Sondagem do Ibef-SP com executivos de finanças mostra as preocupações com a reforma tributária
18/05/2026
Apesar de a maioria dos executivos financeiros considerar que a reforma tributária já está integrada ao planejamento financeiro e estratégico de suas organizações, segundo sondagem feita pelo Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças de São Paulo (Ibef-SP), os resultados indicam que a reforma está “na sala, mas não na mesa”, com propostas efetivas ainda “em maturação”. Há grande atenção (86%) dos executivos com a preservação das margens de lucro. “A preocupação com as margens não foi surpresa, porque se você errar agora, mata o negócio lá na frente. Eles querem reprecificar as margens da reforma de forma correta”, diz Sérgio Diniz, coordenador do programa de certificação do Ibef.
Segundo Tatiana Migiyama, líder da Comissão de Estudos Técnicos de Tributos do Ibef-SP, com a regulamentação do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) – os novos tributos do modelo dual em substituição aos atuais ICMS, ISS, PIS e Cofins -, muda toda a lógica econômica da arrecadação no país e “toda a precificação” praticada pelas companhias.
“As empresas de serviços não terão muitos créditos para neutralizar o IBS e a CBS. Os executivos estão preocupados com aumento da carga tributária e não ter perda de margem”, diz ela. “A preocupação é como manter as margens.” O varejo, por essa mesma lógica, terá menores oportunidades para compensar os créditos. Isso pode gerar aumentos de despesas tributárias. “Eles terão que negociar com os fornecedores”, aponta ela.
Na indústria, complementa Tatiana, como as operações são entre empresas e não com consumidores finais, as companhias terão um aproveitamento “maior” de créditos fiscais ao longo da cadeia produtiva. “Podem, inclusive, ter um ganho de eficiência tributária.”
No caso das concessionárias de serviços públicos, há um dispositivo na lei complementar que regulamentou a reforma que prevê que as companhias podem fazer uma “repactuação” caso venham a ter aumento de carga tributária. “Eles podem fazer essa repactuação e reequilibrar as margens”, afirma ela.
A sondagem feita pelo instituto mostra que 60% dos executivos financeiros dizem que a reforma já está integrada ao planejamento financeiro e estratégico de suas organizações, enquanto 39% A sondagem feita pelo instituto mostra que 60% dos executivos financeiros dizem que a reforma já está integrada ao planejamento financeiro e estratégico de suas organizações, enquanto 39% reconhecem que o tema ainda está concentrado na área tributária das companhias, em estágio parcial de integração. Nenhum executivo considerou o tema como meramente regulatório.
As perguntas tiveram volumes diferentes de respondentes. Dessa forma, as porcentagens não podem ser diretamente comparadas. Ainda assim, os resultados, de forma geral, indicam que a reforma está “na sala, mas não na mesa”, com propostas efetivas ainda “em maturação”, segundo o instituto.
A primeira pergunta da sondagem, sobre a integração da reforma, teve 66 respondentes, e “reflete uma transformação cultural relevante no ambiente corporativo brasileiro”, segundo o Ibef-SP. Diniz destaca que os entrevistados fazem parte de uma amostra selecionada, e, no país como um todo, o nível de preparação provavelmente seria menor.
Segundo a análise do Ibef, os impactos sobre os preços e margens são permanentes, enquanto o caixa pode ser gerenciado “com instrumentos de tesouraria”. Além disso, estes impactos são assimétricos por setor.
A reforma foi instituída pela Emenda Constitucional nº 132/2023, dando início à uma profunda reestruturação do sistema tributário. Para o Ibef, a reforma representa uma ruptura com décadas de fragmentação fiscal. Há um período de transição determinado pela reforma, que se estende de 2026 até o fim de 2032.
A terceira questão submetida aos executivos, que teve 33 respostas, mostra que 54% consideram que a preparação de suas organizações está “em fase de mapeamento em andamento”, enquanto 33% já têm um plano estruturado. Para 12%, no entanto, a preparação está em avaliação inicial.
Segundo Diniz, apenas uma pequena porcentagem das empresas tem “capacidade de planejamento” para as mudanças.
A última pergunta, respondida por 50 executivos, expõe, segundo o instituto, “a tensão mais relevante” do levantamento: enquanto 54% afirmam que a reforma está sendo considerada, mas sem decisões relevantes tomadas em sua função, apenas 30% afirmam já terem decidido questões estratégicas concretas em função do tema.
Os 16% restantes dizem que a reforma não foi incorporada ao processo decisório. Segundo a análise do Ibef, estas empresas podem estar se apoiando em “uma falsa percepção de imunidade setorial”, que pode amplificar esse atraso.
Fonte: Valor Econômico




