Mecanismo opcional pode reduzir de 22% para 6% o reajuste da molécula para distribuidoras; Abegás considera a medida positiva para ampliar previsibilidade
01/07/2026
A Petrobras aprovou hoje (30) um mecanismo para reduzir os efeitos da volatilidade dos preços internacionais sobre os contratos de fornecimento de gás natural. A medida prevê a adoção de bandas de preços para o barril de petróleo Brent no cálculo do valor da molécula de gás vendida pela companhia, com definição de um piso e um teto.
O mecanismo será facultativo e dependerá da assinatura de aditivos contratuais pelos clientes. Segundo a estatal, o objetivo é mitigar temporariamente os impactos de fortes altas do Brent, evitando reajustes abruptos e preservando a competitividade da companhia no mercado de gás.
A Petrobras estima que, caso seja adotado pelas distribuidoras estaduais, o novo modelo poderá reduzir o aumento médio previsto para a parcela da molécula de gás, em agosto, de cerca de 22% para aproximadamente 6%. Em contrapartida, o mecanismo estabelece um piso de preços, também temporário, para preservar o equilíbrio econômico das operações.
Abegás: medida é positiva
A iniciativa foi bem recebida pela Abegás. Em nota, a entidade classificou a medida como positiva e afirmou que ela responde a uma preocupação manifestada pelo setor desde o início do conflito no Oriente Médio, que elevou a volatilidade dos mercados internacionais de petróleo e gás.
Segundo a associação, essa instabilidade já havia provocado um aumento médio de 19,2% no preço da molécula de gás vendida às distribuidoras, reajuste aplicado em 1º de maio. Para a Abegás, o novo mecanismo reduz temporariamente os impactos dessas oscilações e proporciona maior previsibilidade às concessionárias.
A entidade também informou que a solução é resultado das discussões mantidas com a Petrobras nos últimos meses e defendeu que outros supridores adotem iniciativas semelhantes. “A associação espera que outros supridores do mercado também mostrem sensibilidade com o tema e segue trabalhando por uma solução estrutural para o preço do gás natural no País”, destaca o posicionamento.
A Petrobras ressalta que o preço da molécula representa apenas uma parte da tarifa paga pelo consumidor. O valor final também inclui custos de transporte, margens das distribuidoras e, no caso do GNV, dos postos de revenda, além de tributos federais e estaduais.
As tarifas são definidas pelas agências reguladoras estaduais, de acordo com a legislação de cada estado.
Fonte: Brasil Energia




