Petrobras terá eleição disputada para o conselho

Se história de AGOs anteriores se repetir, União não deve eleger todos os indicados
14/04/2026

A Petrobras terá mais uma eleição disputada para o conselho de administração nesta quinta-feira (16). Em análise prévia dos indicados, atuais conselheiros da empresa se opuseram a novos nomes que surgiram para a Assembleia Geral Ordinária (AGO), tanto os que vieram da União quanto os apontados por minoritários. A posição dos conselheiros não é determinante para a eleição, que será decidida pelos acionistas na AGO.

Os integrantes do colegiado se manifestaram com base em relatórios do Comitê de Pessoas, Elegibilidade, Sucessão e Remuneração da Petrobras (Cope/Celeg). Esses relatórios têm caráter de recomendação e não são impeditivos para a eleição.

Na assembleia, a União, na condição de controladora da Petrobras, indicou oito nomes, sendo quatro deles reconduções. Os candidatos à reeleição são: Magda Chambriard, presidente da Petrobras; Renato Galuppo, José Fernando Coura e Marcelo Weick Pogliese. Os novos nomes na disputa, também indicados pela União, são: Guilherme Mello, apontado ainda com apontado ainda como candidato a presidente do colegiado, Benjamin Alves Rabello, Fabio Bittes Terra e Ricardo Baldin.

Haverá mais candidatos que vagas e, a repetir-se a história das últimas assembleias, dois nomes da União devem ficar pelo caminho. Os eleitos vão ter mandato até a AGO de 2028. Haverá ainda eleição para o conselho fiscal.

Nos minoritários, também é esperada disputa. Três postulantes devem concorrer pelo chamado voto múltiplo contra os nomes da União. São eles: José João (Juca) Abdalla, Marcelo Gasparino e Mauro Cunha. Nessa modalidade, acionistas com mais de 5% do capital podem pedir adoção do mecanismo, que beneficia minoritários uma vez que permite concentrar votos em nomes.

Haverá ainda eleição em separado do controlador. Nesta categoria, pelas ações preferenciais, os candidatos são Jerônimo Antunes, Rachel Maia e Thales Kroth. Pelas ordinárias, disputam a vaga Francisco Petros e Márcio Girão.

Rosangela Buzanelli, reeleita como representante dos empregados da Petrobras no colegiado, votou contra a indicação de três candidatos, um da União, Benjamin Rabello, e dois dos minoritários, Marcelo Gasparino e Rachel Maia. Buzanelli não detalhou as razões para os votos. Maia e Gasparino não quiseram comentar.

Gasparino também teve voto contrário de Jerônimo Antunes. O conselheiro Juca Abdalla, por sua vez, votou contra o candidato Mauro Cunha. Em outra manifestação, Renato Galuppo, atual integrante do conselho, se absteve sobre a independência de Francisco Petros.

O colegiado da Petrobras é formado por 11 conselheiros, dos quais, no mandato atual, seis foram eleitos pela União, quatro por minoritários e um pelos representantes dos empregados.

A tendência é que se repita a formação atual e que a União fique com seis representantes, os minoritários ocupem duas vagas pelo voto múltiplo e mais dois conselheiros, eleitos por outros acionistas, ocupem as cadeiras na eleição em separado do controlador.

A avaliação do comitê de pessoas da Petrobras, que serviu de base para as manifestações dos conselheiros contra candidatos, não veda a participação dos indicados na assembleia. No caso de Thales Kroth, o relatório aponta que o candidato não apresenta documentos hábeis para comprovar experiência profissional necessária para atuar no cargo. Procurado, Kroth disse que o parecer possui natureza opinativa e não vinculante e que “a escolha dos administradores pertence exclusivamente aos acionistas”.

No caso de Benjamin Rabello, o Cope/Celeg recomenda que uma eventual posse seja condicionada ao desligamento de um parente de primeiro grau com cargo de dirigente partidário.

No caso de Márcio Girão, o comitê afirma que o candidato deve se desvincular da Confederação Nacional da Tecnologia e Comunicação (Contic) antes da posse, caso eleito. O comitê recomenda ainda que os conselheiros evitem situações de conflito de interesse e, aos que atuam como advogados, que não estejam em casos em que tenham como partes a Petrobras fornecedores da empresa ou clientes.

A assembleia também deve aprovar o exercício de 2025 e o orçamento proposto para 2026. Na proposta de orçamento para 2026, a companhia indica R$ 114 bilhões, sendo R$ 83,6 bilhões para o segmento de exploração e produção; R$ 19,9 bilhões para refino, transporte e comercialização; R$ 7,5 bilhões para gás e energias de baixo carbono; e R$ 3 bilhões para corporativo. Na destinação de lucros de 2025, o conselho de administração propõe, além dos R$ 41,2 bilhões em dividendos, a destinação de R$ 68,9 bilhões para reserva de retenção de lucros. A companhia tem ainda uma reserva de incentivos fiscais de R$ 815,5 milhões.

Fonte: Valor Econômico

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