24/08/2026
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) divulgaram nesta segunda-feira, 24 de agosto, uma consulta externa para receber contribuições sobre os requisitos do novo software de modelos energéticos do setor elétrico. O prazo para envio de contribuições termina em 8 de outubro de 2026.
A consulta é conduzida pelo CT PMO/PLD e servirá de subsídio para a elaboração da nota técnica que orientará o desenvolvimento da nova ferramenta, cujo foco será na transparência, neutralidade e inovação tecnológica, alinhado às demandas regulatórias e operacionais do Sistema Interligado Nacional (SIN), em atendimento às diretrizes de integração e coordenação institucional previstas na Resolução nº 01/2024, do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).
O CT PMO/PLD é um um espaço de colaboração entre o ONS e a CCEE para discutir como será planejada a operação do sistema (PMO) e como será calculado o preço da energia no mercado de curto prazo (PLD).
Novo software deverá considerar incertezas e risco
De acordo com os requisitos propostos, o software deverá resolver o problema de despacho ótimo em um ambiente marcado por incertezas nos recursos energéticos, incluindo hidrologia, geração eólica e fotovoltaica, além de outras variáveis relevantes. O modelo também deverá considerar as limitações da rede de transmissão e as restrições operativas dos sistemas elétrico e hidráulico.
A ideia é atender integralmente à demanda ao menor custo possível, utilizando uma abordagem probabilística que incorpore aversão ao risco e contribua para a segurança do sistema.
A solução deverá ser compatível com um modelo matemático que considere diferentes cenários e etapas ao longo do tempo, levando em conta os riscos envolvidos. A consulta não define um método ou algoritmo específico para chegar à solução, desde que o modelo respeite as informações disponíveis em cada etapa e não considere antecipadamente eventos que ainda não ocorreram.
Quais fontes e recursos serão representados?
O software deverá permitir a representação de diferentes elementos do sistema elétrico, incluindo usinas hidrelétricas, termelétricas, eólicas e fotovoltaicas; estações de bombeamento; cargas flexíveis, como data centers e recursos de resposta da demanda; linhas de transmissão e troncos de interligação; barramentos e áreas; sistemas de armazenamento, como baterias e usinas reversíveis; contratos de energia; fontes não controláveis sujeitas a curtailment.
A estrutura também deverá permitir a incorporação de outros componentes que sejam necessários à representação do sistema.
Entre os principais resultados esperados estão os níveis de armazenamento, custos marginais de operação (CMO), valores da água e cortes de geração em fontes inflexíveis, ou métricas equivalentes.
O modelo também deve produzir uma sinalização de custo futuro que possa ser utilizada como condição de contorno para a execução do Desem, ferramenta empregada na programação de curto prazo da operação.
Modelagem hidráulica e elétrica
Os requisitos preveem uma representação detalhada das restrições necessárias para garantir a viabilidade física do sistema e aprimorar a modelagem dos fenômenos hidráulicos e elétricos.
Entre os aspectos que deverão ser considerados estão os limites operativos mínimos e máximos, a relação entre a produção hidrelétrica e o estado dos reservatórios e, quando aplicável, as interações com reservatórios localizados a montante.
O modelo também deverá contemplar fenômenos como evaporação, usos consuntivos e enchimento de reservatórios, entre outros aspectos relacionados à operação hidráulica.
A carga deverá ser representada por patamares, com possibilidade de haver ou não acoplamento temporal entre eles.
Diferentes níveis de detalhamento
O software deverá permitir que o usuário estabeleça diferentes compromissos entre tempo de execução e nível de detalhamento da modelagem.
Para isso, a ferramenta deverá aceitar diferentes discretizações ao longo do horizonte de estudo, incluindo, por exemplo, representações horárias, diárias, semanais e mensais.
A proposta também prevê a possibilidade de criação de submódulos voltados ao médio e curto prazo, com diferentes resoluções temporais e níveis de representação do sistema.
Aplicação no PMO, PLD e planejamento energético
Outro requisito é que o software consiga obter soluções ótimas em tempos de execução compatíveis com os processos do setor elétrico, incluindo o Programa Mensal da Operação (PMO), o Plano da Operação Energética (PEN), a formação do Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) e o Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE).
A ferramenta deverá contar ainda com mecanismos para acompanhar a qualidade das soluções, como o monitoramento de lacunas de otimalidade, além da definição de critérios de parada.
Quando não for possível encontrar a solução ótima dentro do prazo necessário, o software deverá permitir, quando aplicável, a obtenção de soluções quase ótimas em tempo aceitável.
Fonte: MegaWhat




