País europeu respondeu em março pelo maior volume importado pelo Brasil pelo segundo mês seguido, mas especialistas alertam que cenário pode mudar devido a ataques ucranianos à infraestrutura russa
08/04/2026
A Rússia foi o principal fornecedor de diesel para o Brasil em março, pelo segundo mês consecutivo, conforme dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (Mdic). Mesmo com o início da guerra no Oriente Médio, em 28 de fevereiro, deixando os mercados de petróleo e derivados mais concorridos, o país europeu sustentou a posição.
O Brasil importou 789,6 mil metros cúbicos de diesel da Rússia em março, segundo o levantamento divulgado nesta terça-feira (7). O volume foi menor do que o importado em fevereiro, quando o Brasil comprou 821,9 mil metros cúbicos de diesel russo.
No total de março, o Brasil importou 1,05 milhão de metros cúbicos de diesel. O segundo maior fornecedor do mês foi a Arábia Saudita, com 125,7 mil metros cúbicos. O volume total de importação de diesel em março caiu 25% em relação ao mês anterior. Com isso, a participação russa subiu: a fatia do país europeu passou de 58,6% em fevereiro para 74,8% em março. Por outro lado, as compras do produto americano perderam importância, de 8,93% em fevereiro para 0,95% em março.
Segundo Bruno Cordeiro, especialista em inteligência de mercado da StoneX, o conflito no Oriente Médio tem aumentado a concorrência internacional pelos produtos, o que pode impactar no volume de importação durante esse período, além de elevar os custos: “O cenário de preços mais altos acaba refletindo também em um redirecionamento de cargas, principalmente do mercado americano. Nas últimas semanas houve um volume recorde de exportação pelos Estados Unidos, mas vimos um recuo da entrada no Brasil. Grande parte desse produto americano tem ido para a Ásia.”
Os Estados Unidos ocupam a quarta posição entre os maiores fornecedores de diesel para o Brasil em março, com 10,04 mil metros cúbicos, atrás da líder Rússia, da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos. Em fevereiro, os americanos venderam 116,8 mil metros cúbicos de diesel ao Brasil. Outro destaque em março foi o sumiço do diesel de Omã, que em fevereiro vendeu 164 mil metros cúbicos ao Brasil.
A Ásia vem pagando preços altos para receber petróleo e derivados, segundo Cordeiro, pela alta dependência de produtos vindos do golfo Pérsico. “Os países asiáticos acabam encontrando nos Estados Unidos a parte perdida do Oriente Médio”, disse. O especialista destaca também a participação de fornecimento ao Brasil dos Emirados Árabes e da Arábia Saudita, que conseguiram fazer entregas apesar dos impactos da suspensão de fluxos no estreito de Ormuz.
Se por um lado analistas apontam que o cenário da guerra favorece as vendas russas, por outro há ainda a dificuldade do país europeu com o conflito com a Ucrânia, que afetou a infraestrutura de energia nas últimas semanas.
Segundo a agência Reuters, ataques ucranianos causaram danos à infraestrutura portuária russa, o que prejudica o escoamento de óleo e derivados. Fontes ouvidas pela agência indicam que a Rússia teria perdido um quinto da capacidade de exportação devido aos ataques ucranianos. Para Cordeiro, da StoneX, como a situação russa se agravou no fim de março é possível que os impactos sejam percebidos no Brasil em abril.
Fonte: Valor Econômico


