11/05/2026
A renovação antecipada das concessões de distribuição da Energisa em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraíba e Sergipe abriu uma nova fase de investimentos para adaptar as redes elétricas a desafios bastante distintos entre as áreas de concessão. Enquanto o Centro-Oeste exige expansão da infraestrutura para acompanhar o avanço do agronegócio e da agroindústria, o Nordeste demanda reforço de capacidade diante do crescimento da carga urbana e imobiliária.
Com os novos contratos assinados, a companhia prevê investir R$ 18,2 bilhões nos próximos cinco anos nas quatro distribuidoras, volume próximo aos R$ 19 bilhões aplicados ao longo da última década. Segundo a empresa, a renovação traz previsibilidade para acelerar investimentos em expansão, digitalização e reforço da capacidade da rede.
“O setor elétrico é investimento intensivo e com retorno longo. O fato de a gente ter essa dúvida sobre a renovação das concessões acabava trazendo incertezas sobre o planejamento”, afirmou o vice-presidente de Redes da Energisa, Gioreli de Sousa Filho, em entrevista à MegaWhat.
Segundo o executivo, o novo ciclo das concessões coincide com uma transformação estrutural no setor de distribuição, impulsionada pelo avanço da geração solar distribuída, eletrificação da economia, veículos elétricos e futuras cargas como data centers.
“A distribuidora deixou de operar apenas a própria rede. Ela passa a operar o sistema como um todo”, disse.
Agro exige expansão territorial das redes
Apesar de integrarem o mesmo pacote de renovação, as quatro distribuidoras exigem estratégias bastante diferentes. Enquanto Mato Grosso e Mato Grosso do Sul demandam expansão territorial da rede para acompanhar o avanço do agronegócio, Paraíba e Sergipe exigem reforço de capacidade em áreas urbanas e de maior concentração de carga.
No Mato Grosso, que sozinho deve concentrar cerca de metade dos R$ 18,2 bilhões previstos pela companhia, o principal desafio está no crescimento acelerado da atividade agroindustrial em regiões extensas e pouco adensadas.
“O Mato Grosso tem mais de 900 mil quilômetros quadrados e uma taxa de crescimento muito grande em áreas bastante extensas. Você precisa investir em extensão da rede e também em ampliação da capacidade do sistema”, afirmou Gioreli.
Segundo ele, a lógica operacional nessas regiões é diferente da observada em áreas urbanas mais densas. As distribuidoras precisam construir longos trechos de rede para atender cargas pulverizadas e cada vez mais distantes, ao mesmo tempo em que reforçam a infraestrutura para garantir potência e qualidade do fornecimento.
Além da expansão territorial, o avanço do agronegócio também exige aumento da capacidade elétrica para atender irrigação, armazenagem, processamento e novas cargas industriais ligadas à cadeia agrícola.
Nordeste: reforço de capacidade da Energisa
Já na Paraíba e em Sergipe, o perfil é diferente. O crescimento econômico vem menos da expansão territorial e mais da concentração de carga em áreas urbanas e litorâneas, impulsionada pela construção civil, turismo e novos projetos econômicos.
Na Paraíba, por exemplo, a Energisa vê um crescimento acelerado da demanda residencial e hoteleira, especialmente na região de João Pessoa. “É assustador, no sentido positivo, o crescimento dessa área residencial. Tanto unidades habitacionais quanto hotelaria”, afirmou o executivo.
Segundo Gioreli, o desafio nessas concessões é o de ampliar rapidamente a capacidade do sistema para suportar a concentração de novas cargas. A companhia prevê, por exemplo, a construção de três novas subestações em João Pessoa nos próximos anos.
Em Sergipe, além do crescimento urbano, a Energisa também monitora os impactos esperados dos projetos ligados à exploração de gás natural em águas profundas pela Petrobras, que podem elevar a demanda por energia no estado.
Digitalização e clima extremo
A renovação das concessões também deve acelerar projetos de digitalização e automação das redes. Entre eles está a implantação do ADMS, sistema avançado de gestão da distribuição que permitirá monitoramento em tempo real, rearranjos automáticos da rede e maior controle do fluxo de potência e da qualidade da energia.
A companhia também ampliou o uso de inteligência artificial em inspeções e manutenção preditiva, com drones e algoritmos capazes de identificar anomalias em equipamentos e gerar ordens de serviço automaticamente.
Segundo a Energisa, as mudanças também respondem ao aumento da pressão sobre as distribuidoras diante da maior frequência de eventos climáticos extremos e das novas exigências previstas nos contratos renovados, que estabelecem metas mais rígidas para recomposição do fornecimento em situações de emergência.
“A gente entende que o novo normal é esse”, disse Gioreli, ao comentar o aumento da frequência de eventos climáticos severos desde 2023.
Fonte: MegaWhat




