Gestora de private equity IG4 concluiu a aquisição de ações do controlador Novonor, antiga Odebrecht, e deve apesentar nos próximos dias standstill para preparar plano de recuperação judicial da dívida de R$ 48 bilhões da petroquímica
05/06/2026
O Fundo de Investimento em Participações (FIP) Shine I, da gestora de private equity IG4, fundada e presidida pelo investidor Paulo Mattos, assumiu formalmente a partir desta sexta-feira (5) o controle da petroquímica Braskem, com a aquisição de ações do controlador Novonor, antiga Odebrecht.
Em comunicado divulgado nesta sexta-feira (5), a Braskem informou que recebeu correspondências do FIP e da NSP Investimentos, subsidiária da Novonor que se encontra em recuperação judicial, oficializando o fechamento da operação de transferência do controle da petroquímica.
Segundo o comunicado, o FIP adquiriu da NSP o montante de 226.334.622 ações ordinárias de emissão da Braskem representantes de aproximadamente 50,1108% do seu capital votante e 28,3909% de seu capital total e 47.294.173 ações preferenciais de “Classe A” representantes de aproximadamente 13,7060% das ações preferenciais “Classe A” da Braskem; 13,6870% do total das ações preferenciais de emissão da companhia; e 5,9324% do capital social total da Braskem, sendo que as ações adquiridas, em conjunto, correspondem a 34,3234% do capital social total da Braskem.
Com o fechamento do negócio, o FIP da gestora IG4 passa a integrar o quadro de acionistas da Braskem, dividindo a governança da petroquímica com a Petrobras, sócia relevante com 47% de participação, que abriu mão de exercer o direito de preferência na aquisição do controle da Novonor.
O FIP informou à Braskem que o novo Acordo de Acionistas divulgado ao mercado entrou em pleno vigor e efeito a partir do dia 03 de junho de 2026 e que não pretende realizar o cancelamento de registro de companhia aberta da companhia no prazo de um ano.
Na segunda-feira (8) será realizada uma assembleia extraordinária para eleger o novo Conselho de Administração da Braskem e sua nova diretoria executiva. A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, foi indicada para presidir o board e o ex-presidente do BNDES, Luciano Coutinho, que ocupou o cargo nas gestões de governos do presidente Lula e Dilma Roussef, entre 2007 e 2016, indicado como conselheiro independente.
Para a diretoria executiva, estão cotados os nomes Helcio Tokeshi pra CEO e Carlos Brandão para a diretoria financeira da petroquímica. Tokeshi comandava a Corredor Logística e Infraestrutura (CLI), operadora dos portos de Santos (SP) e Itaqui (MA) e vendida recentemente para a AD Ports Group, gigante de logística de Abu Dhabi. Ele foi diretor-geral da empresa
Estruturadora Brasileira de Projetos (EPB) em 2013, ex-secretário de Fazenda do estado de São Paulo, no governo Geraldo Alkmin, ente 2016 e 2018.
Segundo a correspondência enviada à Braskem pela NSP Investimentos, a subsidiária da antiga Odebrecht informou que permanece titular de 31.888.313 ações preferenciais de “Classe A” de emissão da Braskem, com uma participação remanescente correspondente a 4% do capital social total da petroquímica, sem direitos de governança além daqueles previstos em lei.
A NSP Investimentos declarou, ainda, que a participação remanescente tem como objetivo fins patrimoniais; não deseja alterar a composição do controle ou a estrutura administrativa da Braskem; não possui nenhum valor mobiliário de emissão da Braskem ou instrumento financeiro derivativo referenciado em ações de emissão da Braskem, exceto pela participação remanescente, e que esta participação não está vinculada a qualquer acordo de acionistas.
Dívida da petroquímica soma hoje R$ 48 bilhões
A aquisição do controle da Braskem começou a ser negociada no fim do ano passado, quando a IG4 comprou os créditos que os bancos que Itaú, Santander, Bradesco, Banco do Brasil e BNDES detinham contra a Novonor, garantidos pelas próprias ações da petroquímica, na época em torno de R$ 19 bilhões.
Hoje a gestora que assume o controle da Braskem herda uma dívida que já está perto da casa de R$ 48 bilhões, segundo resultado de março, e uma enorme pressão dos credores pelo recebimento.
Assim que for eleito pela assembleia de acionistas na segunda-feira, o novo comando da petroquímica deverá apresentar uma proposta aos credores, que poderá incluir um acordo de suspensão temporária do pagamento das dívidas (standstill) por 90 dias, para negociação da recuperação judicial. Isso porque a Braskem tem títulos de dívida externa vencendo em julho e agosto, da ordem de R$ 740 milhões, que a empresa não teria condições de pagar.
A petroquímica também sofre pressão de dívida por parte da sua subsidiária no México Braskem Idesa, que estaria prestes a pedir recuperação judicial nos Estados Unidos pelo mecanismo Chapter 11, gerando obrigações adicionais à holding no Brasil, que tem contrato de suporte financeiro com empesa mexicana.
Venda de ativos pode ser considerada
A expectativa do mercado com um provável plano de recuperação judicial da Braskem, se realmente efetivado, inclua a venda de ativos, que permitam à empresa concentrar sua operação em negócios mais rentáveis, como a produção a partir do gás em lugar da nafta e a produção de polímeros verdes a partir do etanol.
Na lista especulada pelo mercado estão terminais portuários, plantas de geração de energia e unidades de tratamento de resíduos. A companhia opera terminais próprios em Triunfo e Rio Grande (RS), Duque de Caxias (RJ) e no Porto de Aratu, na Bahia.
Fonte: Brasil Energia




