12/02/2026
Em um cenário de demanda ainda consistente por viagens e com grandes redes globais reforçando suas estratégias de marca e expansão seletiva, a Hyatt Hotels Corporation divulgou os resultados do quarto trimestre e do acumulado de 2025. O balanço aponta crescimento operacional, avanço do pipeline e movimentações relevantes no portfólio imobiliário.
No consolidado do ano, o RevPar global avançou 2,9% em relação a 2024. Nos resorts all-inclusive, o indicador cresceu 8,6%. A oferta também foi ampliada: o crescimento líquido de quartos chegou a 7,3% — ou 6,7% ao desconsiderar aquisições. O pipeline de contratos executados de gestão e franquia encerrou 2025 com cerca de 148 mil quartos, alta de 7% na comparação anual.
A companhia registrou prejuízo líquido de US$ 52 milhões no ano. Já o lucro líquido ajustado somou US$ 209 milhões. O EPS (lucro diluído por ação) ficou negativo em US$ 0,55, enquanto o EPS diluído ajustado alcançou US$ 2,19. As taxas brutas totalizaram US$ 1,19 bilhão, crescimento de 9% sobre 2024. O EBITDA ajustado, por sua vez, atingiu US$ 1,15 bilhão, avanço de 5,8% — ou 7,4% ao se excluir os efeitos de ativos vendidos em 2024 e da aquisição da Playa Hotels.
No quarto trimestre, o ritmo foi mais acelerado. O RevPar global cresceu 4% em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto nos resorts all-inclusive a alta foi de 8,3%. O prejuízo líquido no período foi de US$ 20 milhões, com lucro líquido ajustado de US$ 126 milhões. O EPS diluído ficou negativo em US$ 0,21, e o EPS diluído ajustado atingiu US$ 1,33. As taxas brutas somaram US$ 307 milhões no trimestre, alta de 4,5% na base anual. O EBITDA ajustado chegou a US$ 292 milhões, crescimento de 14,6% frente ao quarto trimestre de 2024 — ou 3,8% após ajustes relacionados a vendas de ativos e à aquisição da Playa.
Performance
Ao comentar o desempenho, Mark S. Hoplamazian, presidente e CEO da Hyatt, afirma que a companhia encerrou 2025 “com grande impulso, marcado por forte execução de nossas prioridades estratégicas e progresso contínuo na construção de uma organização cada vez mais orientada por marcas”. Segundo ele, a empresa registrou desempenho comercial e operacional excepcional e ampliou seu portfólio e efeito de rede por meio de transações disciplinadas e forte crescimento orgânico.
O executivo acrescenta que a Hyatt pretende acelerar esse movimento ao avançar na evolução das marcas, no desenvolvimento de talentos e no uso de tecnologia. “Acreditamos que essas prioridades posicionarão a Hyatt para se tornar a empresa de hospitalidade mais responsiva, mais inovadora e com melhor desempenho — e, em última instância, a mais escolhida por nossos stakeholders”, pontua.
De acordo com a companhia, o desempenho recente foi impulsionado principalmente pelas categorias luxo e upper upscale. O lazer permaneceu como o segmento mais forte, enquanto o mercado de grupos apresentou resultado consistente, influenciado pelo calendário do feriado judaico Rosh Hashanah. A alta no RevPar dos resorts reflete a continuidade da demanda por empreendimentos de luxo no modelo all-inclusive.
As taxas de gestão base cresceram 8,1%, sustentadas pela abertura de novos hotéis e pelo avanço do RevPar de propriedades administradas fora dos Estados Unidos. As taxas de incentivo aumentaram 13%, com contribuição de unidades recém-inauguradas e melhor desempenho na Ásia-Pacífico e em resorts europeus all-inclusive. Já as taxas de franquia e outras receitas recuaram 3,8%, impactadas pela eliminação de taxas de oito propriedades Hyatt Ziva e Hyatt Zilara incluídas na aquisição da Playa Hotels, além de menor demanda em hotéis de serviço seletivo nos Estados Unidos.
No segmento de propriedades próprias e arrendadas, o EBITDA ajustado caiu 1,5%, refletindo reformas em alguns ativos. A área de distribuição também registrou retração frente ao quarto trimestre de 2024, afetada pelo furacão Melissa e pela redução no volume de reservas em hotéis de quatro estrelas ou inferiores.
A expansão do portfólio seguiu ao longo do ano. Apenas no quarto trimestre, foram abertos 8,2 mil quartos, incluindo o Park Hyatt Cabo del Sol — primeiro da marca no México —, o Andaz One Bangkok e o Hyatt Studios Huntsville, reforçando a presença da nova marca de estadias prolongadas nos Estados Unidos. Em 2025, o pipeline cresceu 7%, com aumento de aproximadamente 30% nas assinaturas de contratos no mercado norte-americano, incluindo mais de 25 acordos da marca Hyatt Select. Desde seu lançamento, em 2023, a Hyatt Studios alcançou cerca de 70 projetos no pipeline. Na Ásia-Pacífico, a carteira também avançou 7%, com destaque para China e Índia.
No campo das transações, a empresa concluiu a venda do portfólio Alua por cerca de US$ 140 milhões e firmou contratos de gestão de longo prazo para os ativos. Os recursos foram destinados à amortização de parte do financiamento também vinculado à aquisição da Playa Hotels. A Hyatt também finalizou a transação imobiliária relacionada à empresa, cumprindo o compromisso anunciado em fevereiro de 2025 de vender ao menos US$ 2 bilhões em ativos.
Em 31 de dezembro de 2025, a dívida total somava US$ 4,3 bilhões, enquanto a liquidez alcançava US$ 2,3 bilhões, incluindo US$ 813 milhões em caixa e investimentos de curto prazo. Ao longo do ano, a companhia recomprou US$ 293 milhões em ações ordinárias Classe A — sendo US$ 114 milhões apenas no quarto trimestre. O conselho declarou ainda dividendo de US$ 0,15 por ação para o primeiro trimestre de 2026, com pagamento previsto para 12 de março.
Para 2026, a Hyatt divulgou suas projeções financeiras e informou que, a partir do primeiro trimestre, alterou a definição de EBITDA ajustado, deixando de incluir a participação proporcional em empreendimentos próprios e arrendados não consolidados.
Fonte: Hotelier News



