O dificultador, segundo interlocutores próximos à petroquímica, será a drenagem no caixa da empresa, que se estima chegar a menos de US$ 1 bilhão em junho
13/04/2026
A Petrobras está resistindo a um processo de reestruturação da dívida da Braskem antes da entrada da gestora IG4 no capital da companhia, no lugar da Novonor, apurou o Valor.
O dificultador, segundo interlocutores próximos à petroquímica, será a drenagem no caixa da empresa, que se estima chegar a menos de US$ 1 bilhão em junho — o ciclo de baixa da indústria, globalmente, e gastos com o afundamento do solo em bairros de Maceió, um problema da Braskem, levaram a uma queima de caixa de R$ 5,87 bilhões somente em 2025.
Além de ter a IG4 formalmente na companhia, a Petrobras quer, antes de qualquer processo de reestruturação, um novo acordo de acionistas e uma nova administração na empresa, disseram fontes. A dívida total da Braskem chegou a US$ 9,43 bilhões (cerca de R$ 49 bilhões, ao câmbio atual) em dezembro, sem considerar os passivos da subsidiária mexicana Braskem Idesa.
O novo acordo, que estabelece as regras de governança sob o controle das sócias Petrobras e IG4, já está pronto e será assinado assim que todas as autoridades antitruste derem seu aval à operação, culminando na redução da participação da antiga Odebrecht para apenas 4% do capital preferencial da Braskem.
Hoje, a Novonor detém 50,1% das ações ON (com direito a voto) e 38,3% do capital total. A Petrobras, por sua vez, tem 47% das ONs e 36,1% do total.
Um interlocutor frisou, contudo, que a administração da petroquímica possui dever fiduciário em relação à saúde financeira da companhia. Por isso, não descarta que antes da transferência do controle seja decidido que Braskem entrará na Justiça com pedido de cautelar para proteção contra cobrança de credores ou, eventualmente, até mesmo um pedido de recuperação extrajudicial ou judicial.
Outra fonte disse que, na atual situação, a empresa não terá recursos para arcar com o serviço de sua dívida externa, os bonds, e vai precisar de um “standstill”, que se trata de um acordo para atrasar o pagamento de vencimentos. A companhia terá de pagar cerca de US$ 100 milhões em juros em julho, o que elevará a pressão sobre sua liquidez.
De acordo com um interlocutor próximo aos credores, ainda não há acordo com a companhia nem decisão tomada sobre qual caminho a Braskem deverá seguir na Justiça, se esse for o caso.
Segunda maior acionista da petroquímica, a Petrobras também tem se posicionado contrariamente a uma medida mais radical contra os credores.
Na semana passada, a Comissão Europeia, por meio de seu órgão antitruste, aprovou a entrada da IG4 na Braskem, mas ainda falta o aval da área antidumping, que deve aprovar a transação apenas no fim deste mês.
A estimativa, com isso, é que a IG4 assuma a Braskem apenas no fim de maio, com pouco mais de um mês de prazo para decidir sobre os juros que vencem em julho.
Outra pressão, destacou uma das fontes, é a situação da subsidiária da Braskem no México, que caminha para um pedido de recuperação judicial (“Chapter 11) nos Estados Unidos. Uma medida dessa natureza poderia disparar o vencimento antecipados de dívidas de toda a companhia, incluindo a holding brasileira.
Em resposta a questionamento da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na semana passada, a Braskem lembrou que a Braskem Idesa também contratou assessores para reestruturar sua dívida, ainda sem decisão sobre qual caminho será tomado.
“A adoção de eventuais medidas pela Braskem Idesa poderá ter impactos para a companhia e no controle acionário da Braskem Idesa”, informou.
Conforme o Valor informou em novembro, o empresário Carlos Slim pode assumir o controle do complexo petroquímico mexicano, com forte diluição da Braskem, hoje detentora de 75% da Braskem Idesa.
Além da participação de 25% via Idesa na companhia, Slim detém, por meio de outros negócios, cerca de 60% dos bonds emitidos pela Braskem Idesa.
Procurada, a Braskem não teceu novos comentários e remeteu a comunicado emitido em 2 de abril, em que reiterava que contratou assessores em setembro para auxiliá-la na formulação de “um plano abrangente de reestruturação” de dívidas e nas tratativas com credores.
“No curso dos trabalhos relativos a tal diagnóstico, a companhia e seus assessores consideram diferentes alternativas, incluindo eventuais medidas de proteção contra credores. Não obstante, esclarecemos que nesta data [2 de abril] não há qualquer decisão acerca da alternativa (ou conjunto de alternativas) a ser (em) implementadas”, informou.
A Petrobras não se manifestou até o momento.
Fonte: Valor Econômico


