08/04/2026
O mercado de viagens corporativas no Brasil iniciou 2026 em expansão, com faturamento de R$ 12 bilhões em janeiro. O dado integra o LVC (Levantamento de Viagens Corporativas), elaborado pela FecomercioSP (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo) em parceria com a Alagev (Associação Latino-Americana de Gestão de Eventos e Viagens Corporativas). O volume representa alta de 5,2% na comparação com o mesmo mês de 2025 e estabelece um novo recorde histórico para o período, com a hotelaria entre os destaques.
Tradicionalmente mais fraco devido à menor realização de feiras, congressos e eventos, janeiro surpreendeu em 2026 ao apresentar desempenho acima do esperado. O resultado reforça a resiliência da demanda corporativa no país, sustentada pelo avanço da atividade econômica, que segue estimulando deslocamentos profissionais e compromissos empresariais em diferentes regiões.
Para Luana Nogueira, diretora-executiva da Alagev, o desempenho no início do ano evidencia a relevância estratégica do segmento para as empresas. “O início deste ano mostrou que as viagens corporativas continuam sendo estratégicas para as empresas, mesmo em um período com um volume menor de eventos. Há uma demanda reprimida que vem sendo retomada de forma consistente, impulsionada pela necessidade de encontros presenciais, relacionamento e geração de negócios”, afirma.
Indicadores do transporte aéreo reforçam esse cenário. De acordo com a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), janeiro contabilizou 9,4 milhões de passageiros transportados — crescimento de 9,1% em relação ao mesmo período do ano anterior e o maior volume da série histórica. O resultado reflete tanto o aquecimento do turismo de lazer quanto a força das viagens a negócios.
Na hotelaria, os dados também apontam avanço. Segundo o FOHB (Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil), a taxa média de ocupação alcançou 55,26% em janeiro, alta de 2,1% na comparação anual. A diária média, por sua vez, cresceu 8,3%, indicando pressão de demanda. Em contrapartida, as passagens aéreas registraram queda de cerca de 10% no período, evidenciando comportamentos distintos entre os setores. Enquanto a hotelaria conta com maior flexibilidade de negociação — especialmente nos grandes centros —, o mercado aéreo segue mais concentrado, apesar da existência de acordos corporativos.
Cenário externo entra no radar do setor
Apesar do início positivo, o levantamento aponta possíveis desafios para os próximos meses. O ambiente internacional, especialmente a escalada de tensões envolvendo o Irã, pode impactar o setor. A valorização do petróleo, que superou a marca de US$ 100 por barril, tende a pressionar custos — principalmente o querosene de aviação —, com reflexos diretos nas viagens corporativas.
“Esse cenário externo acende um sinal de atenção, especialmente pelo potencial impacto nos custos logísticos e nas decisões de viagem das empresas. Ainda assim, o histórico recente mostra a capacidade do setor de absorver oscilações e manter sua trajetória de crescimento”, avalia Luana.
Para fevereiro, a expectativa permanece positiva, mesmo com a influência do Carnaval no calendário corporativo. A partir de março, porém, o setor deve enfrentar uma base de comparação mais elevada, em razão do forte desempenho registrado entre março e maio de 2025.
Ainda assim, o segmento segue em trajetória consistente. Em 2025, o volume total movimentado foi de R$ 147,8 bilhões, avanço de 6,3% em relação a 2024. Sem sinais claros de desaceleração no curto prazo, as viagens corporativas se consolidam como um dos principais termômetros da atividade econômica no Brasil.
Fonte: Hotelier News


