IEA: guerra provoca corte na projeção da demanda em 2026

Relatório mensal da agência prevê queda de 80 mil bpd. Também aponta retração de 1,5 milhão de bpd no 2T26
14/04/2026

A demanda por petróleo deverá ter queda de 80 mil bpd em 2026. A guerra no Irã, que ocasionou o fechamento do Estreito de Ormuz, esvaziamento da oferta de hidrocarbonetos, bem como ataques às instalações energéticas da região, provocaram a estimativa, segundo o relatório do mercado de petróleo mensal da International Energy Agency (IEA), divulgado na terça-feira (14).

O valor é 730 mil bpd a menos que a estimativa anterior. A previsão também é de queda de 1,5 milhão de bpd no segundo trimestre de 2026. Neste caso, a perda de demanda foi mais sentida no Oriente Médio e na Ásia-Pacífico, e poderá ser maior e em mais regiões à medida que a escassez e preços altos continuem.

A oferta, que também foi afetada pelos mesmos motivos, foi para 97 milhões em março, menor em 10,1 milhões de bpd. A produção da Opep+ foi para 42,4 milhões de bpd em março (retração mensal de 9,4 milhões de bpd) e a oferta dos países fora da Opep+ foi 54,7 milhões de bpd (770 mil bpd a menos). A menor produção do Catar foi compensada pelo aumento do Brasil e dos EUA. 

Os fluxos alterados provocaram mudanças nas refinarias e nos estoques. Em abril, o Oriente Médio e as refinarias com restrições de matérias-primas na Ásia reduziram suas operações em cerca de 6 milhões de bpd, para 77,2 milhões de bpd. A perspectiva é que o processamento de petróleo bruto atinja 82,9 milhões de bpd em 2026, queda de 1 milhão de bpd.        

Já os estoques globais tiveram baixa de 85 milhões de barris em março, com os estoques fora do Oriente Médio reduzindo cerca de 206 milhões de barris. Na Ásia, os estoques diminuíram 31 milhões de barris, e esperam-se mais quedas em abril.

Ao mesmo tempo, com saídas limitadas após o fechamento efetivo do Estreito, o armazenamento flutuante de petróleo e derivados no Oriente Médio aumentou 100 milhões de barris e os estoques de petróleo terrestre na região subiram 20 milhões de barris. A China adicionou 40 milhões de barris de petróleo. 

De acordo com a IEA, a solução mais viável para aliviar a pressão sobre a oferta, preços e a economia global é a retomada dos fluxos por Ormuz. A previsão da agência internacional é que essa volta poderá ocorrer até o meio do ano, apesar de que não retornará aos níveis anteriores.

Fonte: Brasil Energia

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