Produção deve elevar receita da Petrobras, dizem analistas

Companhia extraiu no Brasil e no exterior o total de 3,225 milhões de BOE/dia entre janeiro e março, novo recorde trimestral
08/05/2026

Com a disparada da cotação do petróleo e recordes na produção, a Petrobras deve apresentar melhora nos resultados do primeiro trimestre, conforme analistas. A valorização de cerca de 23% do petróleo no trimestre deve ampliar o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) da estatal, segundo o Itaú BBA. A petroleira divulga balanço na segunda-feira (11), depois do fechamento dos mercados. Há ainda expectativa de distribuição de dividendos.

O Ebitda da Petrobras deve ficar em torno de R$ 66,1 bilhões no primeiro trimestre, conforme cálculos do Valor com base em projeções de quatro bancos, alta de 8,3% em base anual. A receita deve subir 10,3%, para cerca de R$ 135,8 bilhões. O lucro líquido deve cair 16,9%, para R$ 29,2 bilhões.

A última linha do balanço deve sofrer com impactos da variação do câmbio, que causa reflexos em diferentes pontos do resultado. O efeito sobre a dívida pode ser positivo, uma vez que os valores em dólar ficam mais baixos quando convertidos ao real, devido à apreciação da moeda brasileira. Já o resultado operacional sofre impacto negativo, pois as receitas em dólar com as exportações de óleo ficam menores em reais quando a moeda brasileira se valoriza. Em contrapartida, há também a apreciação do petróleo, que estava a cerca de US$ 75,66 na média do primeiro trimestre de 2025. No último dia do primeiro trimestre deste ano, o barril do tipo Brent fechou a US$ 103,97.

A maior projeção de Ebitda é do Citi, de R$ 68,6 bilhões, e a menor é do UBS BB, de R$ 64,9 bilhões. Na receita, a maior estimativa, de R$ 142,8 bilhões, vem do UBS BB, e a menor, de R$ 131,8 bilhões, da Ativa Investimentos. No lucro líquido, a maior estimativa é do UBS BB, de R$ 32,6 bilhões, e a menor é do Itaú BBA, de R$ 23,4 bilhões.

A produção de petróleo, líquido de gás natural (LGN) e gás natural total da Petrobras no Brasil e no exterior no primeiro trimestre, de 3,225 milhões de barris de óleo equivalente (BOE) por dia, representou o novo recorde trimestral para a companhia.

O aumento foi de 16,1% em relação a igual período do ano passado. A companhia atribui o avanço à maior produção das plataformas P-78, no campo de Búzios, Alexandre de Gusmão, no campo de Mero, Anna Nery e Anita Garibaldi nos campos de Marlim e Voador. O recorde anterior era de 3,14 milhões de barris por dia, do terceiro trimestre do ano passado.

A Petrobras também teve alta, de 16,4%, na produção de petróleo, líquido de gás natural (LGN) e gás natural no Brasil no primeiro trimestre, para 3,197 milhões de barris de óleo equivalente por dia.

As refinarias da Petrobras fecharam o primeiro trimestre com fator de utilização médio de 95%, acima do patamar de 90% dos três primeiros meses do ano passado. As vendas de derivados no mercado interno somaram 1,74 milhão de barris por dia no primeiro trimestre, alta de 2,8% frente ao 1,69 milhão de barris por dia de igual período do ano passado.

Para o UBS BB, os volumes inferiores no refino, com corte do preço da gasolina em janeiro e a estabilidade do preço do diesel até o ajuste no meio de março, devem pressionar os resultados.

A produção da Petrobras no primeiro trimestre foi vista como uma “surpresa positiva”, segundo o banco, o que deve levar ao anúncio de US$ 2,3 bilhões em dividendos, nas contas da instituição. “Mantemos visão positiva sobre a Petrobras, apoiada pela forte geração de caixa e dividendos sólidos, que continuam entre os mais elevados do setor global e são um dos mais sensíveis à variação dos preços do Brent, com riscos de alta caso não haja avanços nas negociações no Oriente Médio.” Ainda assim, o UBS BB não vê como provável o anúncio de dividendos extraordinários.

Para a Ativa, o resultado do refino deve refletir o recuo das vendas, sobretudo de diesel e gasolina, o que foi parcialmente compensado pela maior utilização das refinarias e a menor dependência de diesel importado. “A dinâmica de preços teve contribuição limitada no trimestre, dado que a gasolina permaneceu estável e o reajuste do diesel ocorreu a partir de 14 de março”, disse a corretora.

Fonte: Valor Econômico

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