08/04/2026
Fora os efeitos causados ao marketing no turismo, a IA (Inteligência Artificial) começa a redesenhar a lógica também da publicidade digital. Com a redução do alcance de formatos tradicionais, marcas se veem cada vez mais pressionadas a rever estratégias e investir com mais afinco em mídia comercial para retomar o controle sobre dados e conversão.
Segundo informações da Phocuswire, esse modelo permite monetizar o próprio tráfego ao oferecer aos anunciantes acesso a dados primários e a campanhas mais direcionadas. As OTAs lideraram esse movimento, conectando destinos e marcas a consumidores com alta intenção de compra dentro de seus próprios ecossistemas.
Nesse formato, órgãos de turismo, por exemplo, utilizam redes de mídia dessas plataformas para promover destinos e estimular reservas em mercados específicos. Isso resulta, segundo executivos do setor, em uma operação mais eficiente, com melhores margens e maior ROI (retorno sobre investimento). Agora, o avanço da IA amplia esse potencial.
A expectativa é que companhias aéreas, redes hoteleiras e parques temáticos acelerem a adoção ainda em 2026, levando a mídia comercial a um novo estágio de maturidade.
Mudança no comportamento digital
A transformação está diretamente ligada à forma como o consumidor pesquisa e decide. Ferramentas baseadas em IA e respostas sem clique reduzem a navegação tradicional, diminuindo a exposição a anúncios, inclusive no Google, ao longo da jornada.
Em vez de visitar múltiplos sites, o viajante concentra a busca em interfaces únicas, o que encurta o caminho até a decisão. Esse cenário limita estratégias baseadas em remarketing e publicidade programática em larga escala.
Segundo dados da McKinsey, a projeção é de que redes de mídia comercial cresçam 21% anualmente entre 2023 e 2027. O ritmo é superior ao de canais como display, TV conectada e busca.
Com apoio da IA, marcas conseguem ajustar oferta, preço e timing de forma mais precisa. É o chamado “funil colapsado”, no qual descoberta, decisão e compra acontecem em poucos minutos.
Escala
A Uber se consolidou como um dos principais exemplos de mídia comercial aplicada ao turismo. Em outubro de 2024, a empresa reportou receita anual de US$ 1 bilhão com publicidade. Em fevereiro de 2026, o número chegou a US$ 2 bilhões.
O Expedia Group segue trajetória semelhante. A receita com publicidade em seus mais de 200 sites saltou de US$ 145 milhões no primeiro trimestre de 2024 para US$ 208 milhões no quarto trimestre de 2025.
Fidelidade como diferencial
No turismo, programas de fidelidade surgem como uma vantagem competitiva relevante nesse novo cenário. A profundidade dos dados e o vínculo emocional com as marcas ampliam as possibilidades de uso da mídia comercial.
Especificamente na hotelaria, a Marriott International, após iniciar a operação oficialmente em 2022, lançou a Marriott Media somente em 2025. O braço de mídia da rede foi estruturado a partir da base de 237 milhões de membros do Marriott Bonvoy e um portfólio com 9,5 mil propriedades.
Desafios
Apesar do avanço, o setor ainda enfrenta entraves. A fragmentação de inventário é um dos principais pontos de atenção. Relatório da Forrester Consulting, encomendado pela Koddi, aponta que 45% dos executivos ouvidos relatam dificuldades com dados desconectados entre diferentes canais. Entre eles, estão ambientes locais, aplicativos e plataformas em trânsito.
Apesar disso limitar a otimização de campanhas, o potencial de crescimento ainda é considerado significativo.
Fonte: Hotelier News


