Thymos Energia projeta alta de 7,64% na conta de luz em 2026, com maior pressão no Nordeste

02/03/2026

A Thymos Energia projeta reajuste médio de 7,64% nas tarifas de energia elétrica no Brasil em 2026. O maior aumento deve ocorrer no Nordeste, com alta média de 9,77%, impulsionada principalmente pelo encarecimento da energia adquirida pelas distribuidoras e pela elevação da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE).

No Sudeste, a variação estimada é de 5,45%. No Norte, a projeção indica alta de 4,52% na conta de luz, enquanto o Sul deve registrar avanço de 3,61%. Já o Centro-Oeste apresenta estabilidade, com variação média de 0,08% em relação ao ano anterior.

A consultoria destaca que os percentuais representam médias regionais e podem variar conforme a distribuidora e a área de concessão. Apesar de as componentes tarifárias serem comuns a todas as concessionárias, os impactos não são homogêneos entre as regiões.

Ana Paula Ferme, head de Utilities e Regulação Econômica na Thymos Energia, destacou que as diferenças tarifárias decorrem do portfólio contratual de cada distribuidora, o que influencia o custo médio de compra de energia e o grau de exposição ao mercado de curto prazo.

“No caso da CDE, a intensidade da pressão varia conforme a composição de mercado de cada área de concessão e a trajetória de equalização regional entre os blocos Norte/Nordeste e Sul/Sudeste/Centro-Oeste”, explica Ferme.

De acordo com a análise, o aumento do orçamento da CDE para 2026 está relacionado, principalmente, à ampliação dos subsídios setoriais. A proposta em consulta pública pela Aneel estima despesas de R$ 52,7 bilhões, alta de 7% em relação a 2025. O avanço é puxado pelo crescimento dos descontos tarifários para fontes incentivadas, pela expansão da tarifa social e pelo aumento da geração distribuída, cujos custos quase dobram no período.

Apesar da redução em itens historicamente relevantes, o crescimento dos subsídios mantém pressão significativa sobre as tarifas de energia elétrica no país.

O encarecimento da energia também reflete a dinâmica dos contratos firmados em leilões e cotas, além da maior exposição ao mercado de curto prazo na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), sensível à alta do Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) prevista para 2026.

A consultoria ressalta ainda que o teto do orçamento da CDE, estabelecido pela Lei nº 15.269/2025, derivada da Medida Provisória 1.304, passa a valer apenas a partir de 2027.

Fonte: MegaWhat

OUTROS
artigos