19/02/2026
A Accor encerrou 2025 com avanço consistente de seus principais indicadores operacionais e financeiros, sustentada pelo crescimento do RevPAR, pela expansão do portfólio e pela melhora das margens. A América Latina — especialmente o Brasil — teve participação relevante nesse resultado, com destaque para o quarto trimestre. No acumulado do ano, o RevPAR da rede francesa avançou 4,2%, o Ebitda recorrente cresceu 13,3%, totalizando € 1,2 bilhão, e a receita consolidada alcançou € 5,6 bilhões, alta de 4,5% na mesma base de comparação.
A expansão líquida foi de 3,7%, com a abertura de 303 hotéis e a incorporação de cerca de 51 mil quartos ao sistema. Ao fim de dezembro, o grupo somava 881,4 mil quartos distribuídos em 5,8 mil empreendimentos, além de um pipeline superior a 257 mil unidades (1,5 mil hotéis). O lucro por ação ajustado aumentou 16%, para € 1,84. A companhia também anunciou um programa de recompra de ações de € 450 milhões previsto para 2026.
Na região das Américas, o RevPAR cresceu 11,7% no quarto trimestre de 2025, com forte contribuição do Brasil, responsável por 64% da receita regional de hospedagem. O desempenho no país foi impulsionado por eventos e pela demanda tanto corporativa, quanto de lazer. Entre os destaques esteve a realização da COP30, em novembro, em Belém, onde a Accor opera oito hotéis, fator que elevou ocupação e diária média no período. Ao longo do ano, as unidades brasileiras também contribuíram para o avanço da divisão Hotel Assets & Other, ao lado de mercados como a Turquia.
Quarto trimestre: aceleração global
Considerando todas as regiões, o RevPAR global avançou 7,0% no quarto trimestre. A divisão Premium, Midscale & Economy registrou crescimento de 5,8%, puxado principalmente pelo aumento das tarifas. Na Europa e Norte da África, o indicador subiu 3,3%, refletindo a recuperação após uma base comparativa impactada pelos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Paris 2024 no terceiro trimestre.
França, Reino Unido e Alemanha voltaram a apresentar expansão, beneficiados por um calendário de eventos mais favorável e pela retomada da demanda. No Oriente Médio, África e Ásia-Pacífico, o RevPAR avançou 7,6%, também impulsionado por preços. Destinos como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos registraram crescimento de dois dígitos. No Sudeste Asiático, o resultado foi favorecido por eventos como o Grande Prêmio de Singapura de Fórmula 1. A China, embora ainda em retração, mostrou melhora sequencial.
Desempenho por divisão
A divisão Premium, Midscale & Economy gerou receita de € 2,853 bilhões (+2,4% a câmbio constante) e Ebitda recorrente de € 836 milhões (+8,1%), apoiada pela evolução do RevPAR (+2,7% no ano) e pelo avanço das receitas de distribuição e fidelidade.
Já a divisão Luxury & Lifestyle registrou receita de € 1,598 bilhão (+9,8%) e Ebitda recorrente de € 482 milhões (+20%). O segmento de luxo — responsável por 71% da receita da divisão — cresceu 9,4% em RevPAR no quarto trimestre, enquanto o Lifestyle avançou 9,9%, com destaque para resorts na Turquia, Egito e Emirados Árabes Unidos.
Lucro, caixa e perspectivas
O lucro líquido atribuível ao grupo somou € 449 milhões, abaixo dos € 610 milhões registrados em 2024, ano que contou com ganhos extraordinários relacionados à Essendi (ex-AccorInvest). Já o lucro líquido ajustado avançou para € 504 milhões, ante € 423 milhões no exercício anterior.
O fluxo de caixa livre recorrente atingiu € 632 milhões (+3%), enquanto a dívida líquida encerrou dezembro em € 3,064 bilhões. A liquidez total era de € 2,3 bilhões ao final de 2025. Segundo Sébastien Bazin, presidente e CEO do grupo, os resultados confirmam a solidez do modelo de negócios, a força das marcas e o posicionamento geográfico diversificado da rede, mesmo em um ambiente macroeconômico e geopolítico desafiador.
A Accor manteve suas metas de médio prazo, que incluem crescimento anual de RevPAR entre 3% e 4%, expansão líquida da rede entre 3% e 5% ao ano e avanço do Ebitda recorrente entre 9% e 12%. A companhia também projeta retorno aos acionistas de aproximadamente € 3 bilhões entre 2023 e 2027, incluindo o programa de recompra previsto para 2026.
Fonte: Hotelier News



