FT: Reserva global de petróleo recua em ritmo recorde

Apesar de colapso da demanda, estoques estão próximos do menor nível em oito anos
05/05/2026

As reservas globais de petróleo despencaram em ritmo recorde em abril, enquanto o conflito no Oriente Médio pressiona a oferta e eleva o risco de uma nova disparada acentuada nos preços antes da temporada de viagens de verão.

Os estoques de petróleo bruto caíram quase 200 milhões de barris, ou 6,6 milhões de barris por dia, segundo estimativas da S&P Global Energy, mesmo com os preços mais altos provocando um colapso na demanda de cerca de 5 milhões de barris por dia, a queda mais acentuada excetuando a da pandemia de Covid-19.

“Isso é gigantesco, muito acima da faixa usual”, afirmou Jim Burkhard, chefe de pesquisa de petróleo bruto da S&P, acrescentando que, em um mês normal, os estoques globais variam entre algumas centenas de milhares e um milhão de barris. “Um acerto de contas inevitável do mercado está chegando”, disse.

No total, o mercado de petróleo já perdeu 1 bilhão de barris de petróleo bruto devido à guerra com o Irã até agora e, embora a demanda esteja caindo rapidamente, ela está sendo “superada pela perda de oferta”, acrescentou. “Preços ainda mais altos para o petróleo bruto ainda estão por vir.”

Os preços do petróleo dispararam desde o início da guerra, no fim de fevereiro, à medida que tanto o Irã quanto os EUA restringiram o tráfego pelo Estreito de Ormuz, uma via marítima crítica, e ataques danificaram infraestruturas energéticas na região.

No entanto, negociadores afirmaram que os preços provavelmente vão subir muito mais quando os estoques globais caírem abaixo de níveis críticos, com alguns prevendo que esse “ponto de ruptura” pode estar a poucas semanas de distância.

Na terça-feira, o preço do barril de Brent, referência global, fechou em queda de 4%, pouco abaixo de US$ 110 por barril, enquanto o cessar-fogo entre EUA e Irã se mantinha apesar de uma série de ataques ocorridos um dia antes.

Os dados da S&P incluem todo o petróleo armazenado por governos e empresas, bem como aquele atualmente transportado em petroleiros no mar. A queda também inclui o petróleo liberado pela Reserva Estratégica de Petróleo dos EUA em resposta à crise energética provocada pela guerra.

Embora as reservas globais totais de petróleo somem cerca de 4 bilhões de barris, afirmou Burkhard, uma grande parcela disso está comprometida com operações diárias, como manter refinarias funcionando sem interrupções e oleodutos pressurizados, limitando o volume que pode ser prontamente utilizado.

Os estoques globais de petróleo agora se aproximam do menor nível em oito anos, segundo o Goldman Sachs. O banco acrescentou que restam apenas 45 dias de oferta mundial de produtos refinados, como gasolina, diesel e querosene de aviação, destacando quedas particularmente fortes na Ásia e na África.“A velocidade da redução e das perdas de oferta em algumas regiões e produtos é preocupante”, afirmaram pesquisadores do Goldman Sachs.

No norte da Europa, os estoques de combustível de aviação caíram para o menor nível em seis anos em abril, segundo a agência de preços Argus, enquanto nos EUA os estoques de gasolina caminham para atingir seu menor nível histórico no verão, durante a principal temporada de viagens rodoviárias.

Embora os preços médios nas bombas se aproximem de US$ 4,50 por galão, os motoristas americanos ainda não reduziram significativamente o consumo, segundo o Morgan Stanley. O banco estima que 1 em 11 barris de petróleo é consumido por motoristas dos EUA e projeta que os estoques americanos podem cair abaixo de 200 milhões de barris até o fim de agosto — o equivalente a aproximadamente uma semana de demanda.

Ainda assim, os EUA ainda não sentiram o impacto total da crise, afirmou Burkhard, observando que seus estoques de petróleo bruto permanecem mais altos do que estavam nesta mesma época no ano passado. A maior parte da queda global nos estoques foi registrada na Ásia, acrescentou.

Ele disse que uma queda acentuada nos estoques dos EUA pode ser o gatilho para um alarme mais amplo. “O pior da crise ainda está por vir”, afirmou.

Fonte: Valor Econômico

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