05/03/2026
A Compass avalia que a volatilidade recente nos preços globais do gás natural e a realização do leilão de reserva de capacidade (LRCap) podem ampliar oportunidades comerciais no mercado brasileiro de gás. A companhia pretende atuar como fornecedora de combustível para projetos termelétricos participantes do certame, previsto para este mês.
Segundo o CEO da companhia, Antonio Simões, a empresa já se posiciona como potencial supridora de gás para alguns projetos e vê competitividade em função da localização e da flexibilidade de sua infraestrutura.
“Estamos nos posicionando como supridor para alguns projetos e acreditamos que temos competitividade, especialmente pela nossa localização e pela flexibilidade do terminal”, disse durante teleconferência de resultados realizada nesta quinta-feira, 5.
Mesmo sem participação direta em projetos vencedores, o executivo avalia que o próprio leilão tende a dinamizar o mercado de gás.
“Só o fato de ter o leilão e eventuais despachos ao longo dos próximos anos já tende a aumentar a liquidez do mercado de gás”, afirmou.
Volatilidade internacional pode favorecer otimização
A companhia também acompanha de perto os movimentos recentes no mercado internacional de gás, marcados por interrupções de oferta e forte volatilidade de preços.
De acordo com Simões, esse tipo de deslocamento tende a abrir oportunidades comerciais para empresas com portfólio diversificado de suprimento e clientes.
“Esses deslocamentos de preço tendem a gerar oportunidades. Eles nunca acontecem da mesma forma globalmente e acabam criando espaço para otimização”, afirmou.
O executivo ponderou, contudo, que ainda é cedo para avaliar os impactos mais estruturais sobre as curvas de preços e decisões de suprimento de médio prazo.
Margens seguem “saudáveis” para a Compass
Apesar da pressão recente nas margens do negócio de comercialização de gás, a companhia afirma que o nível de rentabilidade permanece adequado e sustentável.
Segundo o CEO da Compass, o modelo de negócios da empresa está baseado na operação de uma plataforma integrada de suprimento e comercialização, o que amplia a capacidade de captura de oportunidades.
“Temos uma plataforma e um portfólio que nos dão muitas opções de otimização. À medida que aumentamos a base de clientes, surgem mais oportunidades de otimização sem posições descobertas”, disse.
De acordo com o executivo, a companhia não busca crescimento de participação de mercado à custa de redução de margens.
“Não temos um alvo de market share que exija compressão de margem para crescer. O negócio é muito novo e consideramos as margens saudáveis”.
Expansão do mercado livre de gás
O CFO da companhia, Marcos Fernandes, destacou que a estratégia da empresa tem sido ampliar a presença no mercado livre de gás natural por meio da plataforma de comercialização.
A operação começou há cerca de dois anos, inicialmente voltada ao atendimento de distribuidoras e posteriormente direcionada à abertura do mercado livre.
“A tese era não apenas atender distribuidoras, mas também liderar o destravamento do mercado livre, dando competitividade e flexibilidade aos clientes. Isso se realizou”, afirmou.
No início da operação, a empresa contava com apenas cinco clientes livres. Ao longo de 2024, porém, o número cresceu rapidamente com a migração de indústrias para contratos fora do mercado cativo.
Segundo Fernandes, a companhia estabelece uma margem mínima ao estruturar novos contratos.
“Quando olhamos um determinado cliente, garantimos uma margem mínima para dar sustentabilidade ao negócio e competitividade ao cliente que está migrando para o mercado livre”.
Fonte: MegaWhat



