Brookfield amplia em 30% seu portfólio corporativo e busca oportunidades para prédios de locação na zona sul, afirma presidente
09/02/2026
Com a conclusão da aquisição de 78% de participação no edifício comercial Aqwa Corporate, no Rio de Janeiro, anunciada no final de janeiro, a Brookfield Properties reforça sua aposta no mercado imobiliário da cidade, a despeito de alguns anos de desempenho “de lado” nos indicadores de ocupação e de preço.
Hilton Rejman, presidente-executivo da Brookfield Properties, afirma que a aquisição vai ampliar em 30% o portfólio da Brookfield no Rio, para 300 mil metros quadrados. Também eleva a vacância do portfólio da empresa na cidade, de 11% para 15%, ainda num patamar considerado baixo pelo negócio.
O contrato seria de R$ 385 milhões, de acordo com a coluna “O Capital”, de O Globo, embora a companhia não confirme o valor. O edifício tem 70,6 mil metros quadrados de área bruta locável (ABL) e está 73% ocupado, por empresas como a Caixa Econômica Federal, a Enel e a Icatu Seguros. A Caixa é dona dos 22% restantes do prédio.
A maior parte dos espaços vagos da Brookfield no Rio está no Ventura Towers, conjunto de duas torres no centro da cidade, que tem atualmente 20 mil metros quadrados sem ocupantes. O prédio ganhou fama ao figurar como cenário do “remake” da novela Vale Tudo, em 2025. A empresa tem outros quatro prédios na cidade, totalmente ocupados.
“Temos no pipeline algumas locações importantes para fechar lá [Ventura], e isso nos animou a aumentar nosso portfólio”, afirma Rejman. “Com o mercado melhorando no Rio de Janeiro, acreditamos que vamos ter bons resultados.”
O Rio, segundo maior mercado de escritórios do país, terminou 2025 com 26,5% de vacância média em seus prédios corporativos, de acordo com a consultoria JLL, 4,5 pontos menos do que o registrado em 2024. O preço médio pedido pelo aluguel ficou em R$ 77,1 por metro quadrado, crescimento de 6,4% em um ano. Como comparação, em São Paulo, também de acordo com a JLL, a taxa de vacância ficou em 14,7%, com preço médio de R$ 117 por metro quadrado.
Não é só nos escritórios cariocas que a Brookfield está de olho. A empresa também escolheu a cidade para ampliar sua base de unidades “multifamily”, os edifícios residenciais projetados apenas para locação.
Até agora, as principais operações da Brookfield no segmento, no Rio, estão no centro. São dois “retrofits”, reformas de edifícios antigos, com conversão de uso. O Cena Carioca, antigo edifício Glória, que já foi cinema e prédio de escritórios, entre outros usos, fica na Cinelândia e suas 119 unidades residenciais estão disponíveis para locação desde dezembro. O edifício A Noite, que sediou o Jornal A Noite e, posteriormente, a Rádio Nacional, está em reforma, prevista para terminar em 2027, e terá outras 434 unidades.
Segundo o presidente, a empresa agora está olhando prédios e terrenos na zona sul, mas sem explorar mudanças de uso, como nos dois casos do centro. “São para construção ou imóveis novos, mas já voltados para o residencial”, explica.
Rejman afirma que o investimento em “multifamily” faz sentido no Rio porque a hotelaria têm tido bons resultados. Dados do Fórum dos Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB) mostram que a ocupação média dos quartos no Rio ficou em 70,6% em 2025, alta de 6,2 pontos percentuais em um ano. A diária média subiu 16,7%, para R$ 469,22.
Os prédios de “multifamily” podem atender à demanda por hotelaria, com locações de poucos dias, mas também contratos maiores, que rivalizam com o mercado residencial tradicional.
A canadense ainda quer entrar no setor de hotelaria pura no país, afirma o executivo, e está buscando oportunidades no Rio e em São Paulo. “Tem de ser um hotel grande, importante, para começar, e aí vamos aprendendo e pegando experiência no mercado”, diz.
Para 2026, a Brookfield pretende seguir com a estratégia de revisar os valores de seus contratos existentes, algo que foi bem-sucedido em 2025, de acordo com Rejman. A empresa afirma ter revisto os aluguéis de 110 mil metros quadrados de escritórios, ou 13% do seu portfólio no país até então, com alta nos preços.
Também foram feitas revisões no segmento de galpões logísticos, que devem seguir neste ano. “Revisamos quase 30 contratos e, com exceção de um, em todos nós subimos o valor de locação, mostramos que o valor estava fora do mercado”, afirma Rejman.
No contrato sem aumento, houve uma redução de preço, também por não estar de acordo com valores cobrados em imóveis semelhantes no entorno. “A revisão é para trazer um equilíbrio para o contrato”, diz o executivo.
Fonte: Valor Econômico



