17/06/2026
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) seguirá três critérios para definir a margem de escoamento de projetos de baterias para os leilões de reserva de capacidade na forma de potência (LRCaps) de dezembro.
O objetivo é garantir que os sistemas de armazenamento possam ser carregados e descarregados diariamente sem restrições de transmissão, evitando que os equipamentos absorvam as sobras de energia durante o dia, mas não consigam escoar à noite, o que inviabiliza sua utilização no dia seguinte.
Assim, as baterias não devem estar localizadas em regiões de alta carga, pois poderão ter restrições para carregamento. Os equipamentos deverão ter capacidade de carga, ou seja, de serem carregados, durante o horário de potência crítica e maior disponibilidade de energia, que costuma ser entre 11h e 15h.
Para a descarga, as baterias também deverão estar em região com disponibilidade de escoamento e carga, para que possam injetar a energia acumulada diariamente. Todos os requisitos deverão ser observados tanto em cenários críticos, quanto em cenários críticos, quanto em cenários normais.
“Se essa bateria for colocada num lugar que só escoa no cenário crítico, corre o risco dessa bateria dormir carregada e ela não conseguir absorver o curtailment no dia seguinte”, explicou o diretor de Planejamento do ONS, Alexandre Zucarato, durante o Encontro Nacional de Agentes do Setor Elétrico (Enase), nesta quarta-feira, 17 de junho, no Rio de Janeiro.
“É um conjunto de três camadas de margem de escoamento, vale a menor delas. E a gente garante que essa bateria vai estar numa localização, que o ONS vai conseguir usar essa bateria, tanto no cenário crítico, quanto, eventualmente, deslocamento de uma térmica fora do cenário crítico no atendimento da ponta e carregar essa bateria no momento adequado, que é no momento de sobras energéticas”, complementou.
De acordo com a Portaria MME nº 136/2026, que estabelece as diretrizes para o leilão, o ONS deverá publicar a nota técnica sobre a capacidade de escoamento até o dia 30 de setembro.
Às indicações do ONS, somam-se as bonificações da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), que irá indicar as regiões do Sistema Interligado Nacional (SIN) com menor robustez elétrica e, portanto, maior potencial de benefício sistêmico com a instalação das baterias. Os empreendimentos com bonificação terão vantagem de 10% sobre os demais na fórmula de disponibilidade de potência ofertada.
ONS deve preservar reservatórios como precaução a El Niño
Zucarato também informou que o ONS já se prepara para executar, se necessário, um plano de resposta aos efeitos do El Niño. No momento, o operador busca avaliar se o fenômeno climático, que causa seca no Norte do país e mais chivas no Sul, terá influência sobre as bacias que abastecem as hidrelétricas estruturantes do Norte, como Jirau, Santo Antônio e Belo Monte.
“Isso não é possível ver ainda”, disse. Mesmo assim, o ONS já trabalha com um “playbook” para resguardar outros reservatórios estratégicos, como Itaipu, para atendimento de potência. “O objetivo agora é segurar o sul cheio”, explicou. “Manter esses ativos o mais cheio possível até o início da transição do período chuvoso. Então, o objetivo é segurar esses ativos até meados de setembro, para que, se o período chuvoso atrasar, a gente tenha uma reserva de potência nas usinas estratégicas”, explicou Zucarato.
Fonte: MegaWhat




