Energisa testa tarifa horária e aponta transição gradual do consumidor

12/05/2026

A Energisa defende que a modernização das tarifas de energia será um dos principais pilares da transformação do setor elétrico nos próximos anos, mas avalia que a adaptação dos consumidores a modelos tarifários mais dinâmicos ainda deve ocorrer de forma gradual.

Em entrevista, executivos da companhia apresentaram os primeiros resultados do sandbox tarifário conduzido pelo grupo em diferentes áreas de concessão e afirmaram que a experiência reforçou a necessidade de aprimorar o desenho da tarifa branca em discussão na Aneel.

“A tarifa moderna vai nessa linha de dar maior empoderamento ao consumidor. Para o cliente final responder a sinais de preço, a tarifa precisa ser adequada, precisa ser modernizada”, afirmou Rodrigo Santana, diretor de Regulação da Energisa.

Segundo ele, a expansão da geração distribuída, das baterias e da eletrificação da economia aumenta a necessidade de sinais tarifários mais aderentes à realidade do sistema elétrico.

A Energisa foi o primeiro grupo a implementar um sandbox tarifário aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), testando modalidades como tarifa horária, tarifa dinâmica trimestral, plano fixo e pré-pagamento. Um dos projetos, chamado “tarifa melhor hora”, criou diferentes faixas de preços ao longo do dia para incentivar o consumo em horários de menor carga na rede.

Consumidor ainda reage pouco aos sinais de preço

A companhia ressalta que a mudança de comportamento dos consumidores ainda ocorre de maneira limitada, mesmo com diferenças expressivas de preços entre os horários. Em alguns casos, a tarifa no horário de pico chegou a ser nove vezes maior do que no período considerado “supereconômico”.

“O cliente sentiu ali o peso na conta de energia, mas ainda assim não foi suficiente. Não conseguimos observar uma mudança significativa quando olhamos o agregado da amostra”, disse Amanda Prado, assessora de Assuntos Regulatórios da Energisa.

Segundo ela, os resultados indicam que a adoção de tarifas horárias dependerá também de fatores como automação residencial, veículos elétricos e maior digitalização do setor.

Para Rodrigo Santana, os resultados sugerem cautela na implementação obrigatória da nova tarifa branca proposta pela Aneel. “A gente costuma dizer que é preciso ter cuidado, porque o custo pode ser certo, mas o resultado pode ser incerto”, afirmou.

Fonte: MegaWhat

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