SEAP: Petrobras está em fase final de negociação com a SBM

“Eu queria ter dado essa notícia hoje, mas ainda não foi possível”, disse Sylvia Anjos, diretora de E&P da estatal, sobre a licitação que envolve os dois FPSOs do projeto Sergipe Águas Profundas. Além disso, a proposta para contratação do gasoduto deve ser lançada ao mercado ainda em 2026
31/03/2026

A Petrobras está em fase final de negociação com a SBM para os dois FPSOs do projeto Sergipe Águas Profundas (SEAP), informou a diretora de Exploração e Produção (E&P) da estatal, Sylvia Anjos, em conversas com jornalistas durante o evento “Workshop de Descomissionamento, Comissionamento, Operação e Logística Offshore”, realizado na sede da FGV nesta terça-feira (31), no Rio de Janeiro (RJ).

“Os ajustes finais estão sendo feitos, como acontece em toda licitação. Eu queria ter dado essa notícia hoje, mas ainda não foi possível. A princípio, uma das unidades inicia sua operação em 2030, enquanto a outra inicia pouco tempo depois. Mas, se a SBM for realmente a vencedora, ela deve acelerar um pouco esse processo, tendo em vista que ela já possui os cascos para a construção”, explicou a diretora. 

Cesar Cunha, gerente-executivo de Águas Ultraprofundas da Petrobras, também presente no evento, reiterou que a Petrobras e a vencedora da licitação irão trabalhar de forma conjunta para diminuir o prazo do primeiro óleo entre as unidades do projeto. “A melhor proposta foi a da SBM, em uma contratação no formato BOT [Build-Operate-Transfer]. Nós já tivemos uma experiência desse tipo de contrato com essa empresa, e estamos muito otimistas”, disse Cunha. 

A Petrobras planeja desenvolver o projeto SEAP em duas fases, com a instalação de dois FPSOs com capacidade de produção de 120 mil de bpd de óleo e até 12 milhões de m³/dia de gás cada. O primeiro FPSO (SEAP II) possui entrada em operação prevista para 2030. Já o segundo FPSO (SEAP I) é uma opção no processo de contratação do SEAP II, e possui entrada em operação prevista para 2032.

O projeto também inclui a construção de um gasoduto, com capacidade de 18 milhões de m³/dia de gás. De acordo com o gerente-executivo, a ideia é apresentar ao mercado, ainda neste ano, a proposta para contratação dos trechos terrestre e marítimo do gasoduto, assim como os processos de licitação para os sistemas submarinos do projeto. 

Com os dois FPSOs operando, a estatal estima alcançar um pico de produção de 200 mil bpd de óleo e um platô de exportação de gás acima de 15 milhões de m³/dia.

Por fim, Cunha informou que a Petrobras assinou, em março, com o governo de Sergipe, um protocolo de intenções para viabilizar a comercialização do gás natural que será produzido pelo projeto SEAP. 

“Assim que a gente iniciar esse projeto, vamos sentar juntos e traçar esse caminho. E é algo que é bom para todo mundo: para a companhia, que vai conseguir dar mais robustez na previsibilidade de comercialização de gás; para o estado, que fomenta a participação e desenvolvimento de cadeias, e para os consumidores e clientes, que terão essa firmeza e uma previsibilidade melhor para tomar suas decisões de investimento”, explicou o gerente-executivo de Águas Ultraprofundas da Petrobras.

O desenvolvimento inicial do projeto Sergipe Águas Profundas contempla oito poços produtores e oito poços injetores para SEAP I, e 11 poços produtores e cinco injetores para SEAP II. Ao todo, o projeto deverá ser desenvolvido a partir de cinco reservatórios principais, de óleo leve, de densidade de 38° a 41° API. 

O projeto SEAP II inclui os campos Budião, Budião Noroeste e Budião Sudeste, localizados a cerca de 80 km da costa nas concessões BM-SEAL-4, BM-SEAL-4A e BM-SEAL-10, respectivamente. A Petrobras é operadora das concessões BM-SEAL-4 – com 75% de participação em parceria com a ONGC (25%) – e BM-SEAL-4A e BM-SEAL-10, onde detém 100% de participação.

Já o projeto SEAP I abrange as jazidas pertencentes aos campos de Agulhinha, Agulhinha Oeste, Cavala e Palombeta, localizados nas concessões BM-SEAL-10 e BM-SEAL-11. A Petrobras é operadora das concessões BM-SEAL-11 – com 60% de participação, em parceria com a IBV Brasil Petróleo (40%) – e BM-SEAL-10, onde detém 100% de participação. 

Em janeiro, a diretoria da ANP determinou a adequação das áreas de desenvolvimento de Agulhinha e Cavala em um único campo, assim como Palombeta e Budião Sudeste, de modo que o projeto SEAP contemple cinco campos – e não sete, como originalmente apresentado pela estatal

Fonte: Brasil Energia

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