SGB faz parceria com Petrobras para remapear Bacia do Marajó

Segundo o Serviço Geológico do Brasil, a Petrobras investirá R$ 2,8 milhões no projeto, que visa ampliar o conhecimento sobre a região, que tem potencial para armazenamento de petróleo
31/03/2026

O Serviço Geológico do Brasil (SGB) divulgou na segunda-feira (30) que assinou um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) com a Petrobras para revisão e atualização da Carta Estratigráfica da Bacia do Marajó, no Pará.

Segundo o SGB, a Petrobras investirá R$ 2,8 milhões no projeto, que busca ampliar o conhecimento sobre a região, permitindo a compreensão de sistemas petrolíferos e áreas potenciais, além de fornecer dados para a avaliação de recursos minerais e hídricos. O prazo para a conclusão do trabalho é de 18 meses.

A Bacia do Marajó é uma bacia sedimentar no estado do Pará, na confluência dos rios Amazonas e Tocantins, que se estende por uma área de 53 mil km². Situada entre as bacias do Amazonas e Parnaíba, a região, de acordo com o SBG, tem potencial para armazenamento de petróleo.

Antiga Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), o SGB explica que o objetivo principal do projeto é dar consistência aos dados já disponíveis e preencher lacunas de conhecimento, principalmente na seção rifte.

Para o diretor-presidente do SGB, Vilmar Medeiros Simões, a cooperação técnica entre duas instituições de relevância nacional contribuirá para ampliar o conhecimento sobre o potencial do país, em uma área estratégica em relação aos recursos energéticos.

“Essa parceria para realização de estudos na Bacia do Marajó fortalece a produção de informações técnicas qualificadas, que contribuem para o planejamento e para a tomada de decisão sobre o uso sustentável dos recursos naturais, em sintonia com as diretrizes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tem reafirmado o papel estratégico da ciência e da soberania nacional no desenvolvimento do país”, afirmou.

Simões destacou ainda que a iniciativa reforça o papel do SGB na geração de dados confiáveis, voltados ao desenvolvimento do país, ao interesse público e ao fortalecimento das políticas nacionais conduzidas pelo governo federal.

O SGB informou ainda que as pesquisas serão desenvolvidas por uma equipe multidisciplinar de vinte e um pesquisadores, sendo 15 do SGB e os outros seis de universidades do país. A iniciativa promove o uso de tecnologias de ponta, como a Inteligência Artificial para o mapeamento de sismofácies e métodos avançados de geocronologia e termocronologia (como traços de fissão em apatita), que permitem entender a evolução térmica e a geração de hidrocarbonetos.

A pesquisadora Cleide Moura, chefe da Divisão de Bacias Sedimentares (Dibase), ressalta que os estudos na Bacia do Marajó permitirão o avanço das pesquisas em Geologia Sedimentar, Estratigrafia e geotectônica da América do Sul.

“A Bacia do Marajó é um elo de conexão entre o interior continental e as bacias marginais oceânicas. Ocupando extensas áreas do Pará, a bacia está inserida em um arcabouço tectônico complexo e registra fases fundamentais da evolução geodinâmica associada à abertura do Oceano Atlântico Equatorial, constituindo elemento-chave para a compreensão da evolução da margem norte da América do Sul”, explica.

Segundo o SGB, a carta estratigráfica é uma representação do arranjo estratigráfico de províncias geológicas sob a forma de diagramas cronoestratigráficos. Esses documentos sintetizam os atributos fundamentais do preenchimento sedimentar-magmático de bacias sedimentares. Sua função principal é posicionar as seções sedimentares dentro de escalas geocronológicas internacionais, utilizando cores padronizadas para cada intervalo de tempo geológico.

Além dos pesquisadores do SGB, a execução do projeto contará com a participação de pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA), Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Universidade de São Paulo (USP), Universidade de Brasília (UnB), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Fonte: Brasil Energia

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