45 novos blocos na Oferta Permanente de Concessão (OPC). 

A delegação da Agência participou de reuniões com empresas como Shell, ExxonMobil, Galp, Chevron, TotalEnergies e Woodside. Houve ainda encontro com a International Association of Drilling Contractors (IADC), principal associação da indústria global de perfuração de poços de petróleo e gás.

Outro destaque da delegação brasileira no evento foi o governo do Amapá, que participou da OTC 2026 por meio da Agência de Desenvolvimento Econômico do Amapá. Representando o Amapá no Brazilian Energy Breakfast, promovido pela Brazil-Texas Chamber of Commerce (Bratecc), o presidente da Agência, Wandenberg Pitaluga Filho, discorreu sobre as potencialidades econômicas, logísticas e energéticas do estado, além do planejamento voltado ao desenvolvimento da Margem Equatorial.

“Para o Amapá, o petróleo não é o objetivo final. É uma ferramenta de transformação”, disse Pitaluga, segundo comunicado divulgado pelo governo do Amapá nesta sexta-feira (8). O presidente da Agência também ressaltou que o Amapá possui localização estratégica no Norte do Brasil, com acesso ao Atlântico e proximidade com mercados internacionais, como Caribe, Suriname e Guiana Francesa.

Brazilian Energy Breakfast integrou a programação paralela da OTC 2026 e marcou os 25 anos de atuação da Bratecc no fortalecimento das relações institucionais e comerciais entre Brasil e Texas. As discussões ao longo do evento reforçaram, segundo o governo do Amapá, a crescente importância do país no cenário energético global, especialmente nas áreas offshore, inovação tecnológica, segurança energética e atração de investimentos de longo prazo.

A EPE também participou da OTC 2026 – à convite da Organização Nacional da Indústria do Petróleo (Onip), organizadora do Pavilhão Brasil, com a qual possui um acordo de cooperação – com o objetivo de divulgar seus estudos e análises sobre as sinergias entre a indústria petrolífera e o mercado de energia renovável. A agenda da EPE incluiu exposições sobre o panorama energético brasileiro e oportunidades de investimento no setor de petróleo e gás natural, com destaque para o upstream. 

Em palestra, a diretora de Estudos do Petróleo, Gás e Biocombustíveis da EPE, Heloisa Borges, destacou a importância do planejamento energético nacional – representado pelo Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) e pelo Plano Nacional de Energia (PNE) – para a redução da incerteza e promoção de um ambiente de maior confiança para investimentos, além das vantagens competitivas do Brasil no cenário internacional, tais como estabilidade geopolítica e regulatória e compromisso com a transição energética.

No Pavilhão Brasil, o foco da empresa foi apresentar as fronteiras de exploração offshore, especificamente na Margem Equatorial e na Bacia de Pelotas, ressaltando as características geográficas, recursos e investimentos estimados e aspectos regulatórios.

Outras participações da EPE incluíram a 7ª edição do Power Meeting, que reuniu líderes femininas em prol da equidade de gênero no setor energético, o 8º Encontro dos Brasileiros, promovido pela FGV Energia, e encontro para debater o Brasil no âmbito da Bratecc.

A Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Petróleo (Abpip) também esteve presente na OTC 2026. Durante o evento, o presidente Márcio Félix e o gerente executivo Lucas Mota de Lima acompanharam as discussões estratégicas e as articulações para o desenvolvimento do setor. 

De acordo com Félix, 2026 foi o ano em que as independentes brasileiras “conquistaram o mundo” com o prêmio máximo de tecnologia, ganho pela Brava Energia. A companhia recebeu o OTC Distinguished Achievement Award for Companies pelo desenvolvimento do sistema definitivo do campo de Atlanta, localizado na Bacia de Santos. “Que venham os próximos!”, disse Márcio. A Brava é uma das associadas da Abpip. 

O Pavilhão Brasil é organizado pela Onip em parceria com as seguintes entidades e empresas: PPSA, Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) RJ, Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) Senai, Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa), Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes) e Agência de Desenvolvimento Econômico do Amapá. Já os patrocinadores e apoiadores são a Domingues e Pinho Contadores (DPC), Infis Consultoria, MXM Sistemas, ANP e Transpetro.

A OTC 2026 foi realizada entre os dias 4 e 7 de maio em Houston (Texas, EUA).

Fonte: Brasil Energia

OUTROS
artigos