Com investimentos tímidos de revitalização, a região permanece com nível de extração historicamente baixo
02/06/2026
A Bacia de Campos voltou a ser uma prioridade para a Petrobras na atual gestão. Mas a fotografia ainda é de retração. O nível de produção da região permanece historicamente baixo, tendo alcançado a terceira menor média dos últimos 25 anos, em 2025. O dado foi levantado pelo Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), que lançou o Boletim de Óleo e Gás do Norte Fluminense.
No ano passado, a produção média da Bacia de Campos foi de 828,6 mil barris de óleo equivalente por dia (boe/d), dos quais 89,5% foram de petróleo e 10,5%, de gás natural, respondendo no total por 19,9% da produção nacional. A estrutura produtiva da bacia segue concentrada no pós-sal, responsável por 79,9% do volume, enquanto o pré-sal contribuiu com 19,1%, refletindo o perfil maduro dos ativos predominantes.
Apesar de estar num patamar mais baixo, a produção do ano passado representou um crescimento, de 10,9%, em relação ao ano anterior.
Segundo o boletim do Ineep, esse quadro contrasta com a trajetória histórica da bacia, que superou 1 milhão de boe/d no início dos anos 2000 e atingiu o pico de 1,94 milhão de boe/d em 2011. A partir de então, especialmente entre 2014 e 2022, houve uma queda superior a 1 milhão de boe/d. Ainda que o amadurecimento natural dos campos seja um fator relevante, a intensidade dessa retração está diretamente associada à redução dos investimentos em exploração e produção, na avaliação da entidade.
“A Bacia Campos demanda um olhar duplo. Houve uma queda de produção significativa, na última década, em função da mudança de estratégia da Petrobras. Por outro lado, tem um cenário futuro. Apesar de madura, ela ainda guarda potencial exploratório significativo, que demanda investimento”, afirmou o coordenador de Pesquisa do Ineep, Francismar Ferreira.
Ele lembra que, recentemente, a Petrobras obteve sucesso com descobertas importantes nos campos de Marlim Sul e Sudoeste de Tartaruga Verde. “Já é a Petrobras retomando a atividade exploratória. No ano passado foram seis poços exploratórios. Se tiver ampliação nos investimentos em revitalização, a Bacia de Campos pode ser central na produção no Brasil”, acrescentou o especialista.
A queda da produção na última década aconteceu por dois motivos, de acordo com Ferreira. O primeiro é o amadurecimento natural de qualquer bacia. O segundo, determinante para acelerar a queda, foi a redução dos investimentos na revitalização. Após passar por um processo de venda de campos, durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, a Petrobras voltou a investir na Bacia de Campos, sob a gestão de Magda Chambriard, no governo Lula.
Ainda assim, o cronograma do programa de revitalização da Bacia de Campos tem sido estendido por conta da dificuldade da empresa em licitar os FPSOs. A empresa postergou dois importantes projetos – Barracuda-Caratinga e Marlim Leste e Sul ficaram de fora do plano de negócios de 2026 a 2030. E mesmo o FPSO de Albacora, que está sendo licitado e tem prazo de entrega de propostas para setembro, foi adiado por diversas vezes.
O Ineep destaca que o crescimento observado em 2025 foi sustentado pela Petrobras, cuja produção na bacia avançou 21,4%, passando de 436,2 mil boe/d em 2024 para 530 mil boe/d em 2025, impulsionada pelos ramp-ups dos FPSOs Maria Quitéria, Anita Garibaldi e Anna Nery. Em contrapartida, 2025 foi mais um ano de recuo da produção das demais petroleiras.
Em 2023, a produção conjunta dessas empresas atingiu 338 mil boe/d. A partir de então, houve retração, com o volume recuando para 311 mil boe/d em 2024 e alcançando 299 mil boe/d em 2025.
“As independentes (que assumiram ativos maduros da Petrobras) ainda não conseguiram reverter o cenário de queda da produção. Isso demanda maturação e investimento”, disse Ferreira.
No segmento exploratório, houve avanço, no ano passado, com a perfuração de seis poços, o maior número desde 2013, sendo cinco pela Petrobras e um pela Shell.
Para os próximos anos, a Petrobras prevê, para a bacia, “projetos complementares”, em geral, associados à interligação de novos poços produtores.
Já em 2026, deve acontecer um novo incremento da produção. Mas esse avanço, segundo o Ineep, tende a ser conjuntural, como em 2025. “A sustentação dessa trajetória de crescimento produtivo no médio e longo prazo permanece condicionada à retomada consistente dos investimentos em exploração e na revitalização de campos maduros, condição indispensável para mitigar o declínio estrutural da Bacia de Campos”, informa a entidade.
Fonte: Brasil Energia




