Windey investe R$ 100 milhões em fábrica de baterias na Bahia

03/06/2026

A chinesa Windey Energy anunciou um investimento de R$ 100 milhões para instalar sua primeira fábrica brasileira de sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS) em Camaçari, na Bahia. A nova unidade terá capacidade produtiva estimada em 1,5 GWh por ano.

A expectativa da empresa é iniciar a produção local no primeiro semestre de 2027, dentro do cronograma necessário para atender aos requisitos de nacionalização exigidos em parte dos  certames e ampliar a oferta de fornecedores habilitados para disputar os contratos de potência com início de suprimento em agosto de 2028.

O anúncio ocorre em meio aos esforços do Ministério de Minas e Energia (MME) para estruturar o primeiro leilão de armazenamento do país e fortalecer uma cadeia produtiva nacional para o segmento. Como mostrou a MegaWhat nas últimas semanas, o governo vinha avaliando, junto ao BNDES, se haveria fornecedores suficientes habilitados para atender eventuais exigências de conteúdo local sem comprometer a competitividade do certame.

A nova unidade será instalada no Polo Industrial de Camaçari. Segundo a empresa, a estrutura física já está pronta e demandará apenas adaptações para receber as linhas de montagem, integração, testes e comissionamento dos sistemas de armazenamento.

A estratégia inclui a obtenção do Credenciamento de Fornecedores Informatizado (CFI), mecanismo utilizado pelo BNDES para habilitar produtos ao Código Finame, permitindo acesso a financiamento em condições favorecidas. A obtenção do credenciamento é considerada um dos principais requisitos para participação nos produtos destinados a equipamentos nacionalizados.

Baterias e o debate sobre conteúdo local

O investimento reforça uma tendência que já vinha sendo defendida por fabricantes instalados no país. Em contribuições enviadas ao governo durante a construção das regras do leilão, WEG, Moura e UCB argumentaram que a contratação de sistemas produzidos localmente poderia estimular investimentos industriais, ampliar a capacidade produtiva e fortalecer a cadeia nacional de armazenamento.

A preocupação do governo era justamente evitar um cenário em que a exigência de nacionalização restringisse excessivamente o número de participantes. O secretário-executivo do MME, Gustavo Ataíde, chegou a questionar o BNDES sobre a capacidade da indústria de fornecer equipamentos compatíveis com as regras do Finame dentro do cronograma do certame.

Bahia busca protagonismo

Segundo a empresa, a fábrica faz parte da segunda etapa de sua expansão no Brasil. Em 2025, a companhia inaugurou um escritório nacional e um centro de pesquisa e desenvolvimento em parceria com o Senai Cimatec, em Salvador. Agora, avança para a fase industrial, com previsão de investir cerca de R$ 30 milhões já no primeiro ano de implantação.

A Windey afirma que a operação brasileira será estruturada para atender não apenas o leilão de reserva de capacidade, mas também futuras demandas por armazenamento associadas à expansão das energias renováveis, aos sistemas de transmissão e distribuição e aos consumidores industriais.

A companhia avalia ainda que o investimento pode posicionar o Brasil como um polo regional para tecnologias de armazenamento na América Latina, combinando produção local, financiamento nacional e tecnologia internacional.

Fonte: MegaWhat

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