Hotelaria de SP ajusta rota e cresce em fevereiro

20/03/2026

A hotelaria paulista apresentou desempenho dentro do esperado em fevereiro de 2026. A taxa de ocupação atingiu 53,41%, com diária média de R$ 534,14 e RevPar de R$ 285,28, segundo a 68ª edição da pesquisa da ABIH-SP (Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de São Paulo). Em relação a janeiro, houve leve avanço nos indicadores: a ocupação cresceu 2,69% e o RevPar, 2,50%, enquanto a diária média registrou pequena queda de 0,18%.

Na comparação com fevereiro de 2025, o setor avançou nas tarifas, com alta próxima de 10% na diária média. Esse movimento sustentou o crescimento de 4,58% no RevPar, apesar da ocupação inferior à observada no mesmo período do ano anterior. No acumulado de 2026, a hotelaria paulista mantém desempenho estável, com taxa de ocupação de 52,71%, diária média de R$ 534,63 e RevPar de R$ 281,80, refletindo a sustentação dos níveis tarifários em patamares elevados mesmo diante de oscilações pontuais na demanda ao longo dos primeiros meses do ano.

O mês manteve o padrão sazonal típico, marcando o fim da alta demanda de lazer — impulsionada pelo Carnaval — e o início da retomada gradual das viagens corporativas. Hotéis voltados ao lazer ainda apresentaram bom desempenho, enquanto o segmento corporativo começou a reagir de forma progressiva ao longo do período, em linha com as expectativas do mercado.

Entre as MRTs (Macrorregiões Turísticas), destinos de lazer registraram desempenho consistente. Mesmo em regiões com queda na ocupação, como Litoral Norte e Circuito das Águas, a recomposição tarifária contribuiu para sustentar o RevPar. Já nas áreas de perfil corporativo — como a capital e polos do interior — os indicadores permaneceram dentro do esperado, reforçando o início da retomada da demanda de negócios.

Desempenho por perfil e categoria

A análise por segmento mostra que hotéis de lazer lideraram em ocupação, com 64,49%, além de diária média de R$ 611,45 e RevPar de R$ 394,32. Empreendimentos corporativos registraram ocupação de 50,98% e diária média de R$ 404,15, refletindo o estágio inicial de recuperação desse público. Já os hotéis híbridos apresentaram desempenho intermediário, com destaque para a diária média mais elevada, de R$ 635,78.

Por categoria, os hotéis upscale lideraram os resultados, com ocupação de 56,66%, diária média de R$ 996,46 e RevPar de R$ 564,59. Em seguida, o segmento midscale registrou ocupação de 54,41%, diária média de R$ 565,60 e RevPar de R$ 307,74.

Os empreendimentos econômicos, que representam a maior parte da amostra, alcançaram ocupação de 51,38%, diária média de R$ 365,50 e RevPar de R$ 187,77, evidenciando as diferenças de posicionamento e geração de receita entre os padrões de hotelaria.

Indicadores por categoria

Custos e mão de obra seguem no radar

A relação entre despesas e receitas apresentou leve recuo de 0,77% em fevereiro, mantendo-se estável na média recente, em torno de 65,8%. O índice de empregabilidade subiu para 0,58 funcionário por unidade habitacional, avanço de 3,57% em relação a janeiro. Ainda assim, o setor continua enfrentando desafios na contratação de mão de obra qualificada.

A ABIH-SP projeta aquecimento da demanda corporativa entre março e o início de junho, período tradicionalmente mais forte para o segmento. Com o fim da sazonalidade de lazer, novos picos devem ocorrer apenas em datas específicas, como a Semana Santa. Ainda assim, a perspectiva é positiva, sustentada pela recuperação gradual das viagens de negócios e pela manutenção das tarifas em patamares elevados.

Grandes eventos elevam expectativa

A ABIH-SP também divulgou nova sondagem sobre a expectativa de ocupação durante o Lollapalooza Brasil 2026, com comparativo em relação à edição anterior. Segundo o levantamento mais recente, realizado em fevereiro, a taxa projetada para o período do festival — entre 20 e 22 de março — avançou em relação à sondagem de janeiro. A estimativa inicial, de 60%, foi revisada para 69,21%.

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O índice supera o resultado efetivo do Lollapalooza Brasil 2025, quando a ocupação média foi de 64,54%, indicando perspectiva de desempenho superior da hotelaria paulistana em 2026.

Na MRT Capital Paulista, a segunda sondagem apontou ocupação de 70,31%, acima dos 65% registrados no ano anterior. Já na MRT Capital Expandida, a projeção permaneceu estável em 55%, repetindo o patamar de 2025.

Fonte: Hotelier News

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