05/05/2026
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou a abertura de consulta pública para o desenvolvimento da Plataforma de Inovação do Setor Elétrico (Pinse), iniciativa que pretende integrar dados, projetos e resultados de pesquisa, desenvolvimento e inovação (P&D) do setor.
A proposta ficará em consulta por 45 dias, entre 6 de maio e 20 de junho de 2026.
A Pinse é tratada como um instrumento estruturante para modernizar a gestão do Programa de P&D da Aneel, que movimenta cerca de R$ 1 bilhão por ano.
A proposta busca resolver problemas históricos do setor, como a dispersão de dados e resultados de projetos; baixa padronização de informações; dificuldade de transformar dados em inteligência regulatória, e retrabalho e baixa integração entre sistemas.
A plataforma deverá funcionar como uma infraestrutura digital integrada, com uso de inteligência artificial, interoperabilidade entre bases e foco em transparência e tomada de decisão baseada em dados.
Durante a deliberação, os diretores aproveitaram o tema para ampliar o debate sobre governança da inovação no setor elétrico, com críticas à dispersão de esforços e defesa de maior coordenação entre associações, empresas e academia.
Contribuição à plataforma de inovação
O diretor-geral, Sandoval Feitosa, chamou atenção para a falta de diretrizes claras de inovação em alguns segmentos, especialmente na transmissão, e defendeu maior protagonismo das associações setoriais, como Abradee e Abrate, na organização dessa agenda.
Segundo ele, hoje há risco de sobreposição de iniciativas e perda de eficiência no uso dos recursos de P&D.
“Não há uma diretriz, por exemplo, do segmento de transmissão. Para que lado estão sendo feitos os investimentos em pesquisa?”, afirmou, complementando que pretende abrir uma agenda com as associações para discutir uma visão consolidada de prioridade de pesquisa.
A ideia, segundo ele, é que as associações apresentem à Aneel uma visão estruturada de inovação, indicando frentes prioritárias, centros de pesquisa de referência e possíveis ganhos de escala.
O edital proposto prevê a seleção de uma única empresa de energia para desenvolver, implantar e operar a plataforma, com vedação a consórcios entre grupos distintos. A justificativa é garantir maior clareza de responsabilidades, reduzir riscos de coordenação e assegurar previsibilidade na execução.
Contudo, a diretora Agnes da Costa apontou que a limitação pode reduzir a diversidade de contribuições em uma iniciativa que terá papel central na organização da inovação do setor.
“Pode ser útil ter mais empresas envolvidas que pensem juntas uma plataforma relevante não só para a Aneel, mas para todo o setor”, afirmou.
Apesar da ressalva, Agnes destacou que a consulta pública é o momento adequado para discutir o tema e colher contribuições da sociedade e dos agentes.
O relator do processo, diretor Willamy Frota, ainda defendeu a inclusão mais ativa da academia no desenho da estratégia de inovação do setor elétrico. “Inovação tem uma vinculação direta com pesquisa, ciência e transformação da sociedade. É um ambiente sistêmico, com espaço praticamente ilimitado para contribuições”, disse.
Fonte: MegaWhat

