MME consolida PDE 2035 com R$ 3,5 tri em investimentos

02/07/2026

O Ministério de Minas e Energia (MME) aprovou o Plano Decenal de Expansão de Energia 2035 (PDE 2035), consolidando em portaria publicada nesta quinta-feira, 2 de julho, o estudo elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

O documento reúne as projeções para a evolução da oferta e da demanda de energia no país ao longo da próxima década e servirá de referência para decisões de investimento, formulação de políticas públicas e planejamento dos diferentes segmentos do setor energético.

A aprovação conclui o ciclo de elaboração do PDE, que teve início no fim de 2024 e foi acompanhado pela publicação de 15 cadernos temáticos ao longo dos últimos meses.

O ciclo de elaboração do PDE 2035 incluiu a consulta pública nº 214/2026, realizada entre 12 de fevereiro e 30 de março deste ano. Segundo o MME, foram recebidas 846 contribuições de 62 instituições representativas do setor.

Expansão da matriz exigirá R$ 3,5 trilhões

O principal cenário traçado pelo PDE prevê investimentos de aproximadamente R$ 3,5 trilhões até 2035 para expandir a infraestrutura energética brasileira.

Como mostrou a MegaWhat na divulgação dos cadernos do plano, o país deverá ampliar sua capacidade instalada de geração elétrica dos atuais 255 GW para cerca de 367 GW até 2035, uma expansão próxima de 110 GW. O crescimento será liderado por fontes renováveis, especialmente solar e eólica, além do avanço da geração distribuída.

Na avaliação do governo, esses investimentos deverão atender ao crescimento da demanda, ampliar a infraestrutura energética e reforçar a competitividade do país durante a transição para uma economia de baixo carbono.

Consumo e renováveis

O PDE projeta crescimento médio anual de 1,8% no consumo final de energia até 2035, impulsionado pela expansão econômica e pelo aumento da demanda dos setores de transportes, indústria, comércio, serviços e residencial.

Para atender esse avanço, a oferta interna de energia deverá crescer 2,3% ao ano.

Mesmo assim, a matriz brasileira deverá manter uma das maiores participações de fontes renováveis do mundo. O plano estima que elas representarão 51% da oferta interna de energia em 2035. Na geração elétrica, a participação permanecerá acima de 85%, mantendo o país entre os sistemas elétricos mais limpos do mundo.

Segundo o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, o PDE reafirma o compromisso do país com um planejamento energético “sólido, transparente e alinhado aos desafios da transição para uma economia de baixo carbono”.

Gás natural ganha espaço para flexibilidade

Entre os estudos publicados durante a elaboração do PDE, esteve a expectativa de aumento da demanda por gás natural para geração termelétrica.

A EPE projeta que a demanda máxima de gás para despacho de usinas térmicas deverá crescer 115,4% até 2034, passando de cerca de 65 milhões para 140 milhões de metros cúbicos por dia.

A projeção reflete o papel crescente das térmicas como fonte de flexibilidade para complementar uma matriz elétrica cada vez mais dependente da geração renovável variável, especialmente solar e eólica.

Eletrificação e biomassa ampliam participação

O PDE também projeta aceleração da eletrificação dos transportes. Segundo a EPE, a frota de veículos eletrificados deverá consumir 7,8 TWh de eletricidade em 2035, volume mais de doze vezes superior ao previsto para 2025, refletindo o avanço esperado da adoção desses veículos no país.

No segmento de bioenergia, o plano também aponta crescimento da geração a partir da biomassa, que poderá alcançar 5,9 GW médios até 2035. A expansão está associada principalmente ao aumento da oferta de resíduos agrícolas e ao fortalecimento da bioeletricidade como complemento da matriz renovável.

Baterias ainda enfrentam desafio econômico

Outro tema aprofundado pelo PDE foi o armazenamento de energia. Embora reconheça o papel estratégico das baterias para aumentar a flexibilidade do sistema elétrico e apoiar a expansão das fontes renováveis, a EPE concluiu que, nas condições atuais de custos e tarifas, o armazenamento atrás do medidor ainda apresenta viabilidade financeira limitada para a maior parte dos consumidores até 2035.

O estudo ressalta que essa realidade pode mudar com a redução dos preços da tecnologia, novas estruturas tarifárias e mecanismos de remuneração pelos serviços prestados ao sistema.

Fonte: MegaWhat

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