Conseguimos estender a vida dos campos maduros, agora precisamos de novas fronteiras, diz regulador norueguês

Diretor-geral do Diretório Norueguês do Petróleo participa da ROG.e e tem reuniões previstas com reguladores brasileiros e empresas no Rio
22/09/2026

Noruega quer encorajar a indústria do petróleo a investir em novas fronteiras de exploração, depois de décadas de sucesso na extensão da vida útil de campos maduros, afirma o diretor-geral do Diretório Norueguês do Petróleo, Torgeir Stordal. 

“Precisamos continuar a explorar”, disse o executivo, que é responsável pelo órgão que gere os recursos na plataforma continental do país nórdico.

Ele está no Rio de Janeiro para participar da ROG.e, onde vai se encontrar com reguladores brasileiros, além de representantes de empresas. 

No mês passado, durante o Offshore Northern Seas (ONS) em Stavanger, na Noruega, Stordal também se reuniu com reguladores brasileiros, com os quais trocou experiências sobre a abertura do mercado de gás natural. Os diretores Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) Pietro Mendes e Symone Araujo participaram do evento. 

Dessa vez, é o regulador norueguês que chega ao Brasil em busca de debates sobre um desafio em comum nos dois países, que é evitar a queda na extração de petróleo e gás natural após o pico de produção. 

A produção norueguesa atingiu um pico em 4 milhões de barris de óleo equivalente por dia no final dos anos 1990 e mantém esse volume até hoje. 

Atualmente, no entanto, metade da produção é de gás natural. Nos próximos anos a tendência é que a produção de gás ultrapasse a de petróleo. 

Stordal diz que na última década o principal foco da indústria norueguesa foi priorizar a exploração em áreas próximas aos campos em produção, onde já havia infraestrutura, mas o país ainda tem muitas áreas a serem exploradas em novas fronteiras. 

 “Melhoramos muito na obtenção de imagens da subsuperfície, estamos perfurando mais poços e entendemos melhor os reservatórios. Estamos explorando nas proximidades de campos, adicionando novas reservas aos campos existentes e conseguimos ampliar a vida útil deles por muitas décadas”, afirma. 

Já há cerca de 90 descobertas mapeadas na plataforma norueguesa que podem ser trabalhadas nos próximos anos. 

“Queremos que esses negócios beneficiem a sociedade como um todo, o objetivo é criar valor em longo prazo para a indústria e para a sociedade. E isso significa garantir que todos os recursos que possam ser desenvolvidos comercialmente de fato sejam”, ressalta. 

Segurança energética

Na visão de Stordal, países produtores de petróleo, como a Noruega e o Brasil, precisam “produzir o máximo que conseguirem” nesse momento de crise global do suprimento.

“Nosso gás é crucial para a Europa. Exportamos 30% de toda a demanda do continente”, afirma. 

A Noruega se tornou a principal fonte de gás para a Europa a partir de 2022, após a invasão da Ucrânia pela Rússia, que até então era um dos principais supridores do continente. 

O país busca se posicionar como uma fonte segura de energia para a Europa no longo prazo, ao mesmo tempo em que quer produzir petróleo e gás com as menores taxas de emissões possíveis.

Stordal acredita que a segurança energética está dominando a agenda da maioria dos países nesse momento. 

Para ele, um dos exemplos disso é o fato de que muitos países que optaram por interromper atividades exploratórias nos últimos anos agora estão retomando discussões sobre novas licitações de áreas. É o caso do vizinho no Mar do Norte, o Reino Unido, por exemplo.

“Também vemos um aumento do foco em cada país de tentar desenvolver suas próprias fontes de energia”, acrescenta. 

Novas fontes

Uma das apostas da Noruega para a extensão das atividades exploratórias é o Mar de Barents, na região do Ártico

Em relação a eventuais questionamentos ambientais, Stordal afirma que o posicionamento político majoritário na Noruega nesse momento é de continuar a desenvolver a plataforma continental. 

Ele ressalta, no entanto, que o país busca ao mesmo tempo desenvolver novas indústrias, como geração eólica offshore e captura e estocagem de carbono (CCS), além de ter planos de abrir a região para a exploração de minerais no mar em longo prazo. 

“Estamos trabalhando em um espectro de atividades”, afirma. 

Uma das principais apostas é justamente o CCS: a Noruega vê potencial para a cessão de áreas para essa atividade nos reservatórios do Mar do Norte. 

Um projeto-piloto, Longship, está sendo financiado pelo governo noruguês. Entretanto, ainda há dificuldades para a criação de uma cadeia de valor lucrativa para o CCS. 

“Por si só, esse primeiro projeto-piloto não consegue justificar o custo; no entanto, se o conhecimento adquirido puder ser compartilhado com o restante do mundo, a expectativa é que essas iniciativas possam se multiplicar em escala global”, afirma. 

Apesar de ver sinais claros de que a transição energética já está em curso, Stordal aponta que o mundo ainda tem necessidade de adição energética, dado o aumento da demanda por energia a cada ano. 

“Pelo menos no curto prazo, o mundo precisa de todas as fontes de energia”, diz. 

Fonte: Eixos

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