Preços futuros de energia sobem com avanço do El Niño

Chuvas acima da média no Sul pressionam contratos de curto prazo para baixo, enquanto riscos climáticos elevam as cotações para o fim de 2026 e o início de 2027
12/0/82026

Os preços da energia já refletem as incertezas provocadas pelo avanço do El Niño. Enquanto os contratos de curto prazo registraram forte queda, os vencimentos para o fim de 2026 e o início de 2027 subiram diante da expectativa de intensificação do fenômeno climático.

Segundo análise da plataforma de negociação de energia BBCE (Balcão Brasileiro de Comercialização de Energia), as chuvas na região Sul atingiram o dobro da média prevista para o período, pressionando para baixo as cotações dos contratos com entrega nos próximos meses.

O contrato para setembro recuou 9,45%, passando de R$ 188,86/MWh no fim de julho para R$ 171,01/MWh na primeira semana de agosto. Em outubro, a queda foi de 6,42%, de R$ 252,77/MWh para R$ 236,64/MWh. Para agosto, o preço diminuiu 4,62%, de R$ 138,32/MWh para R$ 131,93/MWh.

Em contrapartida, a perspectiva de fortalecimento do El Niño aumentou a cautela dos agentes em relação ao médio prazo. O contrato para dezembro de 2026 avançou 2,26%, de R$ 293,61/MWh para R$ 300,25/MWh. Já o produto referente ao primeiro trimestre de 2027 liderou as altas da semana, com valorização de 2,68%, de R$ 299,08/MWh para R$ 307,09/MWh. Os números consideram os contratos negociados entre os dias 3 e 7 de agosto.

Esse comportamento evidencia uma torção da curva de preços: os contratos mais próximos recuam, enquanto os produtos com vencimentos mais distantes avançam. O movimento mostra que as condições hidrológicas favoráveis no curto prazo convivem com uma percepção maior de risco para os meses seguintes.

“Continuamos a ver um processo de torção de curva na BBCE. A queda nos preços para este e os próximos três meses é explicada diretamente pelo regime de chuvas do Sul, bem acima da média histórica”, explica Eduardo Rossetti, diretor de Produtos e Relações Institucionais da BBCE.

“Por outro lado, a elevação dos preços para o fim do ano e o início de 2027 reflete o aumento das incertezas em relação aos possíveis efeitos de um El Niño forte, cuja previsão se concretiza a cada dia”, acrescenta. Segundo a Climatempo, o El Niño deve atingir seu ápice entre outubro e dezembro deste ano.

Os efeitos do fenômeno variam entre as regiões do país. Enquanto o Sul tende a registrar chuvas mais volumosas e tempestades, áreas do Norte e do Nordeste podem enfrentar estiagem, temperaturas elevadas e aumento do risco de queimadas.

O CMSE (Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico) informou que decidiu reforçar as ações preventivas para garantir a segurança do abastecimento diante da possibilidade de intensificação do El Niño. Segundo o colegiado, há 70% de probabilidade de o fenômeno ganhar força no segundo semestre.

Entre as medidas anunciadas está a redução das defluências das hidrelétricas. A estratégia consiste em liberar menos água dos reservatórios, preservando os níveis de armazenamento e ampliando a segurança hídrica do Sistema Interligado Nacional nos próximos meses.

Caso o El Niño reduza as afluências às hidrelétricas nas principais bacias do país, o sistema poderá depender mais de fontes com custos variáveis mais elevados. Ao mesmo tempo, temperaturas mais altas tendem a ampliar o consumo de eletricidade, principalmente pelo uso de equipamentos de refrigeração.

Esse cenário ajuda a explicar a valorização dos contratos futuros e a busca dos agentes por proteção contra uma eventual alta dos preços no mercado de curto prazo.

Fonte: Canal Solar

OUTROS
artigos