Salário tem menos apelo que oportunidade entre jovens, aponta pesquisa

Mudança no perfil geracional coincide com alterações no mercado de trabalho, diz empresa de recrutamento
14/07/2026

Oito em cada dez jovens consideram que, embora a remuneração seja importante, ela não é o principal fator na escolha da empresa ideal para se trabalhar, de acordo com o Relatório de Empregabilidade Jovem divulgado pelo Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) em parceria com o Instituto Locomotiva.

A oportunidade de crescimento dentro da empresa é o principal atrativo para 54% dos entrevistados, seguida por boa remuneração e benefícios (43%) e um ambiente agradável para se trabalhar (31%). A flexibilidade do modelo de trabalho e a localização também são questões que influenciam na escolha dos jovens, ambas com 20%.

Fabio Maeda, diretor de Growth & Experience da Redarbor Brasil, detentora da empresa de recrutamento Catho, afirma que esse perfil é fruto de uma mudança tanto dos jovens quanto do mercado de trabalho. “Ao mesmo tempo em que os jovens querem uma boa remuneração e um bom plano de carreira, as empresas estão buscando os colaboradores não só por hard skills, mas também cada vez mais por soft skills”, diz.

Maeda afirma que não basta apenas que o candidato tenha um bom currículo e habilidades técnicas. Ele também deve ser engajado, comprometido e conseguir trabalhar sob pressão, já que “as empresas têm buscado cada vez mais esse equilíbrio” nos perfis dos candidatos, enquanto os jovens estão cada vez mais exigentes.

A pesquisa foi realizada com mais de 8.800 jovens de todo o país, com idade entre 14 e 24 anos. Dentro dessa amostra, 98% dos respondentes concordam que as empresas que empregam jovens contribuem para o desenvolvimento do Brasil. O relatório também aponta que 96% dos entrevistados acreditam que as companhias têm um papel fundamental para garantir a a empregabilidade dos mais novos.

Rodrigo Dib, superintendente institucional do CIEE, afirma que a faixa etária analisada busca trabalhar em lugares que respeitem sua individualidade e que se preocupem com questões relacionadas à saúde mental. Para 98% dos jovens, é muito importante estar em uma empresa que valorize a saúde mental, segundo o relatório.

A preocupação com o tema decorre, segundo Maeda, do fato de esses jovens observarem que as gerações anteriores passaram por burnouts e problemas de saúde mental no serviço. “Ele está enxergando a importância de cuidar da saúde mental e também de a empresa conseguir trazer essa questão”, diz.

Os profissionais jovens, mesmo estando relativamente satisfeitos com seus empregos, os profissionais buscam constantemente novas oportunidades, de acordo com Guilherme Dias, CMO e cofundador da Gupy.

“Os jovens estão no mercado, aceitando vagas, mas também estão, em paralelo, com o olho aberto para o próximo movimento”, afirma Dias. Para ele, muitos jovens costumam aceitar uma oportunidade para garantir renda e ir ganhando experiência, o que é considerado por esse grupo como uma etapa do processo, e não o “destino final” no mundo do trabalho.

Maeda afirma que os jovens de 18 a 24 anos têm 14% a menos de interesse em ocupar cargos de gestão no futuro em comparação com as outras faixas etárias, segundo a Pesquisa de Jovens 2025 da Catho. “Ele entende que assumir um cargo de gestão é mais responsabilidade, mais pressão e não necessariamente o jovem quer isso. Ele quer crescer, mas também buscar um meio termo”, diz Maeda.

Na avaliação de Dib, diante de um cenário de transformação do mercado e do perfil dos jovens, deve-se olhar para eles com “uma postura menos crítica, pensando efetivamente no que se pode fazer para que se consiga aproveitar ao máximo o potencial que essa geração tem”.

Fonte: Valor Econômico

OUTROS
artigos