Clima impacta decisão de 74% dos viajantes, diz Booking

23/04/2026

A Booking.com divulgou, nesta semana, os resultados do seu Relatório de Viagens e Sustentabilidade de 2026, apontando uma mudança relevante no comportamento do viajante diante dos impactos climáticos. O estudo mostra que 74% dos entrevistados já consideram o risco de eventos extremos tanto na escolha do destino quanto no período da viagem. Além disso, 31% afirmam ter cancelado viagens por esse motivo.

Os dados, divulgados pela Lodging Econometrics, indicam que o tema deixou de ser periférico no planejamento. Nos últimos 12 meses, 26% dos viajantes disseram ter enfrentado condições climáticas extremas ou desastres naturais durante suas viagens. Mais da metade (55%) relata estresse ao lidar com esses riscos, enquanto o mesmo percentual aponta que a imprevisibilidade do clima dificulta a definição da melhor época para viajar. O cenário sugere uma demanda menos concentrada nos períodos tradicionais e destinos consolidados.

Calendário e mapa de destinos

Historicamente concentrada entre junho e agosto, a alta temporada começa a perder protagonismo. Segundo o levantamento, 42% dos viajantes pretendem viajar fora desse intervalo, enquanto 25% buscam destinos com temperaturas mais amenas. A percepção de desconforto também pesa, com 55% considerando alguns destinos quentes demais para visitar na época desejada.

Esse movimento já se reflete nos dados de busca da plataforma, com crescimento global por países como Eslovênia (29%), Noruega (33%) e Finlândia (27%) durante os meses de pico de 2025, na comparação anual. Em paralelo, levantamento da Comissão Europeia de Viagens indica que setembro ganha relevância, com 22% dos europeus planejando viagens no mês — patamar próximo aos 25% registrados em julho e agosto.

A busca por alternativas também está ligada à experiência. Cerca de 68% dos viajantes dizem considerar destinos menos populares para evitar multidões, enquanto o mesmo percentual busca escapar de regiões associadas a condições climáticas extremas.

Pressão operacional e oportunidade para hotéis

Do lado da oferta, os impactos já são concretos. Entre os parceiros de hospedagem, 40% afirmam ter ajustado suas operações diante dos riscos climáticos. Além disso, 24% relatam interrupções em chegadas e partidas de hóspedes, enquanto 23% apontam desconforto dos clientes, refletido diretamente em avaliações negativas.

O contexto abre espaço para estratégias mais proativas, incluindo endereçar riscos como calor extremo, comunicar medidas adotadas e reforçar a previsibilidade da experiência. Esses fatores, segundo a Booking.com, são decisivos para manter a confiança do hóspede. Para destinos de clima mais ameno, o cenário representa uma oportunidade de reposicionamento, com apelo ligado a conforto, menor lotação e melhor relação custo-benefício.

De acordo com Matthias Schmid, vice-presidente sênior de Acomodações da Booking.com, por conta do que representam ao viajante, as férias precisam minimizar desconfortos e riscos. “É um momento de investimento emocional e financeiro relevante. Lidar com problemas, portanto, se tornou parte central da decisão de viagem. Por isso, propriedades que se antecipam a essas preocupações têm mais chances de fortalecer a confiança do hóspede e preservar a qualidade da experiência”, conclui.

Fonte: Hotelier News

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