IFI analisa impactos fiscais da guerra com Irã

Relatório de Acompanhamento Fiscal de abril indica que, mesmo sendo produtor de petróleo, Brasil deverá sofrer, em algum grau, os efeitos da crise internacional sobre outras variáveis macroeconômicas, como inflação, juros, comércio exterior e ritmo de crescimento
23/04/2026

Apesar de o Brasil ser um país produtor de petróleo e ter seu setor externo e sua situação cambial relativamente sólidos, deverá sofrer, em algum grau, os efeitos da crise internacional sobre outras variáveis macroeconômicas, como inflação, juros, comércio exterior e ritmo de crescimento. É o que indica o Relatório de Acompanhamento Fiscal de abril, da Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão vinculado ao Senado. 

Publicado no último dia 16, o RAF 111 traz exercícios feitos pela IFI para quantificar alguns impactos causados pelo conflito no Oriente Médio sobre a economia brasileira agora, em 2026, e no ano que vem.

Na carta de apresentação, os diretores da IFI, Marcus Pestana e Alexandre Andrade, lembram que a guerra dos EUA e Israel com o Irã atinge uma área expandida – Arábia Saudita, Catar, Bahrein, Iraque, Kuwait e Líbano, que afeta a economia mundial já há sete semanas. 

Segundo eles, o brusco aumento dos preços do petróleo, principal insumo ainda com capacidade de afetar a matriz energética global, as cadeias produtivas e os fluxos comerciais internacionais, lançou a economia em uma espiral de incertezas e temores. “O salto da cotação do petróleo Brent, de US$ 71 para mais de US$ 100 o barril, acendeu a luz amarela sobre a possibilidade de um ciclo marcado por múltiplas consequências, como o aguçamento da inflação em escala mundial, a retração do comércio e da economia, o comprometimento das cadeias logísticas ou mesmo uma crise energética global persistente, a depender do nível de comprometimento da estrutura produtiva petrolífera do Oriente Médio”, alertam.

O relatório da IFI destaca que o ambiente vivido nas últimas semanas foi de grande volatilidade, com as expectativas e projeções oscilando ao sabor das notícias sobre o acirramento ou arrefecimento do conflito armado e do impasse político. “O agravamento da disputa entre EUA e Irã em relação à gestão do trânsito marítimo no Estreito de Ormuz, ligação entre o Golfo Pérsico e o Oceano Índico, por onde é escoada 20% da produção mundial de petróleo, repõe um ambiente tenso a ameaçar o horizonte econômico de 2026”, afirmam os diretores.

O RAF destaca as medidas anunciadas pelo governo, como as subvenções a produtores e importadores de diesel e ao GLP, linhas de crédito para capital de giro das companhias aéreas, desoneração de PIS/Cofins sobre o biodiesel e o querosene de aviação, que representam novas despesas e renúncias fiscais. E ressalta os efeitos diretos positivos do conflito nos dividendos da Petrobras, a melhora da arrecadação com royalties e participações sobre a produção doméstica de petróleo, o aumento dos resultados da venda do óleo pela União resultante do sistema de partilha, e as próprias repercussões indiretas da aceleração da inflação sobre as receitas tributárias. De acordo com o relatório, o aumento da arrecadação afetará positivamente também estados e municípios.

A IFI também registra a preocupação do governo com a neutralidade fiscal das medidas, ao tributar a exportação de petróleo e diesel – medida suspensa liminarmente pela Justiça Federal – e decretar um aumento do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) sobre cigarros.

O Relatório de Acompanhamento Fiscal aponta, ainda, o incremento das despesas obrigatórias, em função do impacto da aceleração inflacionária no reajuste do salário-mínimo a partir de 2027, em um segundo momento. E indica que também deve afetar as despesas financeiras com juros, em razão da desaceleração do ritmo da queda esperada da SELIC.

Os diretores Pestana e Andrade reforçam que o RAF traz exercícios de simulação de impacto em um cenário extremamente volátil e imprevisível e informam que, em junho, a IFI vai atualizar os cenários macroeconômicos e fiscais de médio prazo.

Com informações da Instituição Fiscal Independente (IFI)

Fonte: Brasil Energia

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