24/02/2026
O Comitê Técnico do Programa Mensal da Operação Energética (PMO) e do cálculo do Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), coordenado pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), abriu nesta terça-feira, 24 de fevereiro, duas consultas externas para colher sugestões de aprimoramento dos modelos computacionais utilizados nos processos relacionados ao CMO e ao PLD, incluindo os mecanismos de aversão ao risco, o CVaR e o Volume Mínimo Operativo (VMinOp).
Os modelos em questão são o Newave e o Decomp, responsáveis, respectivamente, por definir a política operativa de médio e curto prazo do Sistema Interligado Nacional (SIN) e, consequentemente, influenciar a formação de preços no mercado de curto prazo. Esses modelos incorporam mecanismos de aversão ao risco com o objetivo de tornar a operação mais conservadora diante de cenários hidrológicos adversos.
O modelo de curtíssimo prazo, o Dessem, reflete os resultados dos modelos de médio e curto prazo, e o ONS e a CCEE também avaliam a compatibilidade entre os níveis de aversão adotados e os efeitos na operação detalhada.
Aversão ao risco
A consulta externa nº 001/2026 está aberta para contribuições de 24 de fevereiro de 2026 até 10 de abril de 2026, e tem como objetivo obter subsídios para a escolha dos parâmetros dos mecanismos de aversão ao risco nos modelos computacionais, o VMinOp e o CVaR.
O VMinOp é uma restrição de natureza física, que estabelece níveis mínimos de armazenamento nos reservatórios equivalentes de energia, de forma a preservar a governabilidade hidráulica e reduzir o risco de esvaziamento excessivo ao final do período seco.
Já o CVaR é um instrumento matemático que altera a função objetivo do modelo, atribuindo maior peso aos piores cenários hidrológicos simulados. Na prática, o modelo deixa de minimizar apenas o custo esperado da operação e passa a ponderar também os custos associados aos cenários mais críticos, induzindo despacho térmico antecipado e preservação de armazenamento.
No ciclo 2025/2026, o par vigente de parâmetros do CVaR é (15,40), o que significa que 15% dos piores cenários têm peso de 40% nos modelos. O grupo técnico avaliou alternativas mais e menos avessas ao risco, incluindo os pares (15,30), (15,35), (15,40), (15,45) e (15,50), em estudos prospectivos encadeados com horizonte de janeiro a dezembro de 2026.
Os estudos consideraram diferentes cenários hidrológicos, que variam tanto pela energia natural afluente (ENA) quanto pelo armazenamento inicial. A avaliação levou em conta o nível de atendimento à Curva Referencial de Armazenamento (CRef) para acompanhamento da segurança energética.
O relatório também recomenda um ligeiro ajuste nos valores do VMinOp para 2026, com redução do nível mínimo de armazenamento do Norte de 28% para 27,8% da Energia Armazenada Máxima (EARMx) e do Nordeste de 23,3% para 23,1%, alinhando os parâmetros à nova Curva Referencial de Armazenamento.
Iterações do Newave
Já a consulta externa nº 002/2026, aberta a contribuições de 24 de fevereiro de 2026 até 26 de março de 2026, tem por finalidade obter contribuições para a alteração do número mínimo de interações do modelo Newave.
O modelo resolve o problema de planejamento por meio de um processo iterativo de construção da função de custo futuro. Atualmente, o critério de parada exige pelo menos 30 iterações e estabilidade do indicador ZINF por seis rodadas consecutivas.
Estudos realizados pelo grupo técnico indicaram que pequenas alterações nos dados de entrada poderiam levar o modelo a encerrar o processo iterativo em pontos distintos, produzindo variações relevantes no Custo Marginal de Operação (CMO).
Como medida para aumentar a robustez e reduzir a sensibilidade numérica, propõe-se elevar o número mínimo de iterações de 30 para 50. Simulações com os PMOs de 2025 indicaram melhora da estabilidade do ZINF, redução consistente do custo total de operação e diferenças operativas concentradas no período seco, com impacto computacional considerado viável.
Próximos passos
Toda a documentação referente às duas consultas está disponível no site do CT PMO/PLD (www.ctpmopld.org.br), na comunidade “Consultas Externas”, nos subdiretórios correspondentes a cada Consulta Externa. Os relatórios das consultas se encontram aqui: Consulta Externa nº 001/2026 e Consulta Externa nº 002/2026.
Caso aprovadas até o fim de julho de 2026, as alterações passarão a valer a partir do PMO de janeiro de 2027, após deliberação da Comissão Deliberativa do CT PMO/PLD e decisão do CMSE no que se refere aos parâmetros de aversão ao risco.
Fonte: MegaWhat


