Busca por novas reservas de óleo e gás e abertura de fronteiras ganha impulso em países produtores

EUA e Noruega querem ampliar esforços exploratórios
26/08/2026

Assim como o Brasil, outros grandes países produtores de petróleo e gás, como Estados Unidos e Noruega, têm sinalizado que a busca por novas reservas voltou ser uma prioridade, em meio à alta global dos preços do barril e aos questionamentos sobre a viabilidade de fontes menos poluentes

  • O novo foco na exploração ocorre num contexto em que grandes produtores globais estão enfrentando dificuldades para manter as exportações devido às guerras entre Rússia e Ucrânia e aos conflitos no Oriente Médio.  

Maior produtora da Europa e principal fonte de suprimento de óleo e gás do continente depois das sanções à Rússia, a Noruega corre para encontrar novas reservas e reduzir o declínio da produção até 2050

  • “Precisamos de medidas e elas precisam ser tomadas agora. É necessária uma atuação conjunta do governo, das empresas de petróleo, da indústria de fornecedores e de todo o setor, com esforços paralelos para aumentar a recuperação de campos existentes, desenvolver campos adicionais e viabilizar novas descobertas, sejam de pequeno ou grande porte”, disse o ministro da Energia norueguês, Terje Aasland, durante o Offshore Northern Seas (ONS) 2026, em Stavanger.
  • “Nossa capacidade de fornecer petróleo e gás, tanto a curto quanto a longo prazo, é importante para a Noruega, para a Europa e para o mundo”, acrescentou. 
  • Empresas na região já sinalizaram que vão em busca de novas descobertas no Mar do Norte, revertendo a tendência das últimas décadas do foco em redesenvolvimento de ativos e no aumento do fator de recuperação de áreas já produtoras. 
  • Para ficar de olho: Equinor, Aker BP e Vår Energi fecham parceria para nova guinada em exploração na Noruega.

O ministro norueguês sinalizou, inclusive, que o Mar de Barents, no Ártico, tende a fazer parte desses esforços, com a abertura de uma nova fronteira de exploração. 

  • Em mensagem enviada à abertura do ONS na segunda-feira (24), a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, lembrou que a redução do uso de combustíveis fósseis e a ampliação da geração renovável serão cruciais para reduzir a vulnerabilidade do bloco a choques externos. 
  • Mas o ministro norueguês questionou as propostas para moratórias à exploração no bloco europeu: “Quando falamos com a Alemanha e a Polônia, eles querem esse gás natural (do Ártico)”, disse.

As águas geladas do norte também são uma das apostas dos Estados Unidos, maior produtor global. O Alasca é visto pelo governo de Donald Trump como uma das regiões com maior potencial para a área de energia no mundo, com “enormes” reservas de petróleo e gás.

No Brasil, a principal aposta é a Margem Equatorial, cuja exploração é questionada por ambientalistas. Há ainda grande expectativa sobre a Bacia de Pelotas. 

De volta à casa dos US$ 80. O Brent caiu 3,6% na terça-feira (25/8), cotado a US$ 87,27 por barril, à medida que aumenta o otimismo entre os traders em torno da navegação no Estreito de Ormuz. Irã e Omã acertaram a criação de um corredor marítimo conjunto e temporário, além de ações para a retirada de minas na região. 

  • Na manhã de quarta (26), a commodity acelerou a queda, com negociações a US$ 84,8 por barril no momento do fechamento desta edição. 
  • Sob ataque. O setor energético, incluindo infraestrutura e cadeia de suprimentos, passou a ser alvo de ataques, mesmo em momentos que não são de guerra declarada. E isso exigirá a ampliação da resiliência na indústria de energia, indicaram executivos durante a Offshore Northern Seas (ONS) 2026 na terça-feira (25/8).

Petroquímica em crise. O plano de recuperação extrajudicial protocolado pela Braskem na segunda (24/8) na Justiça de São Paulo formaliza o papel da Petrobras na reestruturação de US$ 10,9 bilhões (R$ 56,5 bilhões) em dívidas da petroquímica: a estatal será garantidora de última instância, ao lado da gestora IG4, sócia via Shine I Fundo de Investimento em Participações.

Gás para a indústria de base. O governo publicou na terça (25) a resolução do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) que estrutura os leilões de gás natural da União

  • Entre outros destaques, a norma reafirma a indústria de base como destino prioritário da política; define diretrizes para precificação da molécula; e detalha como se dará a relação com a Petrobras como agente comercializador. Confira os principais pontos da resolução 

Combustível nuclear. O governo publicou também a resolução do CNPE que cria as diretrizes para o monitoramento dos preços do combustível nuclear nos mercados nacional e internacional. A ENBPar será a responsável pelo estudo comparativo dos preços, que deverá incluir todas as etapas do ciclo de vida e considerar referências internacionais.

Eletromobilidade no CNPE. A pauta da reunião do Conselho de 2 de setembro prevê a criação do grupo de trabalho dedicado à eletromobilidade, que deve reunir pelo menos sete ministérios e três agências reguladoras. O objetivo do GT é apresentar as bases para uma estratégia nacional para o setor.

Redução na tarifa de energia. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) informou que as tarifas de distribuição serão reduzidas a partir desta quarta-feira (26/8) para consumidores de baixa tensão da Energisa Tocantins (TO), Sulgipe (SE), Energisa Acre (AC), Enel Ceará (CE) e Energisa Rondônia (RO).

  • A redução será de 1,36% (TO) a 10,63% (RO), a depender da concessão, e será possível após repactuação do encargo conhecido como Uso de Bem Público (UBP) – e que está, aliás, no radar do Tribunal de Contas da União (TCU).
  • Na semana passada, o ministro Antonio Anastasia chegou a bloquear o repasse de R$ 5,03 bilhões da repactuação do encargo às distribuidoras, para atenuar reajustes nas tarifas, mas depois recuou e revogou a cautelar. A revogação não encerra, contudo, a discussão, já que o mérito do processo ainda não foi julgado pelo TCU.

Orçamento climático. iCS e Cicef vão trabalhar em parceria com a rede global C40 Cidades para ajudar sete metrópoles brasileiras a identificar, classificar e monitorar gastos a partir de critérios climáticos

  • A iniciativa envolve Salvador, Fortaleza, Recife, Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro e Campinas e será desenvolvida até março de 2027.

Fonte: Eixos

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