Mosna sinaliza voto contrário à ‘tarifa dupla’ do fio para baterias 

03/03/2026

O diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) Fernando Mosna deve pautar a conclusão da Consulta Pública (CP) nº 39/2023, que trata da regulação para serviços de armazenamento, para a próxima terça-feira, 10 de março. O diretor sinalizou que deve manter seu entendimento contrário à “tarifa dupla” do fio para a tecnologia.

O processo da CP está suspenso desde agosto do ano passado, por pedido de vista de Mosna. Ele discordou das áreas técnicas da Aneel, que avaliaram, em notas técnicas, que as baterias devem ser cobradas como consumidoras, durante o carregamento, e como geradoras ao injetarem no sistema a energia armazenada.

Mosna sinalizou que mantém sua avaliação de que as baterias não devem ter a dupla cobrança: “O que o armazenador de energia faz é deslocar no tempo a ideia de geração e consumo em tempo real. Então, ele é um intermediário, e não deveria pagar o fio quando está carregando a bateria dele”, disse o diretor a jornalistas nesta terça-feira, 3 de março, durante o evento Aquecimento MinutoMega Talks, em Brasília.

Segundo fabricantes de baterias, o modelo para a tarifa de transmissão dos sistemas de armazenamento é um dos fatores mais decisivos sobre a competitividade da tecnologia no país. “Pode impedir ou acelerar a implementação da bateria em diversas regiões”, disse o CTO na Huawei Digital Power Brasil, ​Roberto Valer, no mesmo evento.

Baterias trazem soluções rápidas, mas tecnologia ainda precisa ser testada

Durante o Aquecimento MinutoMega Talks, agentes avaliaram que as baterias podem trazer soluções importantes para o sistema elétrico brasileiro, como redução no curtailment, deslocamento da ponta de carga e serviços ancilares. Entretanto, ainda há incertezas regulatórias sobre a tecnologia, que também precisa ser testada no país.

O diretor de Operação do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Christiano Vieira, destacou que as baterias funcionam como agente de confiabilidade no momento de “vale de carga”, ou seja, quando há muita geração e menor consumo. “A bateria funciona como carga na hora do vale, e ela funciona como geração no atendimento de ponta”, disse. Para ele, nem as térmicas nem as hídricas têm este atributo, pois precisam de um consumo em tempo real para a energia gerada.

O diretor do ONS avalia que o atributo é especialmente importante diante da impossibilidade de controle sobre a crescente geração distribuída no país. “A gente vê situação de cortar 100% da geração centralizada, recolher toda a hidroelétrica.  E aí, aumentando a MMGD, vai cortar onde? Nessa hora, o armazenamento é a carga que aparece para garantir a confiabilidade do sistema”, declarou.

Fonte: MegaWhat

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