07/04/2026
Conforme a aplicação de IA (inteligência artificial) avança no turismo, as limitações estruturais e operacionais das empresas do setor também são reveladas. Embora o discurso sobre decisões orientadas por dados tenha se consolidado nos últimos anos, a tecnologia começa a expor o quanto dessas escolhas ainda dependem de intuição. As informações são do Phocuswire.
Mais do que automatizar tarefas, a IA passa a atuar como um elemento de análise mais profundo, capaz de identificar inconsistências, revisar premissas e ampliar a leitura operacional dos negócios. Ainda assim, um levantamento do Phocuswright mostra que a adesão segue desigual, com 32% das empresas de viagens ainda não utilizando agentes de IA.
Entre companhias que atuam com viagens mais longas, como operadoras e cruzeiros, o cenário é de experimentação. Enquanto executivos acompanham demonstrações de soluções avançadas, equipes operacionais ainda lidam com processos manuais, como montagem de roteiros, controle de inventário e comunicação com fornecedores.
Esse descompasso evidencia que a adoção da IA tende a ocorrer em etapas, com diferentes níveis de maturidade. Veja quais são:
Primeira fase: ganhos iniciais
O ponto de partida costuma ser o uso de ferramentas de IA como apoio às rotinas. Nesse estágio, a tecnologia funciona como assistente digital em tarefas como elaboração de e-mails, criação de descrições de produtos e atendimento automatizado ao cliente.
Os ganhos de produtividade são perceptíveis e ajudam a criar familiaridade com o uso da tecnologia. Empresas também passam a identificar padrões de demanda e comportamento do consumidor a partir de dados já disponíveis.
Apesar disso, o impacto ainda é limitado. A adoção não altera a estrutura operacional, o que impede ganhos em escala. Na prática, trata-se de uma evolução incremental, que gera eficiência, mas não transforma o modelo de negócio.
Segunda fase: integração
A etapa seguinte envolve a incorporação da IA aos sistemas internos, permitindo maior automação de processos. A tecnologia passa a executar tarefas dentro dos fluxos de trabalho, como envio automático de comunicações, geração de itinerários e registro de interações com clientes.
Há situações de ganho expressivo de eficiência, especialmente em atividades repetitivas e de alto volume. No entanto, é também nesse estágio que muitas iniciativas perdem fôlego.
Para esse caso, o principal entrave está na infraestrutura. Sistemas legados, comuns no setor, não foram projetados para operar com demandas em tempo real ou com o volume de interações geradas por agentes de IA. Como resultado, surgem instabilidades, riscos operacionais e dificuldades de integração.
A limitação técnica, somada à falta de expertise interna, impede que projetos avancem. Para muitas empresas, o desafio deixa de ser a tecnologia em si e passa a ser a base sobre a qual ela é aplicada.
Terceira fase: IA como suporte à decisão
Mais avançada, a terceira etapa envolve o uso da IA na tomada de decisão estratégica. Nesse modelo, a tecnologia deixa de ser apenas operacional e passa a atuar como ferramenta analítica, conectando dados de diferentes áreas, como precificação, comportamento do cliente, desempenho de fornecedores e margens.
A proposta é substituir modelos baseados em relatórios isolados por uma leitura integrada do negócio. Na prática, porém, esse estágio ainda é incipiente no setor.
Grande parte das empresas opera com sistemas de BI (Business Intelligence) fragmentados, compostos por relatórios pouco confiáveis e bases de dados desconectadas. Isso limita o potencial da IA, que depende de informações estruturadas e consistentes para gerar insights relevantes.
O que define o avanço?
O cenário indica que a evolução da IA no turismo não depende apenas da adoção de novas ferramentas, mas da revisão da arquitetura tecnológica das empresas. Sem uma base integrada, a implantação tende a reproduzir falhas já existentes, ampliando pontos cegos em vez de resolvê-los.
Por outro lado, empresas que investem na unificação de dados e modernização de sistemas criam condições para escalar o uso da tecnologia.
Nos próximos anos, a expectativa é que a competitividade no setor esteja diretamente ligada à capacidade de estruturar operações preparadas para a IA, não apenas como suporte, mas como parte central da estratégia.
Fonte: Hotelier News


