O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) incluiu 67 reforços emergenciais na rede de transmissão do Paraná, com investimentos estimados em R$ 53,5 milhões. As obras visam adequar a rede aos impactos da geração contratada nos leilões de reserva de capacidade (LRCap) de 2026.
17/06/2026
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) incluiu na primeira emissão do Plano de Outorgas de Transmissão de Energia Elétrica (Potee) 2026 um conjunto de 67 reforços de pequeno porte considerados emergenciais para adequar a rede de transmissão aos impactos da geração contratada nos leilões de reserva de capacidade (LRCap) realizados em março de 2026.
As intervenções somam R$ 53,5 milhões em investimentos estimados e estão concentradas no Paraná, abrangendo instalações das subestações Curitiba, Ivaiporã e Gralha Azul. A data de necessidade sistêmica indicada é 31 de dezembro de 2028.
Segundo o documento, as obras têm como objetivo evitar a superação da capacidade de corrente de curto-circuito de equipamentos da rede básica em decorrência da entrada em operação das usinas contratadas nos certames dos dias 18 e 20 de março, voltados à contratação de potência de termelétricas a gás natural, carvão mineral e ampliações hidrelétricas, e a óleo combustível e biodiesel.
As obras foram enquadradas na classificação TDR B (Tipo de Demanda de Reforço B), categoria aplicada a intervenções motivadas por alterações nas condições de operação do sistema elétrico. Isso significa que os reforços decorrem de mudanças provocadas pela conexão de novos empreendimentos de geração.
Segundo o ONS, a entrada das usinas contratadas elevará os níveis de corrente de curto-circuito em determinadas instalações de transmissão acima dos limites suportados pelos equipamentos atualmente instalados.
Para preservar a segurança e a confiabilidade da operação do Sistema Interligado Nacional (SIN), será necessária a substituição de disjuntores, transformadores de corrente e chaves seccionadoras por equipamentos com maior capacidade de interrupção e suportabilidade elétrica.
Onde estão os reforços
A maior parcela dos investimentos está concentrada na subestação Ivaiporã, onde foram recomendados 34 reforços que somam aproximadamente R$ 36,7 milhões.
As intervenções atingem principalmente instalações em 525 kV e envolvem equipamentos associados às linhas Ivaiporã–Cascavel Oeste, Ivaiporã–Salto Santiago, Ivaiporã–Londrina e aos acoplamentos de barras da subestação.
A conexão está ligada à região da bacia do rio Iguaçu, onde estão localizadas algumas das hidrelétricas que tiveram ampliações contratadas no LRCap 2026. Entre elas estão as usinas de Segredo e Foz do Areia, ambas da Copel, que juntas somaram cerca de 1,86 GW de potência contratada no certame.
Do total previsto para Ivaiporã, cerca de R$ 27,5 milhões estão sob responsabilidade da Axia Sul e R$ 9,2 milhões da Uirapuru.
Na subestação Curitiba, também operada pela Axia Sul, foram recomendados 16 reforços, com investimento estimado em R$ 9,3 milhões. As intervenções contemplam a substituição de equipamentos associados às linhas Curitiba–Joinville, Curitiba–Joinville Norte, Curitiba–São Mateus do Sul e à interligação de barras da instalação.
Já a subestação Gralha Azul concentra 17 reforços, sob responsabilidade da Copel-GT, com investimento previsto de R$ 7,6 milhões. As obras envolvem equipamentos associados à linha Gralha Azul–Cisa e aos arranjos de barras da subestação.
Ao todo, o plano prevê a substituição de 67 equipamentos, incluindo disjuntores, transformadores de corrente e chaves seccionadoras. Todas as obras possuem prazo de implantação de 30 meses após a autorização regulatória e foram classificadas pelo ONS como emergenciais em razão da necessidade de estarem concluídas antes da entrada em operação dos empreendimentos contratados nos leilões de potência.
Potee revisa recomendações
A primeira emissão do Potee 2026 também ajusta recomendações anteriores de reforços. O documento registra nove retificações e 22 revogações, envolvendo investimentos originalmente estimados em R$ 30,4 milhões e R$ 12,4 milhões, respectivamente.
As alterações decorrem de revisões de escopo, correções de informações técnicas, atualização de datas de necessidade e cancelamentos solicitados por transmissoras em casos de obras já executadas ou que deixaram de ser necessárias após reavaliações do planejamento da expansão.
Fonte: MegaWhat




