Apesar da indefinição sobre o fim do conflito no Oriente Médio, navios indianos Shivalik e Nanda Devi, transportando 92.712 toneladas métricas de GLP, foram autorizados pelo Irã a passar pelo Estreito de Ormuz
17/03/2026
A guerra deflagrada pelos EUA e Israel contra o Irã atingiu nesta terça-feira (17) níveis de tensão elevados, que puxaram nova alta dos preços do petróleo, para US$ 103 o barril do tipo Brent, espalhando efeitos negativos em todos os mercados do mundo. A morte do chefe do Conselho de Segurança do Irã, Ali Larijani, em ataque de Israel, aumentou o temor de novas reações aos países aliados na região.
A grande incógnita do conflito do Oriente Médio permanece sendo os planos dos EUA e de Israel para o seu tempo de duração, com a continuidade ou não dos ataques ao Irã, a resposta iraniana com os ataques aos países aliados e os bloqueios nas exportações de petróleo gás da região.
Alvo de mais ataques de mísseis iranianos, os Emirados Árabes fecharam o espaço aéreo após novos bombardeios. A Companhia Nacional de Petróleo de Abu Dhabi (Adnoc) suspendeu o carregamento de petróleo bruto no porto de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, depois que um ataque com drone provocou um incêndio nas instalações. Sua joint venture Adnoc Sour Gas, com a Occidental Petroleum (Oxy), também no país a produção de gás em Shah.
Na sequência de declarações contraditórias do presidente dos EUA, Trump passou dizer hoje que não quer mais a ajuda dos países da OTAN para liberar o transporte de navio no Estreito de Ormuz, que pediu intensamente nos últimos dias.
“Nós não precisamos deles, mas eles deveriam ter ajudado. Estão cometendo um erro muito tolo”, disse Trump. Ele postou na sua rede social Truth Social: “nós não precisamos mais, nem desejamos, a ajuda dos países da Otan”, disse Trump.
Ao mesmo tempo que dizia que não precisava mais da ajuda, o assessor econômico da Casa Branca Kevin Hassett, declarou em entrevista à CNBC que petroleiros já começam a passar por Ormuz.
“Já se vê petroleiros começando a passar lentamente pelo estreito, e acho que isso é um sinal de quão pouco resta ao Irã”, afirmou ele, prevendo uma normalidade do abastecimento de petróleo retido pelo bloqueio do canal.
“Estamos muito otimistas de que isso terminará em breve, e haverá repercussões nos preços depois de algumas semanas, quando os navios chegarem às refinarias”, afirmou.
O executivo se referiu a dois navios indianos, Shivalik e Nanda Devi, transportando GNL 92.712 toneladas métricas de gás liquefeito de petróleo, foram autorizados pelo Irã a passar por Ormuz. A passagem teria sido permitida em troca de três petroleiros iranianos apreendidos pela Índia no mês passado, Stellar Ruby, Asphalt Star e Al Jafzia, que viajavam de forma fantasma para escapar das sanções dos EUA, a chamada frota fantasma iraniana.
Na guerra de narrativas, o Conselho de Coordenação da Propaganda Islâmica do Irã convocou a população para uma manifestação de protesto contra os ataques dos EUA e de Israel divulgou imagens nos veículos estatais de manifestantes na Praça Tajrish, em Teerã.
A convocação foi divulgada por rede social em postagem do novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, que ainda não apareceu em público depois de sua escolha para suceder o pai, Ali Khamenei.
No EUA, além das narrativas do presidente Trump, seu governo teve uma defecção inesperada nesta terça-feira, com o pedido de demissão do diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo dos Estados Unidos (EUA), Joseph Kent, que renunciou ao cargo com a alegação de não concordar com a guerra do seu país contra o Irã.
O executivo que liderava o órgão ligado ao Escritório Nacional de Inteligência dos EUA (DNI) disse que o Irã não representava uma ameaça iminente ao EUA, que na sua opinião iniciou a guerra devido à pressão de Israel.
Fonte: Brasil Energia



