Rystad: saída dos Emirados da Opep não é reação de curto prazo

A consultoria aponta que a estrutura de cotas estava cada vez mais em desacordo com a lógica da Adnoc para investimentos futuros, vendo que a meta de 2027 é alcançar 5 milhões de bpd e posteriormente 6 milhões de bdp
30/04/2026

A decisão dos Emirados Árabes Unidos de sair da Opep e Opep+ deve ser vista como uma atitude de longo prazo, em vez de uma resposta reativa a condições de curto prazo, de acordo com análise da Rystad Energy divulgada na quinta-feira (30). 

O país opera há anos abaixo de sua capacidade instalada, devido às cotas estabelecidas pela Opep e da redução de 2,2 milhões de bpd anunciadas em 2025. Antes da guerra, chegava a quase 3,5 milhões de bpd, podendo ter possíveis 4,8 milhões de bpd.

A Rystad aponta que a estrutura de cotas estava cada vez mais em desacordo com a lógica da Empresa Nacional de Petróleo de Abu Dhabi (Adnoc) para investimentos futuros, vendo que a meta de 2027 é alcançar 5 milhões de bpd e posteriormente 6 milhões de bdp. 

Há alguns projetos de expansão em andamento ou prestes a serem concluídos: a Expansão 2 de Upper Zakum adicionará 200 mil bpd, com início das operações previsto para 2026; Bu Hasa contribuirá com mais 90 mil bpd em 2027; e South East Bab colocará 130 mil bpd em operação em 2028, entre outros.

Qual pode ser o impacto para a reserva de capacidade da Opep+

Para a vice-presidente de Mercados de Commodities – Petróleo da consultoria, Priya Walia, saindo do cenário de cotas, a Opep “remodela as expectativas futuras e enfraquece o controle da Opep+ sobre a capacidade ociosa, bem como a suposição de que a oferta futura será gerida por meio de restrição coordenada”.

O mercado se preocupa com o impacto da saída sobre a capacidade do grupo de responder a interrupções no fornecimento. Com os Emirados Árabes na Opep+, a capacidade ociosa era de aproximadamente 5,98 bilhões de bpd (fevereiro de 2026). O país respondia por 1,54 milhão de bpd, cerca de 25% de toda a reserva.

Sua saída da estrutura demonstra que a Opep+ perde o controle direto sobre essa capacidade e os membros restantes ficam com capacidade reduzida para responder coletivamente aos choques de oferta atuais e futuros. 

No entanto, não significa que os Emirados Árabes Unidos aumentarão imediatamente a produção, já que as condições atuais da infraestrutura não permitem. Mas, à medida que as condições se normalizarem, esses barris retornarão em termos comerciais, e não em termos controlados.

Precificação nesse cenário

Segundo a Rystad, o ambiente de preços que emerge dessa mudança é definido por forças concorrentes. De um lado, os prêmios de risco geopolítico continuam altos enquanto ainda existirem conflitos perto do Estreito de Ormuz e a produção regional continuar prejudicada, mesmo em um cenário otimista que a produção dos Emirados voltará a 3,5 milhões de bpd até o final do ano.

Do outro, a perspectiva de uma gestão de oferta menos coordenada, tanto pela atuação independente dos Emirados Árabes Unidos quanto pelo sinal que isso envia a outros produtores que reavaliam sua participação, introduz uma força decrescente concorrente, à medida que o mercado vislumbra a recuperação.

A transição que está acontecendo é da estabilidade de preços orientada por políticas para competição orientada por capacidade. No curto prazo, os preços continuam altos pelo tamanho do conflito; no médio prazo, assim que as tensões se dissipam, a falta de uma estrutura de coordenação sugere que a fase de recuperação será rápida e mais desordenada do lado da oferta, com oscilações de preços mais amplas e preços mínimos menos previsíveis.

Fonte: Brasil Energia

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