A Rystad Energy estima que o retorno da produção está contribuindo, mas alerta que se o tráfego no Estreito de Ormuz não normalizar rápido, a recuperação pode ser somente em 2027
25/06/2026
A recuperação total da oferta na região do Oriente Médio pode acontecer no final de 2026, prevê a Rystad Energy. Em análise divulgada na quinta-feira (25), a consultoria antecipou a volta em um trimestre inteiro, uma vez que a previsão anterior era para 2027.
No entanto, a estimativa pode retornar ao patamar anterior se o tráfego dos navios-tanques não se normalizar no curto prazo, pois os países poderão restringir a produção de novo, alerta a Rystad.
“O conflito de 2026 representa o maior choque de volume já registrado na região, e a recuperação já está em andamento. Se ela será concluída dentro do cronograma atual depende da rapidez com que o estreito retornar ao tráfego normal”, estimou a consultoria.
Atualmente, os tanques de armazenamento em terra do Golfo estão com cerca de 50% a 60% da sua capacidade preenchida. Segundo a Rystad, os produtores têm recorrido a esses estoques para sustentar as exportações enquanto o estreito esteve em grande parte fechado, mas a reserva disponível é limitada.
“O acordo diplomático é um primeiro passo necessário e o que estamos monitorando agora é o fluxo físico de navios-tanque através do Estreito de Ormuz”, disse o diretor de pesquisa para o Oriente Médio e Norte da África, Aditya Saraswat.
Outro fato levantado pela consultoria que auxilia na previsão de que a recuperação pode ser ainda em 2026 é que a oferta está se recuperando mais rápido do que imaginavam.
E três acontecimentos são os responsáveis: a assinatura do acordo preliminar entre EUA e Irã em 17 de junho; licença de 60 dias concedida pelos EUA para que o Irã venda seu petróleo; e os produtores do Golfo começaram a divulgar cronogramas de reinício da produção antes das estimativas anteriores.
A partir disso, a Rystad estimou que o total de interrupções no fornecimento de petróleo e gás cairá para menos de 2 milhões de bpd até o final do terceiro trimestre.
Só que essa recuperação está desigual entre os países, visto que a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos juntos representam 65% da produção da região, destacou a consultoria. Ambos mantiveram as exportações em andamento durante todo o conflito por meio de rotas alternativas de oleodutos, de modo que seus sistemas de produção não ficaram totalmente paralisados.
O Irã, por sua vez, apresenta recuperação mais rápida. O período em que ficou paralisado foi menor, os danos ao upstream foram limitados e o bloqueio naval dos EUA foi suspenso. O Kuwait e o Iraque estão progredindo mais lentamente. Seus campos dependem de reservatórios mais pesados e maduros, que levam mais tempo para voltar à produção, e ambos dependem quase exclusivamente do Estreito de Ormuz para exportações.
Fonte: Brasil Energia


