Brasil lidera mercado de data centers, mas pressão no sistema elétrico ameaça expansão

04/08/2026

O Brasil concentra cerca de 49% da capacidade instalada de data centers da América Latina e desponta como principal mercado da região para sustentar o crescimento da inteligência artificial (IA). No entanto, a expansão do segmento dependerá menos da demanda e cada vez mais da capacidade do setor elétrico de fornecer energia firme, ampliar a transmissão e superar gargalos regulatórios e de financiamento, segundo relatório da Moody’s Ratings.

De acordo com a agência de classificação de risco, o Brasil lidera a capacidade instalada de data centers na América Latina, à frente de México (27%) e Chile (9%). A América Latina possui cerca de 2.340 MW de capacidade instalada, com crescimento anual estimado entre 15% e 20%, impulsionado pela demanda de hyperscalers e pela migração corporativa para a computação em nuvem.

Com a alta anual e a tendência de crescimento, o relatório alerta que os novos campi de IA exigem cargas elétricas equivalentes às de grandes consumidores industriais, aumentando a pressão sobre sistemas de transmissão que não foram projetados para atender concentrações elevadas de demanda. 

Apesar da abundância de fontes renováveis, especialmente hidrelétrica, eólica e solar no Brasil e no Chile, a região enfrenta limitações relacionadas às filas de conexão, à capacidade de transmissão, ao corte de geração em áreas com elevada geração renovável e aos longos processos de licenciamento para novos empreendimentos.

Transmissão será fator decisivo

A agência destaca que as empresas de energia precisarão ampliar os investimentos em geração, transmissão e distribuição para atender ao aumento da demanda elétrica provocado pelos data centers e pelas aplicações de inteligência artificial. Além dos desafios financeiros, companhias do setor terão que equilibrar a expansão da infraestrutura com a manutenção da disciplina financeira e dos compromissos com investidores.

No caso brasileiro, a Moody’s cita que, nos últimos dois anos e meio, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e o Ministério de Minas e Energia (MME) licitaram mais de R$ 60 bilhões em projetos de transmissão.

O relatório também menciona que o Plano Decenal de Expansão de Energia prevê aproximadamente R$ 3,5 trilhões em investimentos no setor elétrico até 2035 para ampliar a geração, expandir a transmissão, aumentar a participação das fontes renováveis e incorporar sistemas de armazenamento em baterias, criando as condições necessárias para atender ao crescimento da demanda de eletricidade, incluindo a proveniente da inteligência artificial.

Além da infraestrutura elétrica, a Moody’s avalia que a clareza regulatória e o acesso a financiamento serão fatores determinantes para a expansão da IA, ampliando a diferença de competitividade entre países, setores e empresas e favorecendo mercados com maior capacidade de investimento. 

Empresas brasileiras

Os grandes bancos brasileiros estão entre as instituições financeiras mais bem posicionadas da América Latina para capturar os ganhos da inteligência artificial (IA), graças ao volume de dados proprietários, à escala de operações e aos investimentos já realizados em tecnologia.

Na avaliação da Moody’s, instituições como Itaú Unibanco e Bradesco reúnem vantagens estruturais por combinarem capacidade de investimento a extensas bases de dados de clientes e transações, utilizando a inteligência artificial para ampliar a personalização de serviços, elevar a eficiência operacional e monetizar seus ecossistemas digitais.

Segundo o relatório, embora a IA possa reduzir parte das barreiras de entrada ao permitir que instituições menores utilizem fontes alternativas de dados, os grandes bancos brasileiros mantêm uma vantagem competitiva sustentada pelos investimentos em ecossistemas de pagamentos, que geram fluxo contínuo de informações para concessão de crédito, oferta de produtos e retenção de clientes.

A Moody’s também destaca plataformas brasileiras como Cielo, controlada por Banco do Brasil e Bradesco, além da Rede e da carteira digital iti, ambas do Itaú Unibanco. De acordo com a agência, esses ecossistemas fortalecem a posição competitiva das instituições ao concentrar dados de pagamentos, comportamento dos consumidores e transações comerciais, ativos considerados estratégicos para ampliar o uso da inteligência artificial.

Além do setor financeiro, a Moody’s cita a Axia Energia entre as empresas do setor elétrico que precisarão equilibrar investimentos para expansão da infraestrutura com a manutenção da disciplina financeira, diante do aumento da demanda por energia provocado pela expansão da inteligência artificial e dos data centers na América Latina.

Fonte: MegaWhat

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