Costa do Marfim autoriza oito blocos exploratórios para Petrobras

Segundo os ministérios de Minas, Petróleo e Energia e da Economia, Finanças e Orçamento do país, serão assinados contratos de partilha de produção dos blocos CI-513, CI-600, CI-601, CI-602, CI-603, CI-605, CI-701 e CI-702, com exceção do CI-700, que a empresa também declarou interesse
10/06/2026

A Costa do Marfim anunciou a autorização para a Petrobras da partilha de produção de oito blocos offshore, localizados na bacia sedimentar nacional, a maior parte em águas profundas. A petrolífera declarou interesse por nove blocos em junho do ano passado para garantir a exclusividade da negociação e iniciou a negociação dos contratos. 

O Conselho de Ministros da Costa do Marfim, em comunicado à imprensa publicado no último dia 3 de junho, informou que, sob a autoridade do Ministério de Minas, Petróleo e Energia, em conjunto com o Ministério da Economia, Finanças e Orçamento, adotou comunicação relativa à assinatura de contratos de partilha de produção dos blocos petrolíferos CI-513, CI-600, CI-601, CI-602, CI-603, CI-605, CI-701 e CI-702.

Segundo o comunicado, após negociações entre o governo e a Petrobras, os novos contratos serão assinados pelo Estado com a operadora brasileira nos blocos de petróleo mencionados.

“Esses contratos elevam a taxa de ocupação da bacia sedimentar nacional para 75%, uma área de aproximadamente 63.000 km² na qual estão sendo realizadas atividades de produção, avaliação e exploração, possibilitando a realização de novas e importantes descobertas”, disseram os ministérios no comunicado.

A lista divulgada pelo governo do país africano não inclui o bloco CI-700, que também teve declaração de interesse da Petrobras. Procurada pela Brasil Energia sobre a decisão, a Petrobras respondeu que em respeito às regras de governança, não comenta previamente atuação em processos referentes a possíveis negócios envolvendo blocos exploratórios.

Fonte afirma que as negociações estão avançando mas ainda falta um caminho a ser percorrido para serem concluídas.

Câmara Africana de Energia comemora decisão

Em comunicado divulgado na segunda-feira (8), a Câmara Africana de Energia comemorou a decisão, que para a entidade demonstra a crescente confiança global no setor upstream da África Ocidental.

“A Câmara Africana de Energia (AEC) felicita-se pela decisão da Petrobras de avançar com contratos de partilha de produção para oito blocos offshore na Costa do Marfim, o que marca um passo no sentido significativo de explorar o potencial de hidrocarbonetos do país, ainda em grande parte inexplorado”, disse.

Com profundidades que variam desde zonas costeiras até águas ultraprofundas com mais de 4000 metros, os blocos, segundo a entidade, oferecem um potencial de exploração substancial e reforçam a posição da Costa do Marfim como uma fronteira emergente para o investimento em petróleo e gás.

“A Costa do Marfim tem-se posicionado de forma consistente como um dos mercados de upstream mais promissores da África Ocidental, na sequência de uma série de descobertas recentes, incluindo Baleine — a maior descoberta de hidrocarbonetos do país até à data — e Calao, demonstrando a viabilidade comercial das suas bacias offshore. Apoiado por um código petrolífero revisto, condições fiscais melhoradas e uma estratégia de licenciamento ativa, o governo acelerou os esforços para atrair operadores internacionais. O fato de quase 75% das bacias sedimentares do país estarem em breve sob licença reflete tanto a forte confiança dos investidores como um impulso deliberado para acelerar a exploração em áreas subdesenvolvidas”, disse a Câmara em comunicado.

Petrobras vê região com grande potencial

Quando anunciou a declaração de interesse no ano passado, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que a localização geográfica da Costa do Marfim, na porção atlântica africana, é de grande interesse para a Petrobras.

“Temos muita experiência nessa região, do lado de cá do Atlântico, onde estão as bacias de Campos e de Santos, e acredito que podemos alcançar importantes resultados também do outro lado do oceano. Estamos focados na reposição das reservas de petróleo e na recomposição de nosso portfólio exploratório e vemos a Costa do Marfim como uma região de grande potencial”, disse.

Em artigos publicado na Brasil Energia, o geólogo José Almeida, ex-Petrobras e atual consultor da iniciativa privada, detalha as semelhanças geológicas entre as bacias sedimentares da Costa Atlântica do Brasil e da África, e das bacias da Margem Equatorial, brasileira e das Guianas, que sustentam a projeção de alto potencial petrolífero dessas regiões.

Fonte: Brasil Energia

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