CMSE prevê térmicas e Itaipu como reforço para potência em cenários de maior demanda

02/07/2026

O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) avaliou que as condições de operação do sistema elétrico melhoraram no início do período seco, com recuperação dos reservatórios após chuvas em bacias relevantes para o Sistema Interligado Nacional (SIN), especialmente no Sul.

Apesar do quadro mais favorável para o atendimento eletroenergético em 2026, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) informou que, em cenários de maior demanda e condições climáticas adversas, poderá ser necessário acionar térmicas de forma complementar, além de otimizar a operação das hidrelétricas do rio São Francisco e usar de forma estratégica o reservatório de Itaipu.

A avaliação foi apresentada nesta quarta-feira, 1º de julho, durante reunião ordinária do CMSE. Segundo o Ministério de Minas e Energia (MME), o comitê destacou a melhora das condições hidrometeorológicas em junho, com avanço mais relevante na região Sul, o que ajudou a recompor o armazenamento dos reservatórios da região, depois de meses de condições menos favoráveis.

De acordo com os dados apresentados pelo ONS ao comitê, os reservatórios do sistema chegaram ao fim de junho em cerca de 71% de capacidade armazenada. O subsistema Sudeste/Centro-Oeste encerrou o mês com 66%, o Sul com 63%, o Nordeste com 89% e o Norte com 95%.

As chuvas de junho ficaram acima da média mensal na área incremental a Itaipu e nas bacias dos rios Iguaçu, Tietê, Paraíba do Sul, Grande e Paranaíba, além do trecho a montante da UHE Três Marias, no São Francisco. Ainda assim, o MME ressaltou que, no Sudeste, a média histórica de chuva já é baixa nesta época do ano. Nas demais bacias analisadas, os totais de precipitação ficaram abaixo da média.

Em termos de Energia Natural Afluente (ENA), junho ainda fechou abaixo da média histórica em todos os subsistemas. O Sudeste/Centro-Oeste registrou 93% da Média de Longo Termo (MLT), o Sul ficou em 82%, o Nordeste em 59% e o Norte em 58%. No SIN, a ENA foi de 82% da MLT.

Para julho, o CMSE trabalha com cenários de ENA entre 74% e 102% da média historica no SIN. No cenário inferior, esse patamar representaria o quarto menor valor em 96 anos para o mês. A projeção de armazenamento ao fim de julho varia de 66,1% a 69,7% no SIN, conforme o cenário considerado.

A reunião também registrou a probabilidade elevada de ocorrência de El Niño no segundo semestre de 2026, com predominância de projeções de intensidade forte ou muito forte. O tema foi apresentado pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), convidado pelo CMSE.

No curto prazo, a previsão meteorológica indica chuvas abaixo da média nas bacias do Iguaçu e Jacuí na primeira semana de julho. Para a segunda semana, a expectativa é de chuvas acima da média em parte da bacia do Paraná e condições normais nas demais bacias. Na segunda quinzena, a previsão aponta chuvas acima da média em parte das bacias do Paraná, Iguaçu e Alto Uruguai.

No intercâmbio internacional, não houve exportação de energia de hidrelétricas em maio e junho, segundo dados preliminares. A exportação termelétrica somou 754 MW médios em maio e 1.169,5 MW médios em junho, principalmente para a Argentina. Não houve importação comercial no período.

Fonte: MegaWhat

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